Jovem britânica é demitida após ir trabalhar sem sutiã

O caso relembra como o debate que envolve o #FreeTheNipple é importante tanto na moda quanto no dia a dia das mulheres.

O debate sobre #FreeTheNipple não é recente e, na moda, ele tem angariado cada vez mais adeptas — Cara Delevingne, Kendall Jenner e Bella Hadid são apenas algumas das modelos atuais que já se manifestaram sobre o tema. Vale lembrar que em março, a Ellus também colocou uma modelo com os mamilos descobertos em sua passarela no SPFW, que mais tarde foi censurada pelo Instagram. “Quando publiquei a imagem tapando o meu mamilo ela foi permitida, sendo que o menino, atrás de mim, está sem camisa do mesmo jeito. Isso deixa muito nítido como as mulheres ainda não têm os mesmos direitos que os homens”, disse Rebecca Gobbi na época à ELLE.

A discussão se mostrou mais uma vez necessária nesta semana, depois que Kate Hannah, uma jovem britânica, revelou em seu Facebook que foi assediada e demitida de seu trabalho por não usar sutiã. De acordo com ela, o irmão de sua gerente fez comentários de cunho sexual dirigidos a ela e, após apontar o assédio, ela foi informada de que não deveria voltar a trabalhar caso se recusasse a usar sutiã.

Ninguém deveria jamais sentir a necessidade de se esconder para ficar longe de comentários e comportamentos sexuais indesejados“, escreveu ela. “Eu me senti desconfortável, objetificada e chocada que isso tenha acontecido. Infelizmente, ela [a gerente] decidiu lidar com a situação dizendo para mim que eu não tinha permissão de ir trabalhar se não estivesse usando um sutiã. Isso foi dito em frente a outros três funcionários e clientes, o que me deixou com vergonha do meu corpo e completamente chocada de que eu estava sendo culpada pelo assédio sexual no trabalho. Ela me chamou de estúpida, tola e exageranda quando disse que estava chateada”. O estabelecimento respondeu em sua página na rede social, dizendo que nenhum funcionário foi demitido e que possui uma política de cuidado com as vítimas para lidar com casos de assédio.

Culpar a vítima é comum em casos de assédio sexual e é uma da estruturas contra as quais o movimento feminista luta contra. Mais do que uma moda que sempre foi vista nas passarelas, é preciso destacar que mostrar em público (mesmo que por baixo de roupas) que as mulheres possuem seios e mamilos é uma atitude de coragem — e também de educação e conscientização — considerando que vivemos em uma sociedade machista que culturalmente erotiza essa parte do corpo feminino. “Tudo é uma questão de normalização”, destacou a ativista, atriz e diretora norte-americana Lina Esco, uma das fundadoras do movimento Free The Nipple, à ELLE em março. “Vale lembrar que há 100 anos tornozelos eram considerados obscenos e hoje simplesmente rimos disso. Até 1937, era considerado ilegal um homem ir sem camisa à praia aqui, nos Estados Unidos.”

Vale assistir de novo

Proibições dessa natureza e casos de assédio desse tipo também incentivaram Letícia Bahia e Julia Rodrigues a criarem o projeto Mamilo Livre aqui no Brasil, cuja ideia principal é levantar o debate sobre objetificação sexual dos seios femininos. No Dia da Mulher, elas foram convidadas a discutir o assunto ao vivo no nosso Facebook, e vale a pena relembrar a conversa:

 

 

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s