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Entrevistas
23.06.2008 Brincadeira de criança#Lino Villaventura dá um show no encerramento do SPFW#lino.jpg

Último a desfilar na 25ª edição do SPFW, Lino Villaventura deu um show na passarela. Exuberante, o estilista fez um desfile à altura de sua fama: com muitos detalhes e cores que saltavam aos olhos. O resultado foi pura poesia – ganhou até o elogio “que Galliano, que nada!”, feito por uma das convidadas.

Como é para você encerrar o SPFW?
É uma honra. O Paulo (Borges, criador da semana de moda) me convidou para fechar o último dia porque acha que meu desfile sempre cria uma expectativa. Então, para cumprir essa função, nada melhor do que ousar em cores, formas, nervuras. É um trabalho que pode ser definido como pura brincadeira.

Fale um pouquinho sobre qual conceito quis passar com esse desfile.
Não gosto de falar sobre um trabalho tão autoral porque acabo direcionando o jeito da pessoa entendê-lo. Quero que cada um olhe para o que fiz e tire sua mensagem. Isso é arte. Isso é brincar com o abstrato.

Você imagina um tipo específico de mulher quando cria?
Também não tenho esse negócio de montar uma historinha sobre a mulher e dizer “ah, ela é uma mulher assim, que não é assado”, não tenho isso. Crio para mulheres e ponto.

Patricia Moterani

23.06.2008 Vintage de café#Vide Bula faz verão inspirado na fotografia#giacomo.jpg

Veio do trabalho do fotógrafo David Hamilton a inspiração para Giacomo Lombardi, o estilista da Vide Bula, criar o verão 2009 de sua marca. “As fotos dele usavam sépia, penumbra, eram veladas. É uma típica imagem de moda, que faz parte do imaginário de qualquer pessoa que trabalha no meio”, explicou ele.

Como você passou essa imagem para suas roupas?
Isso aparece principalmente nas transparências que criei, com chiffon, que passam uma idéia de inocência sensual, não revelada. Também escolhi tecidos como viscose de bambu e algodão com seda para fazer as peças mais leves.

Você abriu o desfile com muitos vestidos. A Vide Bula aposta neles para o verão?
Nossa aposta é o bem-estar. E isso você pode sentir vestindo um jeans de lavagem bem clara, um de cintura alta ou um vestido. Nossa coleção tem todas essas opções.

E a maior novidade, qual é?
O mais legal é a técnica de tintura que escolhemos para as peças que aparecem num tom de bege. Usamos sementes de café para dar essa cor e esse aspecto de roupa vintage.

Com que lugar o seu verão combina?
Com os oito mil quilômetros de praia que tem o Brasil.

Patricia Moterani

23.06.2008 Verão de rico#Carlota Joakina desfila sob novo comando#carlota.jpg Carlota Joakina desfilou hoje com uma nova trupe no comando. Sai o estilista Rodolfo Murilo, responsável pela coleção passada da segunda marca de Gloria Coelho, e entram as meninas Marília Biasi, Juliana Pazzuti, Camila Bertolote e Regina Zanardi. Sob o olhar atento de Glória, elas apresentaram um verão inspirado nos jet-setters.

Como surgiu esse tema? Quem de vocês teve a idéia?
Não dá para dizer que foi uma de nós que escolheu esse universo. Na verdade, foi resultado de muita conversa que tivemos com a Gloria. Levamos para ela uma listinha de coisas com as quais gostaríamos de trabalhar e acabamos decidindo pelos jet-setters, até porque a Glória viaja muito e tem muitas referências sobre isso.

Teve algum elemento especial dentro desse tema?
Sim, as mulheres dos anos 70 que praticavam natação. Isso aparece no recorte dos maiôs e na escolha do vinil, por exemplo, para criar um efeito molhado.

E como é criar a oito mãos?
As pessoas devem imaginar que é difícil, mas nós gostamos muito, pois somos todas diferentes uma da outra e essa troca de idéias enriquece qualquer processo de criação.

Nervosas pela estréia?
Um certo nervosismo sempre aparece, mas nos sentimos muito mais privilegiadas por ter tido essa oportunidade de trabalhar com a Gloria do que propriamente nervosas.


Patricia Moterani
23.06.2008 Caixinha de surpresas#Depois de um inverno hardcore, Priscila Darolt apresenta verão bem feminino#pricila.jpg Depois de um inverno inspirado no universo das motoqueiras, a estilista Priscila Darolt desfilou uma coleção tirada de um objeto bem feminino: uma caixinha de jóias e tudo o que guardamos nela.

Mudança radical essa, não?
Pois é. Estava num momento de resgate da feminilidade quando comecei a criar esse verão. Mas, mesmo assim, alguns looks aparecem com correntes de bicicletas e com botas pesadas, o que tira essa leveza e delicadeza do tema. Não consegui abandonar completamente meu lado hard. Gosto de contrapontos.

Qual o seu destaque dessa coleção?
Gostei muito de um trabalho que fiz com as estampas de camafeu. Eles não foram desenhados e sim fotografados. Essa estampa é feita por meio da digitalização de fotos.


Patricia Moterani

23.06.2008 Somos todos mestiços#Erika Ikezili faz desfile ao ar livre e conta sobre a sua coleção#erika_ikezili.jpg

Faz frio hoje em São Paulo.Uma segunda-feira cinzenta que começou com um certo ar bucólico (perfeito para nos recuperarmos do domingo efervescente, graças ao turbilhão Gisele Bündchen). Os jardins do pavilhão japonês no Parque do Ibirapuera foram o cenário escolhido por Erika Ikezili para apresentar sua coleção de verão 2009 e ali, ao ar livre, junto ao lago, ela conversou com ELLE sobre suas modas.

Erika, essa é sua oitava participação no SPFW. O que mudou nesses anos, no evento e na sua moda?
É impressionante ver como o evento está cada vez mais ousado. Tudo é maior e mais profissional. Me lembro que quando cheguei aqui, não podia nem pensar em cenário, por exemplo. E hoje, estou fazendo um desfile externo. Isso é mérito do evento. Quanto à minha moda, percebo que estou cada vez mais segura do que gosto, do meu estilo, das minhas misturas.

E essa coleção? Como está?
Chamei a coleção de Centebutantes a la japonesa. Misturei vários elementos porque queria mostrar que depois de 100 anos no Brasil, ninguém mais é isso ou aquilo. Somos todos mestiços. Somos fruto da miscigenação que acontece aqui. E é por isso que quis trazer para a passarela modelos de várias etnias, tecidos e estampas que remetessem à África, aos árabes, aos indianos, ao Oriente e ao Ocidente, ou seja, um retrato do que é o brasileiro – uma mistura.

Você foi muito corajosa fazendo um desfile ao ar livre nessa época de dias frios e chuvosos. Passou a noite torcendo por sol?
Pois é! Mas achei que ficou tão lindo. Todas as vezes em que vim aqui antes do desfile estava fazendo sol. Mas a neblina e o frio deixaram tudo ainda mais especial. As cores ficaram ainda mais vivas graças ao dia cinza. Adorei.

E não deu pena das modelos?
Ai! Até pedi desculpas. Mas todas foram fofas. Disseram que é assim mesmo.

Helena Campos

22.06.2008 Mulheres flores#Colcci desfila pela primeira vez no SPFW#jessica.jpg

A Colcci, que antes fazia parte do line-up do Fashion Rio, estreou no SPFW. E trouxe ninguém menos que Gisele Bündchen, a estrela de sua campanha. Depois de um inverno de muitas críticas, Jéssica Lengyel, a estilista da Colcci, mostra um verão mais equilibrado.

Como você reagiu às críticas feitas sobre sua coleção passada? Elas influenciaram no desfile de hoje?
Acho que todo estilista deve estar aberto às críticas, é normal que elas surjam. Afinal, cada desfile é um desfile. O nosso verão passado, de 2008, foi superbem recebido, por exemplo. Ouvi tudo o que disseram, mas não digo que isso mudou o jeito com que toco meu trabalho.

Você tem medo que a Gisele apareça mais do que as roupas da Colcci?
De jeito nenhum. Tê-la com a gente só agrega valor à marca e faz com que nosso nome seja bem representado no exterior. Para nós, que exportamos, é muito importante tê-la como embaixadora lá fora.

