Um dos desfiles mais esperados do SPFW – pelas propostas altamente autorais, o que dá um superfrescor à passarela –, a Osklen mergulhou fundo em si mesma. Ou melhor, Oskar Metsavaht, a cara e a alma da marca carioca, mergulhou fundo em si mesmo – já que, como ele declarou a ELLE no backstage, “a Osklen vem de mim”. Mistura de globetrotter e atleta, ligadérrimo na onda eco, Metsavaht reuniu nesta coleção momentos de viagens para Nova York, Tóquio, São Paulo, Paris em roupas feitas com biocouros – de pupunha, por exemplo –, viscose de bambu e seda pura. O resultado é um look urbanérrimo, do tipo moderno, cheio de sobreposições (com tricôs finos, inclusive) e distante do naturalismo chic e de uma suavidade meio romântica de outras coleções. As silhuetas também mudam – saem os vestidos pára-quedas, sai a amplidão máxima, e entram volumes pontuais, em maxipantalonas de náilon. Como em qualquer auto-mergulho, voltam à tona bons momentos, como os minivestidos acinturados – uns que parecem ter natureza dupla, a de vestido e a de mochila, graças às tiras e alças mil. Leggings fazem as vezes de leg warmers, coisa de quem faz snowboard e outros esportes de neve – e a mistura com vestidos-camiseta deixa as silhuetas bem desencanadas e alongadas. É uma Osklen igual. Mas, ao mesmo tempo, diferente.
por Simone Esmanhotto










