Estudo mostra que propagandas são mais machistas que imaginamos

Nova pesquisa afirma que homens têm até sete vezes mais papéis relevantes que mulheres nos comerciais.

Um novo estudo feito pelo Instituo Geena Davis sobre gênero e mídia mostra que o mundo da propaganda também é um espaço de marginalização de mulheres. A organização sem fins lucrativos foi fundada pela atriz em 2004, e em parceria com a empresa de marketing J. Walter Thompson, realizou uma pesquisa para examinar como as mulheres são retratadas em diversos tipos de propagandas. O resultado não é promissor.

Intitulada “Unpacking Gender Bias in Advertising”, a pesquisa foi apresentada durante o festival internacional de criatividade de Cannes Lions, que premia e celebra iniciativas de comunicação. Depois de analisarem mais de 2000 propagandas dos arquivos do festival, os pesquisadores descobriram que as propagandas tem até duas vezes mais personagens homens do que mulheres.

Um quarto do conteúdo retrata apenas homens — em comparação, 5% de anúncios exibem apenas mulheres. Quando as personagens falam, a situação é ainda mais alarmante: em média, os homens recebem sete vezes mais papéis com fala do que as mulheres.

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(The Advertising Archives/Reprodução)

A idade e a representação também foram uma questão significativa: de acordo com o estudo, os homens são mais retratados entre 20 e 40 anos, enquanto as mulheres estão sempre jovens, com cerca de 20 anos de idade. Uma em cada 10 mulheres estava vestida de forma sexy, e a chance de um homem ser retratado em cargos de trabalho, como um médico ou cientista, é 62% maior do que uma mulher. A pesquisa não analisou diferenças étnicas, como o número de mulheres e homens negros retratados.

“Mudando as narrativas, as imagens que usamos, as histórias que contamos sobre mulheres, podemos mudar dramaticamente a forma que o mundo dá valor para mulheres e como elas e meninas se veem”, conta Madeline Di Nonno, CEO do Instituto Geena Davis. A representação midiática é uma das chaves para a mudança de preconceitos e estereótipos. Nesta semana, por exemplo, em um discurso enquanto ganhava o prêmio do BET Awards, Solange Knowles descreveu como a representação positivas de mulheres negras foi essencial para sua vida.

Vendo uma oportunidade para serem mais inclusivas e também para melhorar seu status entre o público, grandes corporações como o Google, Facebook e Johnson & Johnson afirmaram em uma conferência durante o evento que trabalharão para melhorar suas propagandas. “Representar mais mulheres não é o suficiente. Precisamos de uma forma mais progressista e inclusiva de representação”, finaliza Madeline.

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