Geometria (nada) básica
Pense na construção de uma pipa. Ou de um balão. O verão de Lino Villaventura é pautado por formas geométricas, muito patchwork e cores primárias, que deixam tudo com um ar lúdico, quase infantil. A base dos vestidos é feita pedaço a pedaço – um quadrado de tecido + um círculo + um retângulo. Tudo depois ganha aspecto retorcido graças ao trabalho de nervuras (especialidade de Lino, aliás), com linhas matizadas, que faz o tecido (todos nobres: tafetá, seda, tule, palha indiana, crepe chanel) lembrar papel machê. Desses coloridos. Desses de pipa mesmo. Como pouco detalhe é bobagem (tratando-se de Lino), as peças ficam ainda mais ricas: crochês, bordados, cristais Swarovski bordados a mão. As estampas são envelhecidas para conquistar aspecto de velhinhas, desgastadas pelo tempo e, algumas peças, têm ar oriental, com mangas arredondadas. Para completar, leggings de tule irisado com aramados circulares nos joelhos, os mesmos usados nos olhos, que criaram um efeito meio robô, meio faz de conta. Mas esse é um robô romântico, sentimental, poético. Um belo fecho para essa semana de moda.
Renata Piza