Ligadérrima na sua origem da terra do Sol Nascente, Erika Ikezili elegeu a história da primeira japonesa nascida no Brasil como “desculpa” para desconstruir o quimono em peças mil (saia, blusa, casaco) e tropicalizar tudo. Sua marca registrada – o origami, que constrói volumes nas peças – desta vez foi desbancado por uma novidade tecnológica: o tecido ‘persiana’, que já vem plissé de fábrica – “um alívio ter a prega pronta”, disse a estilista nos bastidores minutos antes de o desfile começar. Vestidos, boleros, bermudas levaram tecidos diversos, entre eles tafetá, tule de malha, tricoline com elastano, renda, arrematados por tiras de jacquard dourado e passamanaria. Tudo misturado num patchwork excessivo de texturas e estampas, que acaba por esconder o trabalho de modelagem que pode ser uma das forças dessa estilista. Melhor mesmo são as calças de alfaiataria, de cintura baixa, botões dourados e bolso faca – uma alternativa em preto ou bege para quem não quer embarcar nas calças setentonas que vêm por aí.
por Simone Esmanhotto