Qual é o tema dessa coleção?
Escolhi montar meu verão em torno da idéia de um cabaré botânico. Cabaré pelas mulheres que são sexy sem vulgaridade e botânico para marcar nossa escolha por tecidos e lavagens naturais, diferentemente da coleção passada, em que usamos tecidos e acabamentos tecnológicos.

Patricia Moterani

22.06.2008 A top das tops entre nós#Gisele Bündchen dá entrevista coletiva durante o SPFW#gisele_bund.jpg

Depois de quatro anos longe das passarelas paulistas, a top Gisele Bündchen desfilou com exclusividade para a Colcci hoje, no penúltimo dia do SPFW. Vestida com uma camiseta estampada com uma yorkshire que lembrava sua cachorrinha Vida, ela reuniu a imprensa em uma das salas de desfiles e durante cronometrados 20 minutos respondeu às perguntas dos jornalistas. Abaixo, as declarações de La Bündchen sobre:

A saída da ex-ministra Marina Silva da pasta do Meio Ambiente: “Li por cima sobre esse caso, não sei como as coisas aconteceram exatamente. Só fico triste porque ela me pareceu uma pessoa séria e o Brasil precisa de mais gente como ela”.

As críticas que a top tcheca Karolina Kurkova recebeu por estar fora de forma: “Não acho certo julgar ninguém e acho que ninguém tem esse direito. É isso o que tenho para dizer”.

Só namorar homens estrangeiros: “Não tenho absolutamente nada contra os homens brasileiros! Pelo contrário. Tenho o maior orgulho desse país”.

Dinheiro: “Invisto, sim, meu dinheiro no Brasil, pois só ouço elogios lá fora sobre a economia do nosso país”.

Futuro: “Não tenho a menor idéia de onde vou estar daqui cinco ou 10 anos. Nunca imaginei que estaria onde estou hoje. Então, não sei mesmo o que mais pode acontecer na minha vida. Só espero estar com saúde para aprender cada vez mais, que é  o que, na verdade, todos nós estamos fazendo aqui: aprendendo. Penso em montar, no futuro, um instituto para meninas, mas ainda não sei quando. Sei que quero fazer algo bem estruturado, que continue mesmo quando eu não estiver mais aqui. Então vou fazer com calma”.

Sumiço das passarelas: “Realmente não faço mais tantos desfiles. Foi uma fase da minha carreira que ficou para trás. Saí do circuito das passarelas em 2001 para fazer outras coisas. Encaro isso como uma graduação. Você começa fazendo desfiles e depois vai pegando outros trabalhos”.

Moda brasileira: “Cada vez mais vejo que o Brasil está se afirmando como mercado de moda diante do resto do mundo. É só ver os brasileiros que apresentam suas coleções na semana de moda de Nova York. Fico muito feliz em ver de perto esse movimento acontecendo”.

22.06.2008 Direto do túnel do tempo#Samuel Cirnansck faz verão para princesas#samu.jpg Não é novidade que as coleções de Samuel Cirnansck sempre chamam a atenção pela dramaticidade das peças. E nesta temporada não é diferente. O estilista trouxe o trabalho do pintor rococó francês Jean-Marc Nattier, nascido no século 18, para a passarela. O resultado são looks que podem vestir verdadeiras princesas – não à toa, a princesa Paola Maria de Bourbon Orleans e Bragança Sapieha fez parte do casting de modelos que desfilou.

Como você conheceu o trabalho de Jean-Marc Nattier?
Pinto desde menino e me interesso muito pela obra dos grandes pintores. Durante uma viagem de dois meses a Paris, conheci o trabalho dele em um château, adorei, e fui pesquisar. Descobri que ele foi o retratista mais querido pelas mulheres da época, pois transformava as imperfeições delas em traços lindos. Ninguém ficava feia em um retrato dele. Então escolhi me inspirar nessa idéia para fazer a coleção.

Como é essa mulher que você imaginou?
Ela é requintada, mas sem exageros. Usa acessórios poderosos, mas poucos, apenas na cabeça. Os vestidos cumprem essa função de deixá-las glamourosas. Aqui na passarela nós imitamos um jardim com cascalhos, por isso a primeira providência foi tirar o salto alto dos looks. É mais um detalhe que reforça esse conceito de requinte sem exagero.

Qual é a maior novidade da coleção?
Pela primeira vez usei um tecido que se chama cupro, feito de sementes do algodão, em um dos vestidos.

Onde você imagina suas criações sendo usadas?
Em châteaux, palácios ou jardins parisienses.

E aqui no Brasil?
Dentro de uma casa muito, muito incrível.

Patricia Moterani
22.06.2008 Vem chegando o verão#Simone Nunes desfila coleção inspirada na temporada de calor#nunes.jpg Simone Nunes começou desfilando no extinto Amni Hot Spot, evento para novos estilistas, e desde a temporada inverno 2007 mostra suas criações no SPFW. Nesta temporada, escolheu se inspirar no próprio verão, mais precisamente nas sensações que a praia provoca, para desenhar sua coleção.

Você gosta tanto assim do verão?
Gosto do estado de espírito da estação e ter me inspirado nisso tem muito a ver também com o meu estado de espírito. Minha filha, Olívia, nasceu há um mês. Estou me sentindo leve, plena. Esse desfile tem a intenção de ser refrescante e é dedicado a ela.

Tem algum look que é o seu preferido?
Gosto muito do look que tem a lagosta. Não é necessariamente o mais tropical deles, mas é o mais expressivo.

Está pensando em criar uma linha de moda praia?
Ainda não. Só fiz algumas peças inspiradas em biquínis e maiôs.

Qual é a sua praia?
Paúba, no litoral norte de São Paulo.

Patricia Moterani
22.06.2008 No embalo da Bossa#Paola Robba para Poko Pano comemora os 50 anos da Bossa Nova na passarela#paola.jpg

No ano em que se comemora o aniversário de 50 anos da Bossa Nova, a estilista Paola Robba traz o gênero musical para sua marca, a Paola Robba para Poko Pano.

Por que escolher Bossa Nova? É o seu período preferido da música brasileira?
A Bossa Nova é atemporal e foi isso que quis propor com essa coleção. O tempo passou, os ideais mudaram, mas as sensações que a música dessa época provocam ainda são as mesmas. Adoro o balanço do gênero. A escolha da Luiza Brunet também tem a ver com essa idéia. Ela é uma mulher que continua igual mesmo tantos anos depois.

Como isso se traduz na sua coleção?
Isso aparece nas modelagens retrô, que remetem ao passado, e nas estampas digitais que imitam madeira, a matéria-prima dos violões de onde saíram os acordes da Bossa Nova.

Qual é a praia ideal para a sua coleção?
É sem dúvida uma moda resort. Então, imagino essas criações em alguma lindíssima praia da Europa.

Patricia Moterani

22.06.2008 De Coney Island para o SPFW#Camila Cutolo fala sobre sua estréia no SPFW#maria_garcia.jpg

É a primeira vez que a Maria Garcia, segunda marca da Huis Clos, desfila na semana de moda paulista. A marca surgiu há sete anos e quem a comanda é a estilista Camila Cutolo, que escolheu Coney Island, uma ilha perto do Brooklyn, em Nova York, para fazer seu verão.
 
Você conhece Coney Island?
Não. A inspiração veio de uma música do Lou Reed que gosto muito, a Coney Island Baby, também trilha do desfile. Comecei a pesquisar sobre o lugar e me encantei com a história e com as pessoas que moram lá. É uma ilha de gente estranha, freak, mágica.

Como a história da ilha aparece na coleção?
O desfile começa com a parte lúdica e divertida da ilha em looks de tons pastel e com tecidos leves, como organza de algodão e viscose. Depois, falamos da praia e aí entram cores mais vivas, como o laranja e o turquesa, e estampas de barcos. O desfile termina mais pesado, sóbrio, com cores escuras, que representam essa fase indefinida da ilha. Ninguém sabe direito o que vai acontecer com o lugar... Ele está meio abandonado, sem rumo.

Ficou ansiosa com a estréia no SPFW?
Estava muito nervosa antes de tudo começar, com medo de não conseguir desenhar a coleção. Mas agora, depois do desfile, estou tranqüila.

