Quem viver verá
Pedro Lourenço sempre provoca um rebuliço entre os fashionistas. Nesse domingo, penúltimo dia de Fashion Week, ele nos tirou da cama cedo. Jornalistas, clientes, compradores estávamos todos já maquiados e em cima de saltos excruciantes para ver suas 15 modelos na passarela. Era um exercício estético, avisava o release. E valeu a pena. Pedro experimentou tecidos nobres – gazar, organza e seda – casados com o esportivo neoprene. Abriu o desfile com os melhores looks: vestidos de organza que aliavam o volume das formas descoladas do corpo (quase casulos) à leveza de incontáveis lâminas esvoaçantes. O resultado lembrava casacos de pele. Mas o melhor, nas palavras do próprio estilista, é que nenhum animal morreu para que sua coleção fosse criada. As peças mais estruturadas, resultado da dublagem do neoprene que ainda levava aplicações de tecidos nobres, ficaram menos interessantes. Um pouco duras demais (como o vestido ampulheta) e talvez muito inspiradas na Balenciaga de Nicolas Ghesquière. De toda a forma, o show reflete o amadurecimento de Pedro e promete experiências luxuosas no futuro.
Helena Campos