Nova rotina de beleza propõe trocar cremes que viciam na pele

ELLE investiga um novo regime de cuidados para a pele, que inclui rotação de ativos e produtos para atender as mudanças constantes da pele.

Verdade seja dita: seu item de skincare favorito não trará os mesmos efeitos a vida toda. “O que pode ocorrer é você usar um tratamento para rugas, por exemplo, e depois de um tempo perceber que a pele está com falta de firmeza. O creme proposto está agindo em um determinado foco, mas com o tempo, pode haver outra necessidade”, elucida Renata Cáceres, especialista de skincare do grupo L’Oréal Luxe.

O ciclo de um produto antissinais tem, geralmente, três fases: a inicial, de adaptação, que dura algumas semanas; a segunda fase, que terá um efeito terapêutico e perdura semanas ou até mesmo meses, e aqui que você sente os resultados do ativo principal e tem altas expectativas do produto; e a terceira, de tolerância, que pode acontecer com qualquer hidratante, ácido, proteína ou hormônio, e significa que o ingrediente protagonista da fórmula diminui aos poucos o benefício ou para de entregar totalmente os resultados. “Alterno produtos, aumento a concentração dos ativos ou quando paro de ver o efeito desejado, troco o ativo. Por exemplo, o ácido retinoico pode causar irritação no início do tratamento. Em algumas semanas, a pele acostuma com o produto, e após um período, já é possível aumentar a concentração. Esse é um processo de tolerância da pele frente a um ativo. Isso pode acontecer com vários outros ativos, como o retinol, a vitamina C, ácidos e antioxidantes”, afirma o dermatologista Jardis Volpe.

Em casa, se o seu regime inclui um produto industrializado, manipulado ou tópico, e dentro de alguns meses você não nota nenhuma melhora, a dica do especialista é retornar com mais frequência ao consultório, num período de quatro a cinco meses, ou trocar o item. Já André costuma indicar aos pacientes ativos ideais para cada estação: ele aconselha antioxidantes para o verão e os ácidos nos dias mais frios, devido ao clima mais ameno e uma menor exposição solar.

A explicação por trás desse conceito é a mesma do xampu que “acostuma” com o cabelo. Não, ele não acostuma. Segundo Letícia Roselli, diretora de educação da Phyto no Brasil, os fios mudam constantemente as suas necessidades, o que não significa que o produto não funciona mais, mas já supriu aquela deficiência específica. O mesmo pode acontecer com o seu arsenal de skincare: você começa a usar um hidratante, mas à medida que as estações do ano vão mudando e os agentes externos influenciando a saúde da sua pele, os cuidados também precisam variar. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Skincare da Avon, nos EUA, descobriu que 43% das mulheres entrevistadas, dos 22 aos 50 anos, param de usar seus produtos anti-idade por não verem mais resultados.

Descobertas de marcas e análises clínicas nos consultórios dermatológicos mostram que a nova tendência é promover uma rotina menos linear, intercalando ativos para atingir resultados melhores. “A alternativa é trocar a formulação dos princípios ativos indicados. Isso se aplica a produtos manipulados ou industrializados e é interessante alterná-los durante certas épocas do ano”, conta o dermatologista André Braz. Grandes players da indústria, como Sisley e Lancôme, têm em seus portfólios itens de uso esporádico que miram esse novo método: agem diretamente na renovação celular, inserindo novos ativos para dar um boost nos cremes diários. “Aproveitar os ritmos naturais de nossos corpos para promover o bem-estar será um foco chave. Novos produtos que funcionam em conjunto com o processo de renovação celular natural do corpo, surgirão, atraindo grande interesse, à medida que os consumidores exigem soluções de longo prazo, mais práticas e focadas nos resultados. As rotinas de beleza terão outros ritmos e deixarão de ser diárias”, prevê Eva Farah, especialista da WGSN.

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Ainda no ano passado, os cientistas da Avon também descobriram que uma rotina com substâncias alternadas pode ser mais eficiente. No estudo, eles testaram o desempenho do retinol puro, um derivado da vitamina A muito comum em cosméticos e que age na síntese de colágeno. Quando misturado à outro ativo, o fitol, a produção de colágeno aumentou em 100%, comparado ao comportamento isolado. Dessa descoberta, a marca desenvolveu o Renew Infinite, que inclui ambos ingredientes na fórmula, e é o primeiro creme noturno com tecnologia rotativa da Avon. São dois produtos para serem usados continuamente, em fases alternadas. Em uma semana a consumidora usa o lado 1 e na próxima o lado 2.

A segunda fase leva na fórmula um mix dos ácidos glicólico e salicílico, que uniformizam a pele, reduzindo poros e suavizando linhas – é quase um treino intervalado de alta intensidade para a cútis, com períodos de esforço e repouso. “Ele pode ser usado até 6 vezes ao ano. Depois de fazer o tratamento é recomendado deixar a pele descansar por um mês e para depois repetir”, elucida Renata. Já a Sisley, possui há alguns anos no seu portfólio tratamentos que a marca chama de “one shot”. Segundo o gerente de educação da marca no Brasil, Pedro Rocha, os itens já têm vantagem na fórmula: como 92% dos produtos são feito só a base de plantas, o organismo não se acostuma com elas, ao contrário dos ingredientes químicos.

Entre os tratamentos, está o Sisleya Elixir, um protocolo poderoso, com quatro ampolas para cada semana do mês. Ele faz uma manutenção mais profunda, nutrindo as células-mãe, para que produzam mais células jovens, o que fará ao longo de seis meses, que a rotina diária surta mais efeito. “Recomendamos o tratamento uma ou duas vezes ao ano, no máximo, porque ele repõe minerais que a pele não precisa o tempo inteiro. Tudo em excesso, mesmo no caso dos cremes antiaging, não é indicado”, revela Pedro.

O mercado também está atrás de fórmulas que são absorvidas com mais facilidade. A marca Saturday Skin, criada pelo centro anti-envelhecimento coreano Chaum, em Seul, desenvolveu um complexo específico para agir no que identificaram como a fase “dourada” da pele, quando ela promove mais luminosidade e vitalidade. “A marca utiliza o chamado complexo “Cha-7 Es”, capaz de ativar o processo de regeneração natural da pele, iniciar a fase dourada e mantê-la aberta o maior tempo possível. Assim conseguiríamos diminuir a frequência de utilização dos cosméticos, focando apenas em usar nas fases em que realmente absorvem as substâncias com mais eficácia”, comenta Eva.

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