Alunas negras são suspensas por usarem tranças na escola

Punição e inspeções capilares diárias levantam a questão do preconceito racial em escolas.

Algumas das medidas de dresscode escolar podem tentar cativar a igualdade entre estudantes — mas acabam desenvolvendo e exibindo uma boa dose de intolerância. O mais recente caso aconteceu em Boston, nos Estados Unidos, na Mystic Calley Regional Charter School, na qual duas estudantes negras usaram tranças para irem à escola e acabaram recebendo detenções.

A mãe das gêmeas Deanna e Mya, que estão suspensas após o ocorrido, falou ao Boston Globe sobre o caso: “eles têm uma educação de nível acadêmico alto, e eu agradeço por isso, é o motivo delas irem para a escola”, afirmou Colleen Cook. “Mas, infelizmente, eles não têm nenhuma sensibilidade para a diversidade”, conta ela.

O Boston Globe ainda notou que Colleen não era a única mãe com filhas negras que foram alvos das mesmas punições. Muitos pais afirmaram que suas meninas estavam sendo disciplinadas de forma muito negativa por usarem tranças ou extensões capilares.

De acordo com a instituição, “enfatizamos a educação mais do que o estilo, a moda ou o materialismo. Nossa política de extensões capilares — que costumam ser muito caras — é consistente com o ambiente educacional que acreditamos ser tão importante para o sucesso de nossos estudantes”, exibe o NY Daily News. A administração ainda cita que não apoia cores ou estilos não naturais nos cabelos — apesar disso, quando as irmãs utilizam os cabelos lisos ou relaxados por meio de métodos químicos — procedimentos também muito caros –, não existiu incômodo. Se usam o cabelo afro natural, são punidas — de acordo com as regras da escola, seu cabelo natural chama muita atenção. Para a escola, então, não existe outra opção além de alisar os fios ou mantê-los curtos.

“Quando lemos a política escolar, sentimos que isso impactou nossas filhas injustamente, e também impacta injustamente a população de pessoas negras que vão à escola”, contou os pai das meninas, Aaron Cook, ao NY Daily News.

Entre alguns dos detalhes mais desconcertantes do problema está a forma como a escola está lidando com ele: “existem crianças que estão sendo rodeadas e levadas até o térreo para inspeções capilares diárias, e as meninas não entendem por que estão sendo tratadas dessa forma”, contou o pai. Isso também está sendo feito na frente de outros estudantes, o que significa que muitos dos pupilos não afetados por esse código de vestimenta estão recebendo uma lição de como oprimir.

A cantora e artista Solange Knowles expressa em sua faixa Don’t Touch My Hair a importância de seu cabelo: “Não toque em meu cabelo/ Não toque em minha alma”, diz ela ao resgatar o simbolismo que ele carrega para o movimento negro. O cabelo afro pode ser parte essencial da identidade, e acaba por se tornar símbolo de resistência e representatividade de muitas mulheres e homens. Só em 2015, por exemplo, a Victoria’s Secret deixou uma modelo angolana desfilar com seu cabelo natural e, na África do Sul, alunas lutaran pelo direito de usar o cabelo afro livremente.  Considerá-lo exótico e fora dos padrões escolares é uma atitude racista inaceitável.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s