Os prós e contras do implante de fios elásticos no rosto

O implante de fios elásticos promete colocar os músculos faciais nas alturas sem recorrer ao bisturi. ELLE falou com especialistas e uma paciente que se submeteu à técnica. Confira os prós e os contras

Foto: Thinkstock

Como é feito

Indicado para quem tem flacidez leve ou moderada, o implante com fios elásticos (também conhecido como lifting com fios búlgaros) suspende a musculatura e reposiciona a pele. O procedimento é bem semelhante à costura de uma roupa. Compostos de um tipo de seda chamado policaproamida, os fios, antimicrobianos, flexíveis e absorvíveis pelo organismo, são introduzidos por pequenos furos feitos com uma agulha. Eles são ancorados na membrana que reveste o osso, costurados por dentro do músculo e depois puxados de volta ao furo inicial – a pele, então, é reacomodada sem a necessidade de retirada do excesso. A anestesia é local e o processo tem duração média de 15 a 20 minutos.

Quem testou

Há três anos, ao perceber que a pele do rosto já não estava tão firme, a economista Teresa Melo, então com 53 anos, procurou uma clínica para saber o método mais adequado para tratar a sua flacidez, diagnosticada como leve. Ao ver fotos de pacientes que fizeram o implante dos fios, ela se decidiu pela técnica. “Fiz a parte inferior do queixo para delinear o contorno do rosto e subi o músculo das maçãs. Achei o resultado espetacular”, comemora. Ela conta que não sentiu dor alguma, apenas um leve incômodo próximo à orelha, onde os fios foram colocados. “Por três dias, na hora de dormir, ao encostar no travesseiro, sentia uma espécie de carocinho, mas nada insuportável”, descreve. Aliás, Teresa se surpreendeu com a rapidez da cicatrização – praticamente imediata – e notou que apenas a região acima da orelha ficou um pouco inchada. “Foi tão leve que ninguém notou.”

A economista conta que já fez o lifting duas vezes no queixo e nas maçãs do rosto, com o intervalo de um ano e meio entre as aplicações. “No fim, o médico mostra seu rosto no espelho e, caso não tenha ficado do jeito que você imaginava, é possível reverter”, destaca ela, que também apela para técnicas complementares, como aplicação de toxina botulínica e peelings na testa para tratar as linhas de expressão. “Vou fazer a manutenção com fios até quando achar viável”, afirma.

A favor

Além de vantagens como o resultado imediato e o discreto inchaço, o cirurgião plástico Roberto Tullii, de São Paulo, afirma que as únicas regiões que apresentam sensibilidade são a área das sobrancelhas e a região próxima das orelhas. “Mesmo assim, nada que incomode a paciente. Para evitar edemas e sangramentos, faço uma compressão em cima do furo com microporo durante dois minutos”, explica.

Tullii faz uma única ressalva – que, na verdade, é a grande discussão entre os especialistas – sobre o tempo de duração do resultado, que depende muito do grau de flacidez. Ou seja, em peles muito flácidas, os efeitos desaparecem mais rapidamente. “Em geral, o resultado do lifting pode ser notado até cerca de um ano e meio depois da aplicação e, a partir daí, é preciso fazer a manutenção”, ressalta.

Por outro lado, o especialista afirma que, mesmo depois que os fios são absorvidos pelo organismo – cerca de três anos depois do implante –, o resultado ainda é visível. “O que garante o efeito de lifting não é o fio propriamente dito, e sim a fibrose, que, formada sobre o músculo tratado, é a principal responsável pela sustentação da pele. Assim, com o passar do tempo, pode-se optar por colocar outro fio ou simplesmente tracionar o já aplicado para realocar a pele, corrigindo a área que cedeu”, diz.

Contra

Como todo procedimento estético, os fios de sustentação geram polêmica e têm sua eficácia colocada em xeque. “Mesmo com poucos traumas, uso de anestesia local e rápida recuperação, o método não é indicado para todos os casos e não atinge resultados tão eficientes como uma técnica cirúrgica”, diz o cirurgião plástico Ubirajara Guazzelli, de São Paulo. Ele destaca que alguns aparelhos podem retardar a necessidade de cirurgias. “O uso de laser e de preenchimentos com ácidos traz excelentes resultados quando bem indicados.” Guazzelli ainda afirma que a fibrose formada pelo implante dos fios pode prejudicar a realização de futuras cirurgias plásticas. “A região fica endurecida e dificulta que músculos e pele sejam repuxados.”

Especialista em cirurgia plástica facial, o médico Julio Miranda Gil, de São Paulo, indica a técnica apenas para quem tem menos de 50 anos e queira atenuar o chamado bigode chinês e as rugas de expressão ou definir a região do pescoço e o ângulo da mandíbula. “O fio é uma opção se não há a indicação de cirurgia ou quando os tratamentos dermatológicos são insuficientes. Caso contrário, o bisturi ainda é a melhor alternativa.”

* Matéria original publicada em http://www.elle.com.br em março de 2010

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