Patricia Moterani

22.06.2008 Mix de referências#Gloria Coelho fala sobre o verão 2009 de sua marca#gloria.jpg Como de costume, Gloria Coelho juntou vários temas para montar seu verão. Muitos looks foram inspirados em cerimônias como casamentos, batismos, primeira comunhão e bar mitzvah, por exemplo. Sempre presentes, as golas elizabetanas também marcaram presença. “Sou muito fã da rainha Elizabeth I”, contou Gloria.

Qual foi sua inspiração para essa coleção?
Olhei para quatro coisas: para as cerimônias, para a cronologia, a tecnologia e a poesia. Para montar o desfile, imaginei um museu onde as obras estão expostas cronologicamente. Você começa vendo peças de 1100, depois 1200, 1300, assim por diante, até chegar aos anos 60, 70 e aos dias de hoje. Também estava com vontade de fazer smoking e isso acabou se tornando uma homenagem ao Yves Saint Laurent [o estilista, criador do smoking feminino, morreu no começo de junho].

Você declarou que a cada coleção fica dividida entre agradar as clientes e agradar a si mesma. Como é criar assim?
Às vezes tenho que colocar um botão em um vestido que não o teria porque elas pedem. A mesma coisa acontece com os comprimentos, às vezes eles têm de ser um pouco mais compridos do que tinha proposto antes. Mas não reclamo de jeito nenhum! Afinal, se não fossem elas, eu não existiria!

Está orgulhosa do Pedro?
Bastante. O fato de ele ter escolhido fazer esse exercício é muito bom para ele ir se formando, se soltando cada vez mais.

Patricia Moterani

22.06.2008 Menino prodígio#Pedro Lourenço elege o universo dos pássaros para fazer desfile#pl.jpg Pedro Lourenço tem moda no DNA. Filho dos estilistas Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho, ele fez sua estréia no mundo fashion com apenas 12 anos, desenhando uma coleção para a Carlota Joakina, segunda marca de sua mãe. Em seguida, criou a marca que leva seu nome e acaba de voltar com ela ao SPFW após temporadas fora (a última vez que pisou nas passarelas foi na edição do verão 2007). Depois de fazer um desfile-conceito inspirado no universo dos pássaros – “a anatomia do pássaro combina com a do corpo da mulher”, explicou ele –, Pedro falou com ELLE.

Essa coleção vai estar à venda?
Só sob encomenda. Não me preocupei com o lado comercial, essa coleção é um laboratório, totalmente experimental. Aproveitei para criar sem amarras. Quem não tem compromisso com vendas consegue ir mais fundo e, para mim, moda é isso, é arte.

O que você quis dizer com o desfile?
Uma das mensagens é essa questão ecologicamente correta. Não matei nenhum pássaro para fazer os looks. Usei materiais e tecidos ecologicamente corretos para fazer estampas que imitam penas. Ter essa consciência verde é uma marca da minha geração.

Por que você ficou dois anos fora das passarelas?
Não quero falar sobre isso. A imprensa distorceu muito o que aconteceu comigo durante esse período [foi dito que ele pensou em abandonar a carreira]. Então, não vou falar mais nada. Só posso dizer que fiz cursos de modelagem e de inglês fora do país.

Você voltou para ficar?
Também não quero falar sobre o meu futuro. Ainda não sei o que pode acontecer.

Patricia Moterani
21.06.2008 Geometria em alta#André Lima fala sobre a sua coleção geométrica#andre_lima.jpg

André Lima fala sobre a sua coleção com inspiração geométrica: 

Nesse desfile, você parece ter muitas inspirações...
Exatamente, as formas das borboletas foram referência, assim como a geometria, o filme Fome de Viver, com a Catherine Deneuve, e até o Batman.

Batman?
Sabe a máscara dele? Que tem uma espécie de orelha? Eu traduzi isso como o desejo da roupa de não acabar no corpo, ter pontas, ângulos, e ser mais estruturada.

Como você fez para deixar as peças assim?
Usei um plástico chamado crinol que deixa o tecido com qualquer forma que você possa imaginar.

E as estampas foram deixadas de lado?
Elas entraram de forma tímida na passarela, pois dessa vez queria mesmo brincar com formas não óbvias de mostrar a silhueta, sem ter que simplesmente seguir as formas do corpo.

E os seus famosos longos estampados, estarão na coleção?
Eles são o carro-chefe da marca, por isso sempre serão produzidos, mas na passarela não eram as minhas prioridades.

 Daniel Tavares

21.06.2008 Para todas#Wilson Ranieri conta sobre a sua coleção de verão#wilson.jpg O estilista Wilson Ranieri fala sobre a sua coleção de verão ultra feminina.

Quais eram os temas dessa coleção?
Não havia tema, eu tinha premissas: verão e mulher. E essas duas premissas me trouxeram diversas inspirações como leveza, feminilidade, e valorizar a silhueta feminina.

Você veste que mulher?
Eu acredito que minha marca está cada vez mais democrática e acessível para qualquer mulher, de qualquer idade e qualquer estilo.

E continuam os trabalhos com moulage, não?
Com certeza, essa é realmente a base do meu trabalho. A cada coleção, procuro me aperfeiçoar e acho que dessa vez consegui todos os meus objetivos. O que mais gosto é a mistura do evasê com as formas mais justas.

A alfaitaria aparece muito diferente dessa vez...
É verdade, tem isso sim. A alfaiataria pura cedeu lugar às dobraduras nos tecidos, toda feita em moulage, que trouxeram um efeito parecido com a da alfaiataria, mas muito mais bonito.

Daniel Tavares
21.06.2008 O mais querido#Ronaldo Fraga fala sobre moda como forma de protesto#ronaldo_fraga.jpg

Para Ronaldo Fraga, o São Francisco é o rio que mais encantamento desperta nos brasileiros. Este fato, somado à questão do transposição de suas águas, foi motivo mais do que suficiente para o estilista escolhê-lo como tema de sua nova coleção.

O tema da coleção é o Rio São Francisco. É um protesto? Você é contra a transposição do rio?
A minha coleção fala do rio e não apenas da questão da transposição. A história dele é muito bonita, com muitas lendas e cultura. Todo mundo tem carinho pelo São Francisco. Ele cruza muitas cidades e era como a avenida principal destes lugares, mas agora está se transformando em nada. Não é só um desastre ecológico, mas também cultural. O que está sendo gasto para a transposição salvaria o rio.

A moda é uma forma eficiente de protesto?
Tem muita gente que acha que se escolhe uma roupa apenas pela beleza, pela aparência. Eu não. Eu gosto da história por trás da roupa. Escolher uma roupa é uma escolha política, mostra a sua posição. De alguma maneira, sua mensagem chega a quem interessa.

Como o São Francisco foi representado nas peças e no desfile?
A abertura representou a nascente do rio. O bordado das peças, feitos em algodão sobre o desenho, dá um ar de tapeçaria, chamamos de Casca D' Anta. Na segunda parte, os bordados foram feitos por uma família de Pirapora (MG), onde o rio é cheio. Por isso, a exuberância, que vai sumindo para representar o rio morto.

Como foi feita a pesquisa sobre o rio?
Li muito e visitei os lugares. Não dá para falar sobre o São Francisco sem conhecer as famílias de lá.

Luciana Mattiussi

21.06.2008 Vôo alto#Pitty Taliani, da Amapô, conta como se inspirou na asa-delta para criar a sua coleção verão 2009#pitty.jpg

Pitty Taliani, da Amapô, conta como se inspirou na asa-delta para criar a sua coleção verão 2009.

O tema da coleção é a asa-delta. Como vocês chegaram nessa inspiração?
Eu e a Carolina estávamos assistindo ao filme Menino do Rio, que tem uma longa seqüência de asa-delta. Ficamos emocionadas com o vôo, com a paisagem, com as cores, e aí surgiu a idéia.

Na passarela, a cartela de cores era imensa, mas os looks são monocromáticos. Por que essa opção?
A marca é muito colorida e ama estampas. Geralmente, num mesmo look não tínhamos medo de misturar todas elas. Dessa vez, desdobramos as cores para que juntas elas formassem uma estampa viva. Ao final do desfile, com todos os modelos na passarela, essa idéia ficou bem clara.

