Antes de estrear no SPFW, Jefferson Kulig era conhecido por nome na sua cidade natal, Curitiba. Rosto que é bom, ninguém tinha a mais remota idéia de como era porque Kulig, com uma timidez elevada à décima potência, era avesso a entrevistas e preferia ficar fechado no seu mundo criativo. No line-up do SPFW desde a coleção inverno 2003, Kulig se provou hermético mesmo, com um estilo absolutamente particular, de formas rígidas e cores neutras, e de uma aridez difícil de digerir. Eis que, nesta coleção, Kulig vem à passarela trazendo cores, estampas e formas relaxadas – numa mudança visível. E reconhecida pelo estilista no backstage. À base de muita terapia (ele confessa), Kulig começa a sair do seu mundinho particular e a se comunicar melhor com a platéia. Numa coleção com toques étnicos e tecidos tecnológicos (borracha e sua marca formam um casal inseparável), vimos bons longos de jérsei de seda e revisões modernas do trench coat. Terapia faz bem, obrigada, e o resultado só pode crescer daqui para frente.
por Simone Esmanhotto










