O desfile transcorreu em silêncio. Uma sirene avisou que era hora de começar. Os modelos desceram para a margem do rio Tietê, ali onde bóia o lixo e correm ratos e baratas. O ambiente, desnecessário dizer, era feio. Desolador até. A roupa, ao contrário, estava linda. O time da Cavalera revirou os próprios baús. Pescou tecidos antigos, xadrezes e listrados, entre outros, e transformou em vestidos longos inspirados em camisas masculinas. Na verdade, pareciam feitos de um mosaico de camisas. E eram lindos. As estampas meio românticas, com perfume vintage, fizeram um ótimo casamento com as outras, de padronagem masculina. A cartela de cores fez com que ora as roupas – em tons terrosos – se camuflassem à paisagem, ora saltassem aos olhos graças à gama de azuis e verdes. Os modelos perambulavam. A sirene tocou de novo. Os estilistas mereceram cada aplauso caloroso que receberam.
por Helena Campos