Os volumes das roupas foram inspirados nos sacos onde os ‘pilotos’ de asa-delta ficam pendurados?
Com certeza. Por isso, fizemos muitos looks compridos e com mangas. Precisávamos de espaço para trabalhar com os volumes. Aliás, esses volumes deram um efeito de ‘amassadas’ para as peças, exatamente como esses ‘sacos’ de asa-delta.

Daniel Tavares

21.06.2008 Sonho de uma viagem de verão#Miguel Vieira transforma sonho em coleção#vierra.jpg Um fim de semana muito glamouroso entre amigos foi a inspiração de Miguel Vieira para desenvolver a sua coleção de verão.

Você disse que a inspiração para a coleção veio de um sonho. como foi isso?
Estava com um grupo de amigos e fomos passar um fim de semana na praia fantástico, cheio de glamour. Todo mundo se divertiu muito e as mulheres eram super sensuais.

Como você transportou este sonho para as peças?
O dourado representa a viagem de avião. O preto é a Limousine, o Rolls Royce que nos leva do aeroporto para o hotel, e o branco é justamente o hotel. No sonho, ele era claro, chic. Durante o dia, íamos para a praia, por isso as sungas e maiôs. À noite, muita festa. Daí, os vestidos com brilho. E tem também as bolsas e malas de viagem, claro.

Que tecidos você usou?
Principalmente as lãs frias virgens, que são extremamente finas. Os outros tecidos foram seda, organza e musseline. As folhas de ouro foram coladas uma a uma.

E a modelagem?
Como as mulheres no sonho eram muito sensuais, as roupas têm uma modelagem ampulheta. Ou seja, as peças têm formas que contornam o corpo.

Luciana Mattiussi
21.06.2008 Natureza moderna#Jefferson Kulig fala sobre a sua moda experimental #jeff.jpg

Jefferson Kulig fala sobre sua coleção de verão, em que não abandonou a pegada experimental mas abriu espaço para materiais orgânicos.

Você costuma trabalhar com tecidos extremamente tecnológicos, mas dessa vez deu mais espaço para o orgânico...
Pois é, cada vez mais eu percebo que é impossível separar as duas coisas. Hoje, é preciso usar todos os recursos da modernidade, mas sem esquecer de pensar na natureza. Nesta coleção, fiz questão de estampar em algumas peças imagens da floresta amazônica.

Suas peças chegam na loja quase sempre como você as apresenta na passarela. E os chapelões que você colocou neste desfile?
São peças feitas em PVC e tenho a intenção de falar sobre o aquecimento global e de como vamos precisar usar esse tipo de proteção contra os raios ultravioletas. Os chapéus são uma espécie de filtro para proteger nossa pele. Sobre vendê-los na loja, eles serão vendidos, mas vou diminuir o tamanho. Dessa vez, eu tenho de concordar que eles precisam de alguma adaptação para ter mais apelo comercial.

A assimetria é a grande estrela da coleção?
Com certeza, e dessa vez fui extremamente minimalista, com peças bem secas e com pouco volume de tecido para que as formas fiquem evidentes.

Você não se inspirou em temas e nem seguiu tendências. O que você acha da moda mais comercial?
Sinceramente, o que me interessa na moda é o experimental. A possibilidade de erro e acerto. Acho sem graça colocar na passarela roupas fáceis de consumir. Isso para mim é apenas consumismo e pretendo fugir disso com o meu trabalho.

Daniel Tavares

21.06.2008 O México é aqui#Isabela Capeto fala sobre o México#isa.jpg A cultura mexicana foi o ponto de partida para Isabela Capeto desenvolver sua nova coleção. Por isso, não faltaram peças com babados, estampas de azulejos, flores, cores fortes e muito dourado, que apareceu em moedas e dentes bordados ao lado de paetês de metal. Isabela falou com a gente sobre sua relação com o país.

Por que a México como tema?
É um país que gosto muito e que já visitei várias vezes. Tenho amigos lá e a cultura deles me encanta. O México é colorido, alegre e criativo. Sem contar que o artesanato é fantástico. Quis passar tudo isso para as peças.

Mas quais foram as suas maiores referências de lá?
Frida Kahlo, a “lucha libre”, os azulejos e as treliças usadas nas cestas e em outras peças de artesanatos. Eles estão presentes nas formas, nas cores e nas estampas.

Você gosta da moda mexicana?
Conheço um pouco, mas é uma moda muita legal. Eles são ousados, usam muito dourado, as mulheres são sensuais.

Luciana Mattiussi
20.06.2008 A Neon bem ilhada#Ilhas do mundo fazem o verão da Neon#rita_comparato.jpg Dudu Bertholini sempre rouba a cena nos desfiles da Neon. É um dos mais divertidos e excêntricos estilistas, daqueles que fazem pose para todas as fotos. No entanto, hoje foi Rita Comparato, a outra parte da Neon que fala menos, que atraiu todas as atenções no backstage do desfile ao responder a pergunta abaixo:

Quem é a mulher da Neon?
Ela é charmosa, elegante, sofisticada, melhora com o tempo e a cada temporada de moda. Eu sou sapatão e o Dudu é bicha. Então, nós gostamos mesmo é de mulher, de ser mulher, de imaginar uma mulher.

Vimos muitas estampas na passarela. É a aposta de vocês nessa coleção?
Isso reflete o momento comercial da marca, que é o melhor de todos os tempos. Temos dezenas de pessoas que sabem muito de estampa trabalhando com a gente. Só para essa coleção, são 15 estampas exclusivas.

E como foi chegar ao tema, “Mulheres da Ilha”?
Não poderíamos ter escolhido um tema melhor para criar em cima, ele cai como uma luva na identidade da Neon. Como não cansamos de repetir, não acreditamos em tendência e sim em uma identidade. Então, estamos sempre atrás do que combina direitinho com o DNA da nossa marca.

Patricia Moterani
20.06.2008 É errando que se aprende#Entre tentativas e erros, OESTUDIO volta ao SPFW#anne_gaul.jpg

OESTUDIO é uma marca carioca que não se dedica só à moda. É também uma empresa, formada por 24 pessoas, que faz filmes e cria cenários. Nesta temporada, eles voltam às passarelas do SPFW, depois de duas temporadas ausentes. ELLE conversou com Anne Gaul, a estilista do coletivo.

Por que dar o nome de “Tentativa e Erro” ao verão 2009?
Porque é assim que se dá todos os processos de criação, sejam de roupas, filmes, exposições. A gente quebra a cabeça e descarta o que não serve.

E vocês erraram muito até chegar a essa coleção?
Muito! O tempo inteiro, e vamos continuar errando.

Como é criar com tanta gente junto?
É ótimo. Cada um tem um olhar e uma experiência visual diferente. A gente vai pinçando o melhor de cada uma das idéias e montando o que tem a cara da OESTUDIO.

Patricia Moterani

20.06.2008 Areias do Mediterrâneo#Liana Thomaz fala do seu verão mediterrânico#liana.jpg

No verão passado, Liana Thomaz, da Água de Coco, foi ao Pantanal criar seu verão. Nesta temporada, a Água de Coco volta de uma viagem ao Mediterrâneo direto para as praias brasileiras.

Como é o verão 2009 da Água de Coco?
É inspirado no Mediterrâneo. Foi de lá que tiramos todas as referências para pensar essa coleção. As cores são fortes, tem muito a ver com o calor do verão.

E de que maneira ele aparece na coleção?
Principalmente nas estampas. Há muitas delas inspiradas em espécies típicas do lugar, como tartarugas, palmeiras, olivas e em barcos de pescadores. Também usamos muito linho e tons claros para chegar próximo ao trigo, um dos ingredientes mais usados na gastronomia deles.

Qual é a sua idéia de um verão perfeito?
Um biquíni e uma água de coco.

Patricia Moterani

20.06.2008 Conexão Portugal-Brasil#Anabela Baldaque faz verão leve e cheio de cores#anabela.jpg

Há dois verões a estilista portuguesa Anabela Baldaque faz parte do line-up do SPFW. “A moda aqui no Brasil é mais movimentada e dá mais visibilidade”, conta ela ao explicar por que desfila na semana de moda brasileira. Anabela é fã confessa do verão e pula sem medo as temporadas de inverno.

