Alexandre Herchcovitch encerrou uma carreira-solo de 14 anos com um desfile altamente desejável na edição passada – entre o sado-maso Helmut Newton, o seu punk de sempre e a tendencinha de então, o smoking em mil versões. Agora que ele faz parte de um grupo de moda, o I´M – uma espécie de tubo de ensaio à brasileira de gigantes como o francês LVMH, dono de grifes como Vuitton, Givenchy, Marc Jacobs –, todas nós queremos ver como é crescer (em número de lojas, em peças por coleção) e aparecer (sair do gueto e vestir meio Brasil afora). Nesta estréia como diretor criativo e pós uma boa injeção de capital nas suas duas marcas (a segunda é a jeans), o estilista dá sinal de que quer atender a gregas – a primeira parte do desfile, toda de preto, é para clássica-moderninha nenhuma botar defeito – e troianas – a segunda parte traz xadrezes para fiéis rebeldes da Herchcovitch;Alexandre. O que amarra tudo é, no fundo, uma aula de geometria, que passa das costuras para as estampas até chegar aos cortes. Na primeira parte, o preto é o fundo perfeito para drapês, pregas e volumes estruturados – tudo bem sessentinha, no melhor estilo Balenciaga. Preto + preto em mil texturas (irresistível o veludo devorê com efeito de zebra e o retorno do bouclé) fazem uma mistura mais quente, mais interessante. A alfaiataria, outra obsessão de Herchcovitch, aparece renovada desta vez por um ar nonchalant – ou seja, formas mais fluidas em calças e paletós tipo smoking, usados de um jeito ‘nem aí’ que é o oposto dos smokings com função objeto de desejo apresentados na estação passada. Tem para todas e de todos os jeitos.
por Simone Esmanhotto










