O quinto dia de SPFW passou bem devagar, com uma chuva preguiçosa que parecia nos suplicar para ir para casa ver os desfiles pela internet, debaixo de cobertas macias e comendo chocolate. Mas não. Resistimos. E quando o relógio estava prestes a transformar carruagens em abóboras, a coisa começou a esquentar. A
Amapô mostrou uma coleção de lisos e coloridos bem interessante (e mais sofisticada). Muito diferente da moda que vimos na última estação: um tanto confusa, mas que muitos "modernos" adoraram. É o que chamamos de maturidade fashion - roupa bonita, bem feita, que dá vontade de usar. Mais tarde, veio a hora da revanche. Explico: depois de dias de desfiles de moda praia feminina, em que deusas de corpos mais que perfeitos (e magros) desafiaram nosso senso de realidade, a
Rosa Chá trouxe para a passarela sua coleção de beldades masculinas, com suas sungas revelando corpos saradíssimos. Como acabei de ver
Sex and The City, o filme, me pus a imaginar como seria a reação das Samanthas ali presentes. Ops, de volta à terra, vale dizer que estávamos com saudades de ver o estilista Amir Slama por essas passarelas. Tomara que seja um presságio de que em breve voltaremos a ter seus biquínis (e mais deusas de corpos perfeitos e magros) de volta ao SPFW. No final do dia,
André Lima deu um show visual. De fato, não sei quem vai usar aquelas roupas com mil dobraduras, pontas e construções assimétricas, mas gostei de ver a ousadia. Tinha exagero, mas também tinha bom gosto no que vimos ali. E, principalmente, uma proposta de moda, com novas formas, ombros rígidos, laços pontiagudos. Enfim, um sopro de vida na mesmice nossa de cada dia.
Susana Barbosa