O que você mais gosta de moda de verão?
Gosto mais do verão porque as roupas podem ser soltas, leves e coloridas. É uma estação mais otimista, que tem muito a ver com a minha personalidade. Eu sou uma pessoa pra cima e tento levar isso para as minhas roupas. As mulheres que gostam do que faço têm personalidade positiva também.

O que a mulher brasileira tem de diferente da portuguesa?
As brasileiras são mais criativas quando o assunto é moda. Uma mesma peça aqui ganha mil e um jeitos de ser usada. Elas têm informação de moda, já a portuguesa é mais careta.

Patricia Moterani

20.06.2008 Guerra em tons de paz#Alexandre Herchcovitch e seu exército particular#herch.jpg

O front de guerra que Alexandre Herchcovitch imagina é diferente daquele cenário tradicional povoado de tons de verde e marrom militar. O estilista escolheu misturar as formas rígidas do uniforme de guerra dos soldados à leveza e feminilidade das lingeries para criar seu exército particular.

Como você define seu desfile feminino?
O desfile de hoje é uma continuação do desfile de ontem (Alexandre apresentou sua coleção masculina no terceiro dia de SPFW). Enquanto os homens entram na passarela falando sobre países e regiões que vivem em conflito, as mulheres falaram de paz, em como a guerra deveria ser combatida.

Tem alguma aposta especial da sua coleção para este verão?
Aqui na passarela mostrei 23 looks. São os que acho que melhor passam essa mensagem de guerra e paz, mas eles não são mais importantes do que o restante da coleção. Cada peça é especial e carrega uma proposta. Por isso não tenho um destaque só.

Quem é a mulher que veste Alexandre Herchcovitch?
Tenho as mais diversas clientes. A mulher que veste Herchcovitch é qualquer uma que queira vestir aquilo que crio.

Patricia Moterani

20.06.2008 Verdemania#Cavalera escolhe o verde para montar seu desfile#sommer.jpg

Depois de fazer um desfile-manifesto às margens do rio Tietê na temporada passada, a Cavalera resolveu trabalhar com o universo lúdico no verão 2009. “É um tema mais escapista, que nos permite criar coisas mágicas, exuberantes”, contou Marcelo Sommer, o responsável pela equipe de estilo da marca. A coleção é cheia de cores, uma das marcas registradas da Cavalera, mas foram os looks verdes que imperaram na passarela hoje.

Por que vocês escolheram o verde?
Já era um desejo antigo da Cavalera fazer um desfile de uma cor só, e o verde faz parte da história da marca, é uma cor street wear, além de ter tudo a ver com o momento de agora, que grita por sustentabilidade.

Então esse desfile tem a mesma mensagem do anterior?
Sim, é um desdobramento do desfile anterior. A Cavalera sempre vai chamar atenção para esse tema. O rio Tietê poderia ser verde, por exemplo, e não cinza.

Patricia Moterani

20.06.2008 Porcelana chic#Reinaldo Lourenço emociona a platéia com um desfile inspirado em porcelanas#entrevista_reinaldo.jpg

Reinaldo Lourenço detalhou, em entrevista à ELLE, as técnicas e inspirações de sua coleção de verão.

Como foi a execução de cada vestido?
Eles são feitos de tiras de seda entrelaçadas, como na técnica de cestaria. Muitas das minhas costureiras estão acostumadas com isso, já que são de Recife e da Bahia. Mesmo assim, foram necessários 10, 12 dias para confeccioná-los. E tudo feito sem costura, no corpo da modelo.

É difícil transportar o universo das porcelanas para as roupas? Como você conseguiu fazer isso?
Pensei em taças e vasos e criei silhuetas mais alongadas, tipo tubo. Como essas porcelanas normalmente têm friso de ouro, usei lamê de seda dourado em detalhes e vestidos.

Depois do longuete, em qual comprimento você aposta para o verão?
Nos longos. Nunca fiz muito, mas, desta vez, estou apostando.

Renata Piza

19.06.2008 Mulher Maravilha#Animale aposta num artesanal high-tech#claudia_jatahy.jpg

“Uma mulher que vive na cidade, está sempre preparada para enfrentar os percalços do dia-a-dia, mas que não abre mão de ser feminina”. É assim que Claudia Jatahy descreve a mulher Animale. Depois de uma temporada de cores sóbrias (a do inverno 2008), o verão vem recheado de referências étnicas.

Como é essa mistura de estilos numa mesma peça?
Escolhi trabalhar com tecidos tecnológicos, como o látex, para marcar essa postura forte, blindada, da mulher que briga pelo que quer. Ao mesmo tempo, optei por um acabamento artesanal, algo que não usava há muito tempo nas minhas coleções, para dar o toque delicado. Esse mix entre o rústico e o high-tech é o forte do verão da Animale.

O que você destaca nessa coleção?
A marchetaria, técnica que usei para colar pequenos pedaços de madeira nas peças e nos acessórios feitos em couro.

Patricia Moterani

19.06.2008 Dupla imbatível#Clô Orozco fala sobre sua relação com Sara Kawaski#clo.jpg Clô Orozco passou o bastão da criação da Huis Clos para Sara Kawaski, sua ex-assistente e hoje responsável pelo estilo da marca, no verão passado. Nesta coleção, ficou claro o olhar de Sara: a Huis Clos, conhecida pelo estilo minimalista que aposta em tecidos nobres, como organza e cetim de seda, colocou jeans na passarela. “A idéia foi dela e eu achei ótimo”, conta Clô.

A Huis Clos vai incorporar de vez o jeans?
Não necessariamente. O fato de termos colocado jeans nessa coleção não quer dizer que vamos apostar nele daqui pra frente. O que aconteceu foi que como nosso verão é muito leve, suave, ela achou que o jeans poderia trazer um pouco mais de peso. Eu gostei da sugestão e resolvi usar. O jeans dá uma renovada, tem um ar jovem.

Como é a sua relação com a Sara?
Ela é a estilista da marca hoje. Então, dou toda a liberdade tanto para ela quanto para a Camila (Cutolo, que toca a Maria Garcia, segunda marca da Huis Clos). Elas têm as idéias e todas nós discutimos juntas.

Patricia Moterani
19.06.2008 Lounges de grife#Marcelo Rosenbaun fala sobre seus lounges#entrevista_rosenbaum.jpg

O arquiteto e designer Marcelo Rosenbaun dominou a Bienal. Bom, pelo menos quando o assunto são os lounges. Ele e sua equipe assinam quatro espaços, todos extremamente criativos, que inspiram uma visita. Nos corredores da Bienal, aproveitamos para conversar com o arquiteto mais querido dos fashionistas.

Quanto tempo leva para produzir um lounge?
Esse tipo de trabalho tem que ser rápido.Entre a idéia e o lugar pronto, temos no máximo um mês.

Só isso?
Pois é, e na Bienal temos apenas quatro dias para montar cada um.

Conta pra gente sobre os seus espaços aqui...
Para a Melissa, criei uma espécie de Tóquio, com sandálias em esteiras que lembram estradas, tudo muito tecnológico, colorido. Esse mundo oriental tem a ver com a nova coleção e campanha da marca.

E a casa da WGSN?
Como a empresa é um site de tendências gerais, de moda, passando pelo comportamento e até decoração, fiquei de olho em coisas que estão ‘in’ no momento. E as coisas mais quentes são chamadas de ‘nice’. E isso quer dizer: ser fofo, valorizar a memória, a simplicidade, e principalmente a informalidade. Daí veio a idéia de criar um lounge-casa, onde as pessoas se sentem à vontade, como se não fossem visitas. Colocamos cozinha, cama, as pessoas podem usar a pia, tem forno à lenha que remete ao passado.

No espaço da Fiat você colocou dois carros gigantes pregados na parede, como foi isso?
Isso tem muito a ver com meu trabalho, colocar as coisas em lugares inusitados. Os carros viraram grandes brinquedos gigantes, com pintura de mangá e tudo. A inspiração era o Japão e como o Punto é um carro que flerta com a moda, escolhi os quadrinhos japoneses, que são super fashion e divertidos.

Qual é a receita de sucesso de um lounge?
Para mim, ele tem que conseguir tirar as pessoas da Bienal e levá-las para a viagem proposta por cada empresa. E, claro, deve inspirar desejos.

Agora, um pouquinho de moda. Qual é o seu uniforme para o próximo verão?
Eu nem me lembro mais de um verão em que eu não estivesse trabalhando, então, durante as altas temperaturas eu estou com o meu uniforme de sempre: jeans, camiseta e um tênis All Star nos pés. 

Daniel Tavares

19.06.2008 O Rio da Blue Man#Blue Man troca Rio por SP#entrevista_home.jpg

A Blue Man, figurinha carimbada no Fashion Rio, trocou a passarela carioca pela paulista e desfila por aqui uma coleção inspirada num Rio de Janeiro ideal. “Imaginamos uma cidade perfeita, urbana, poética e ao mesmo tempo caótica para montar essa coleção”, contou David Azulay estilista da marca. “Isso me deu liberdade e chance de criar coisas lindas”.

Por que trocar o Rio por São Paulo?
Acho que precisávamos dar essa reanimada, pois desfilamos há tempos no Rio. É saudável fazer essa troca. E também tem esse lance de que é aqui em São Paulo que as coisas acontecem, o burburinho todo da moda está aqui.

Você já declarou que acha bonito o efeito que maiôs e biquínis de modelagem maior, típicos para usar longe do sol, causam na passarela. Fez alguma peça desse jeito para o desfile?
Não. Isso vai contra a cara da Blue Man. Nós fazemos moda praia para usar sem medo sob o sol. Na verdade, até temos alguns modelos mais comportados do que o cortininha para usar no iate, por exemplo, mas que ainda assim são feitos para uma mulher que gosta de mostrar o corpão. Já fui muito criticado pela imprensa por não seguir essa linha, mas não quero criar para receber elogios e depois morrer na praia.

Qual é a sua maior aposta dessa coleção?
São as estampas. Comprei uma máquina de estamparia digital e estou encantado com ela. O que antes era caro e difícil, hoje não leva mais do que 60 minutos para fazer. Com isso, consegui misturar três estampas em um mesmo biquíni.

Patricia Moterani

19.06.2008 Mistura que dá liga#O verão da Cori vem do México#comparato.jpg O verão 2009 da Cori é a segunda coleção da marca criada por Rita Comparato e Dudu Bertholini, os estilistas da Neon. A mistura entre a exuberância da Neon + a classe da Cori tem dado certo e a dupla acaba de fazer mais um bem-sucedido desfile, inspirado na cultura mexicana.

Qual é a relação de vocês com o México?
A nossa relação, na verdade, é com o étnico. A Neon tem muito disso. E o México era um desejo antigo nosso, já figurava na listinha de referências. Quando fechamos que esse seria o tema, embarcamos para lá e pesquisamos muito sobre a tapeçaria e o artesanato deles.

Como foi criar essa segunda coleção, mais fácil que a primeira?
É difícil avaliar se foi mais fácil, se ficou melhor. O que mudou de lá pra cá, sem dúvida, é o fato de que quanto mais o tempo passa, melhor entendemos o DNA da mulher que veste Cori.

E o que a Cori tem da Neon?
Ambas têm o gosto pela mulher madura, sofisticada e não pela lolita.

Patricia Moterani
19.06.2008 Fashion Raí#Raí fala de moda e explica como conseguiu se tornar o jogador mais elegante do Brasil#rai.jpg O jogador sempre chama a atenção por onde quer que passe. Foi assim durante os anos em que jogou pelo São Paulo, pelo Paris Saint Germain e pela Seleção Brasileira – e continua igual mesmo agora, que ele se aposentou do futebol. Aqui na Bienal, não poderia ser diferente. O ex-jogador arrancou suspiros das moças pelos corredores. Em visita ao lounge da Tok & Stok, ele conversou com Elle e surpreendeu quando o assunto foi moda.

Qual a importância da moda para você?
Adoro acompanhar os desfiles. Eu os vejo como uma expressão artística. Os estilistas são artistas que passam sua mensagem pela roupa. Daí, a importância da moda. Mas nem tudo que é lançado é bonito ou me agrada. Então, como todo mundo, absorvo o que gosto e vejo o que cai bem em mim.

Quais seus estilistas favoritos?
Aqui no Brasil, gosto muito do Alexandre Herchcovitch e do Ronaldo Fraga. Lá fora, do Christian Lacroix.

Como o fato de você ter morado em Paris influenciou seu gosto pela moda?
Passei a gostar e a acompanhar muita mais moda quando estava lá. Na França, a cultura da moda é importantíssima, faz parte do dia-a-dia das pessoas. Tem o mesmo peso que arte e gastronomia. Aqui no Brasil ainda não se dá tanto valor, mas tudo indica que vamos chegar lá.

Quando jogava futebol, antes mesmo de ir para o Paris Saint Germain, você já era considerado não apenas um homem elegante, mas também um jogador elegante. Como você conseguia manter a elegância correndo 90 minutos?
Acho que tive sorte pela minha postura, é natural. Pois com 1,90 m de altura e jogando futebol, ou você é totalmente desengonçado ou elegante. Não tem meio-termo. Eu acabei me encaixando no segundo grupo, o que foi uma vantagem. As jogadas também pareciam mais bonitas, mais elegantes, por isso as pessoas comentavam.

Luciana Mattiussi


19.06.2008 A literatura da Maria Bonita#O regionalismo marca o verão da Maria Bonita#daniele_jessen.jpg Danielle Jensen começou na Maria Bonita como assistente de Maria Cândido Sarmento, estilista e fundadora da marca, e desde 2002 comanda sozinha o estilo da marca. Como pupila fiel, segue à risca o que aprendeu e reforça a cada temporada a essência da Maria Bonita: moda para mulheres reais, que sabem o que querem. Na edição passada, desconstruiu o cardigã. Nesta, trouxe o Nordeste para a passarela.

Como você chegou a esse tema?
Não gosto muito de usar a palavra tema, porque dá uma sensação de limitação. Prefiro dizer que escolhi algo de que gosto muito para pesquisar a fundo e montar uma idéia. Optei pelo regionalismo depois que fiz uma viagem para o Nordeste. Me encantei com o lugar, com as pessoas e aí começou a nascer essa coleção. Também tem a ver com a própria história da Maria Bonita, pois a Maria Cândida nasceu em Maceió.

Há clássicos na literatura que descrevem bem o Nordeste. Você chegou a consultar ou ler algum deles para a coleção?
Já tinha lido muito Jorge Amado, Gilberto Freyre e Tereza Batista. Isso sem dúvida ajudou a construir o meu imaginário. Acho que todo mundo que se interessa pelo Nordeste deve ler esses autores.

Patricia Moterani
18.06.2008 O lado B da Triton#A estilista Karen Fuke fala sobre a Triton Karen Fuke, a estilista da Triton, já trabalha há dez anos com Tufi Duek (o dono da marca) e comanda sozinha há três temporadas as coleções da irmã mais velha da Forum. Mas ainda morre de vergonha de dar entrevistas e confessa estar se soltando aos poucos. Enquanto falava com ELLE, logo após o desfile, era possível escutar o super despachado Tufi dizendo: “olha lá, ela aprendeu direitinho, está dando até entrevistas”.

Você fica muito nervosa no dia do desfile?
Fico muito tensa, não durmo direito nas noites antes do grande dia, mas é toda essa ansiedade que me move. Adoro ver minhas peças ficando prontas e do jeito que pensei. Sobre dar entrevistas, confesso que ainda estou me acostumando. Essa foi uma das únicas coisas que ainda não aprendi com o Tufi. Enquanto ele fala muito, adora ter gente em volta, eu ainda estou me soltando...

Está satisfeita com o resultado?
Bastante. Acho que a coleção que mostrei cumpriu exatamente o que eu queria: provocar desejo nas meninas. Todo mundo que vê a Triton como uma marca jovem, despojada, não espera que ela seja muito sensual. Então, aqui na passarela, aproveito para deixar as cinturas bem marcadas, tudo muito feminino e sexy.
18.06.2008 Fause Haten é agora FH#Fause Haten apresenta nova marca no SPFW Os saldos das fusões que causaram frisson na última temporada começam a aparecer: depois da Zoomp, que foi vendida para a holding I’M – Identidade Moda, ter cancelado seu desfile no SPFW às vésperas do início da semana de moda, é a vez de Fause Haten anunciar que se desligou da marca que leva seu nome, também vendida para a I’M. Ele deveria ter continuado no comando criativo da marca, mas entregou ontem sua carta de demissão. No desfile de hoje, o estilista apresenta a FH, criada em apenas um mês e meio. “A negociação não deu certo e resolvi seguir em frente com o que me restou, a minha criatividade”, diz Fause.

Essa nova marca tem a ver com a Fause Haten?
A FH tem a minha cabeça e a minha mão, mas é melhor que a Fause Haten. Continuo usando os tecidos que adoro, como seda pura e tafetá, mas ela tem um acabamento mais luxuoso e tem mais requinte. Quis fazer ainda melhor dessa vez. A primeira coleção da marca vem inspirada nos clássicos da moda, como o tweed da Chanel e o new look de Dior.

E onde poderemos encontrar as peças?
Aluguei um espaço em Pinheiros, São Paulo, onde produzi essa coleção e lá está aberto, nesse primeiro momento, apenas para venda por atacado. Então, a FH será vendida em multimarcas [a loja que o estilista tinha na Oscar Freire também não é mais dele]. Ainda não posso divulgar o endereço para o público, mas o atendimento será feito com hora marcada porque quero que minhas clientes se aproximem bastante da marca. Lá, elas vão poder ver as peças em processo de produção, por exemplo.

Patricia Moterani
18.06.2008 Reaproveitamento fashion#Raquel Davidowicz reaproveita materiais na coleção de verão À frente da Uma, Raquel Davidowicz criou uma marca urbana, que agrada mulheres fãs de recortes esportivos e modelagens ajustadas. Diz que sempre olha para as tendências que estão surgindo por aí na hora de pensar uma coleção, mas prefere focar na identidade de sua marca para criar. “Assim consigo atingir uma mulher de atitude, que gosta mais de uma peça personalizada do que de uma tendência”, explica. Neste verão, escolheu um verbo de ordem: reaproveitar.

Como surgiu essa idéia?
Nós mudamos o escritório da marca de endereço neste semestre e no meio da mudança achei uma caixa com borrachas que usei para criar os cintos da coleção de inverno 2003. Achei que seria um desperdício me desfazer de tudo isso e resolvi reaproveitar. Comecei a fazer alguns testes nas roupas e gostei. Decidi basear minha coleção nisso.

Então todos os tecidos de agora foram reaproveitados?
Não, só a borracha. A idéia de reaproveitar aparece também em um dos meus vestidos, um branco, que foi feito com sobras de algodão encerado. Sabe quando a gente modela uma peça e na hora do corte sobram aquelas pontas do tecido? Usei isso para montar uma peça nova.

No desfile, você aposta no laranja, no verde e no azul-rRoyal. São essas as únicas cores da coleção?
Não. Foram essas as cores que escolhi para dar um efeito forte na passarela. Mas quem for à minha loja quando a coleção estiver por lá vai encontrar tons de rosa, amarelo e degradês de azul, os meus preferidos.

Patricia Moterani

18.06.2008 À moda da selva#Tininha da Fonte cria mulheres selvagens Na temporada passada de verão, as criações da Movimento vieram pontuadas por referências do esporte e do closet masculino. Agora, Tininha da Fonte resolveu focar na mulher e eis que nasce uma imagem forte, de uma guerreira, que tem tudo a ver com o tema-chave da coleção: a selva.

Como surgiu a idéia de trazer o lado selvagem da natureza para a passarela?
Três temporadas atrás eu fiz um desfile inspirado no lado mais, digamos, doce, calmo da natureza. Fiz muitas estampas florais e usei cores ácidas. Dessa vez, estava com uma idéia fixa na cabeça, a de mostrar uma mulher forte, com uma imagem de batalhadora que ao mesmo tempo não deixa a delicadeza de lado. E aí entram os bordados e drapeados misturados a estampas camufladas, que imitam peles de animais e folhas.

É uma mulher que batalha pelo que quer?
Exatamente. Quis bater nessa tecla, de que é possível brigar pelo que você quer, inclusive pela natureza, sem deixar de ser feminina. Todo o cenário do meu desfile é feito de produtos ecologicamente corretos.

Qual é a primeira coisa que vem a sua cabeça quando pensa em moda?
Não sei te dizer uma só palavra que defina isso. Moda para mim é meu estilo de vida... É meu dia-a-dia desde sempre. Comecei pequenininha indo a desfiles de moda, me formei em design, morro de amores por estampas e sempre consumi moda praia. Foi absolutamente natural passar da minha primeira loja, voltada para dança [Tininha é bailarina de formação], à Movimento.

Patrícia Moterani
18.06.2008 Nenhuma marca pequena sobreviverá#Em entrevista à ELLE, Nelson Alvarenga afirma que nenhuma marca pequena sobreviverá Com um tino enorme para os negócios, Nelson Alvarenga é um dos pioneiros da moda brasileira – está aí, vendendo os jeans da Ellus, desde os anos 1970. Em 2007, ele se uniu ao banco Pactual e formou a Inbrands, grupo de moda que pretende profissionalizar o setor. Logo, anunciou a compra da Isabela Capeto. Agora, está em negociação com Alexandre Herchcovitch, logo após a saída do estilista de outro grupo, o Identidade Moda.

Como estão as negociações com o Herchcovitch?
Tudo está praticamente fechado, mas só vamos bater o martelo e divulgar a compra oficialmente quando não existir mais nenhum pormenor. É como um casamento, até o último minuto alguém pode desistir... O que posso dizer é que sempre tivemos interesse na marca e, quando vimos a oportunidade, agimos.

Existe intenção de comprar outras marcas? Onde vocês querem chegar?
Não temos nenhum número definido, mas queremos formar um grupo grande e sólido, que traga competitividade à moda brasileira e que nos dê a chance de brigar lá fora. Hoje, um jeans da Ellus tem o mesmo preço de um jeans da Califórnia – por que vão querer comprar o nosso? Temos de ter estrutura, logística e preços bons, o que só grupos fortes conseguem. Aí, poderemos nos empenhar em divulgar a marca no exterior e pensar em lojas ou desfiles. Esse esquema de marquinhas pequenas não funciona mais.

Qual a previsão de faturamento da Inbrands?
Um bilhão até o ano que vem.

De dólares?
Não de reais mesmo, somos humildes (risos)...

Renata Piza


17.06.2008 Fantasia de moda#Uma pergunta para Marcelo Sommer

Marcelo Sommer é, definitivamente, um dos mais divertidos estilistas brasileiros. No comando de sua marca, a Do Estilista, encerrou o primeiro dia de desfiles da 25ª edição do SPFW com uma apresentação inusitada e concorrida no MAM, fora do prédio da Bienal. Sommer falou rapidamente com ELLE assim que saiu da passarela.

A melhor palavra que define seu desfile é fantasia. Foi isso mesmo que quis fazer?
Fiz um desfile de moda e não de roupa. São duas coisas diferentes e mente quem diz que não faz essa separação. A passarela é o espaço ideal para ousar e foi isso que escolhi fazer.

17.06.2008 Múltipla escolha#Bonecas inspiram Fábia Bercsek

Quem esperava mais um show ao vivo da estilista-cantora Fábia Bercsek ficou apenas na vontade. Depois de soltar a voz – e fazer sucesso interpretando clássicos do rock como Led Zeppelin e Iron Maiden – em seu último desfile, no inverno 2008, a estilista confessa que anda mais intimista e que, por isso, não chegou nem a pensar em empunhar um microfone. Do universo do rock, saltou para a idéia de romantismo e a liberdade que as bonecas trazem. Em meio aos looks montados no backstage e prontos para entrar na passarela, Fábia Bercsek falou sobre seu verão.

Qual foi a primeira coisa que te veio à cabeça quando começou a pensar nessa coleção?
Estava pesquisando referências e me deparei com as bonecas. Elas são a perfeita tradução da minha idéia de liberdade criativa. Você pode montar uma boneca do jeito que quiser, trocar a roupa, mexer no cabelo etc. É isso que quis com a minha coleção. Dar todas as opções para a mulher montar seu guarda-roupa. Por isso, fiz desde peças de alfaiataria a vestidos de festa. Quero que qualquer pessoa que entre na minha loja consiga achar o que procura.

Então você pensou no lado comercial?
Não necessariamente. Aqui na passarela, por exemplo, fiz questão de trazer coisas mais conceituais, que mostram que moda é arte, é criação, é liberdade. A moda precisa dessa coisa autoral. O que você vai encontrar na minha loja tem cortes e modelagens um pouco diferentes, mas carregam a mesma força de expressão da passarela. Sobre fazer um guarda-roupa completo, já faz um tempo que ando com essa vontade de atender a todas.

Você falou que anda mais intimista. Mudou alguma coisa no processo de criação desse verão?
Não sei te dizer exatamente por que, mas fiquei com vontade de ficar mais perto das minhas peças, de me envolver mais, olhar bem cada costura e cada modelagem. Tanto que fiz vestidos usando moulage, por exemplo, que exige bastante dedicação. Com essa proximidade, acabei descobrindo construções mais rígidas, mais estruturadas. Uso chiffon, que tem uma leveza, mas o resultado final é mais firme e com menos balanço.

Patricia Moterani

17.06.2008 Rally de passarela#Tufi Duek pega carona nas motos para fazer o verão da Forum

Essa foi a primeira coleção que Tufi Duek fez longe do business. Depois de vender suas marcas para o grupo AMC Têxtil, o estilista se viu completamente livre das amarras da gestão e mergulhou fundo na criação. Isso se traduziu em um universo completamente outdoor – diferentemente de sua coleção passada, em que o Tufi andava intimista e fez o desfile em sua própria casa. Passada a tensão (ele confessa ficar super nervoso mesmo já tendo colocado uma porção de coleções nas passarelas), o estilista conversou com ELLE.

Por que voltar às passarelas da Bienal? Já passou seu momento mais introspectivo?
Cá entre nós, minha casa ficou quase destruída (risos). Mas não foi isso que me fez voltar. Estou me sentindo mais aberto de novo e com vontade de fazer uma coisa mais outdoor mesmo. Ter me inspirado nos motoqueiros do Rally dos Sertões tem muito a ver com esse espírito.

Como é poder só criar depois de tantos anos?
É maravilhoso! Ainda estou naquele processo de passar o DNA da Forum aos novos gestores da marca, mas isso exige bem menos de mim do que gerir, pensar em funcionários, em contas a pagar etc. Pude usar esse espaço que ficou livre na minha cabeça para apenas pensar na criação.

Se sente aliviado depois de mais um desfile?
Sim, deu tudo certo, e isso é ótimo. Mas sempre que acaba fico morrendo de vontade de começar de novo. A adrenalina que você sente antes de cada desfile é muito grande, muito boa, vicia!

Patricia Moterani

17.06.2008 Around the world#2nd Floor dá a volta ao mundo para fazer a sua coleção

A moda da 2nd Floor ultrapassou todas as fronteiras – literalmente. De olho na vontade que os jovens têm de ganhar o mundo, Rita Wainer montou uma equipe de 35 pessoas para bolar essa coleção de verão e mandou todo mundo viajar por aí para trazer o melhor de cada lugar para a passarela paulista. O resultado não poderia ser diferente: o verão 2009 da marca vem recheado de misturas de tecidos (como seda e malha), cores (laranja, vermelho e azul) e técnicas de acabamento. No backstage, ainda dava para ver um vestido em fase final de produção, com uma das costureiras bordando a peça. Assim que acabou de fazer o ensaio final do desfile, Rita conversou com ELLE.

De todos esses países, qual marcou mais a coleção?
Na verdade, não foi um país, foi a América Latina inteira. Todos os acessórios foram inspirados nesse continente. Eles são estampados, com muitos bordados e coloridos, a marca da diversidade latina.

Como foi coordenar ao mesmo tempo essa equipe solta pelo mundo, a sua marca Rita Wainer e a Theodora?
Não faço a menor idéia de como consegui fazer tudo isso! Só sei que deu certo, pelo menos parece, e estou muito feliz por tudo ter ficado pronto do jeito que pensei. Aliás, ainda tem um vestido, todo bordado a mão, ficando pronto. É assim, uma correria só.

Mas você já está com aquela sensação de dever cumprido?
Estou é com vontade de sair viajando, isso sim! Essa é a mensagem da coleção: mostrar um mundo sem fronteiras, mas que esteja ao seu alcance.

Patricia Moterani

17.06.2008 I´m a plastic bag, sim!#O plástico é tema da coleção de verão da Osklen Todo mundo sabe que Oskar Metsavaht, da Osklen, é o estilista mais ligado às questões ecológicas da moda. Com a consciência de quem carrega a expressão “guardião das florestas” no sobrenome, foi um dos primeiros a colocar a natureza em pauta no mundo fashion. Então, ele deveria estar feliz com a onda verde que arrebatou a moda de algumas temporadas pra cá. Mas, minutos antes de colocar na passarela mais uma coleção, ele dispara: “Não gosto desse papo de i’m a not a plastic bag. I’m a plastic bag, sim! Acho errado esse movimento que quer abolir o plástico. O certo é educar as pessoas, que simplesmente não sabem o que fazer com ele e muito menos onde jogá-lo”, diz. Prova de que Oskar apóia uma plastic bag é a sua coleção verão 2009, que sai de um mergulho no plástico reciclável direto para a passarela da semana de moda paulista. Confira o que o estilista contou a ELLE no backstage:

Não é novidade que suas inspirações vêm da natureza. Neste verão, você escolheu algum elemento em especial?
Sim, escolhi a chuva. Todo mundo acha que o verão para ser delícia precisa de sol a pino, mas eu acho o máximo o frescor da chuva. É lindo ver aquela água caindo torrencialmente. As cores que aparecem são sempre as mais bonitas. Escolhi o verde tropical para ser a base das criações. Vai parecer que nos inspiramos no oriente por causa da silhueta que vem solta, mas isso foi apenas o resultado de uma busca pelo conforto.

Essa é a sua palavra de ordem para o verão?
É conforto e simplicidade, sempre. Essa é a marca da Osklen. Não quero sentir o arder do sol no verão, mas sim o quanto a chuva é refrescante.

E o plástico, onde entra nessa história?
O plástico que uso nas roupas é reciclável e fruto de muita pesquisa em tecidos. Ele dá um efeito maravilhoso na passarela. Conforme as modelos forem entrando, vai acontecer aquilo que quero: algo parecido com a chuva caindo. Esse é o grande barato de fazer um desfile: poder ver aquilo que você imaginou se transformando em realidade. É mágico!

O que você acha de todo esse burburinho causado pela venda das marcas a holdings? Pensa em vender a Osklen?
Acho que há um deslumbre muito grande e pouca consistência nisso tudo. Talvez as marcas antigas tenham se aproveitado desse boom para ressurgirem. Na verdade, isso tudo para mim é muito cru aqui no Brasil e não penso em colocar a Osklen nessa roda tão cedo. Se isso acontecer, vai ser sob uma única e importantíssima condição: não abro mão de ser o criador, da minha liberdade criativa e do meu estilo de vida que deu vida à Osklen.

Patricia Moterani

17.06.2008 É couro novo de novo#Patrícia Viera mostra o frescor do couro A gente sempre sabe o que esperar de Patrícia Viera. A estilista é fã confessa do couro e usa o material em todas as suas coleções. No entanto, ela sabe que o risco de cair na mesmice existe e, por isso, vive querendo reinventá-lo. Depois de três anos, ela conseguiu bolar um mosaico usando o material. “Graças a um silicone italiano”, comemora. No basckstage, Patrícia conversou com ELLE.

Sente medo nesses minutinhos antes da passarela?
Sinto, sempre, e olha que já estou no meu nono desfile. A expectativa é grande porque são 12 minutos que resumem o trabalho de meses de toda uma equipe. Sempre fico ansiosa para saber o que todo mundo vai achar.

Quando pensa em moda, qual é a primeira coisa que vem à cabeça?
Andrea Dellal, minha irmã, é minha referência máxima de estilo. Sempre penso no que ficaria bom nela quando estou criando.

Além desse mosaico, o que mais de diferente você fez com o couro para essa coleção?
Antes, eu tingia o couro primeiro e depois o usava nas peças. Dessa vez, escolhi modelar primeiro as peças no couro cru para só depois jogá-las na tinta. O resultado é melhor. Dá um toque diferente, fica mais macio.
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