É o multiculturalismo de Paris que inspira o estilo de Emma Sawyer

"Minha mãe e minha avó nasceram no Reino Unido, moraram na África do Sul, no Senegal e se fixaram em Paris. Elas foram modelos de elegância para mim."

Encontrei a Emma Terez Sawyer durante um passeio pelo bairro de Saint Germain no final de 2017. Ela estava fazendo um pocket show na loja do Thierry Lasry e eu olhando os movimentos de véspera de Natal. Emma tem uma voz linda e, naquele dia, estava sobriamente vestida. Fiquei hipnotizada com seu trabalho e presença. Marcamos então um encontro que rendeu as fotos e uma conversa deliciosa na qual pude compreender melhor sua trajetória de vida.

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Parisiense, 22 anos, Emma estuda artes cênicas. Sua rotina é de sete ou oito horas por dia dedicadas à dança e ao canto. Determinada, ela coloca em primeiro lugar o projeto de uma carreira vitoriosa como artista. Não existe nada mais prioritário que isso. Confira a deliciosa entrevista, onde ela fala também sobre lugares mágicos para ir aqui em Paris e dá sua visão particular sobre feminismo e amar outras mulheres. “Eu aprendi a me inventar como mulher. Seja qual for o nosso curso de vida, não devemos esquecer de que todos os códigos ainda estão por construir.”

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Seu estilo na foto, você pode descrevê-lo?

Uma legging preta em falso couro da Calzedonia, um pull crop branco da Forever 21 e um outro mais longo preto em cashemere da Cos. Meus sapatos são da Mellow Yellow. Eu adoro usar meias finas pretas transparentes por baixo deles.  E jogado sobre meus ombros, coloquei um suéter azul céu que eu encontrei na Primark, em Londres. Meus óculos de sol redondos são uma lembrança do Love Supreme Festival no Reino Unido. Eu encontrei minha bolsa vintage em um depósito de vendas não muito longe daqui, na rue de Ménilmontant.

Como mulher, quais são seus desafios? Me conte do seu projeto.

Eu quero gravar um álbum conceitual, contar histórias como no cinema. Eu sonho em criar um show com minha música, que seria tocada em todos os lugares do mundo. Eu quero alcançar coisas grandes. Minhas influências são artistas ingleses, como FKA Twigs, James Blake, Shingai Shoniwa, Nao, Lianne La Havas e Laura Mvula. Admiro também o trabalho de Stromae, que criou um planeta inteiro através de seus rastros, seus shows, seus clipes, suas roupas. Eu tenho essa visão em 360°.

Street style - moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

Como a cidade de Paris e o mito das mulheres parisienses influenciam sua maneira de se vestir?

Eu cresci em Paris e na sua região, tenho todas as minhas memórias aqui, onde absorvi códigos, cores… Minha mãe e minha avó nasceram no Reino Unido, moraram na África do Sul, no Senegal e se estabeleceram em Paris. Elas foram para mim modelos de elegância. Paris é um labirinto de destinos cruzados. A miscigenação é infinitamente rica e a parisiense é plural. Essa diversidade me levou a experimentar muito na minha maneira de vestir.

Qual é o seu relacionamento com a moda?

As roupas que usamos falam muito sobre quem somos, é muito interessante. Mais jovem, minha vida era noturna. Meu guarda-roupa tinha um monte de vestidos de noite. Hoje, na vida cotidiana, prefiro roupas suaves, agradáveis ​​e elementares, para me concentrar no trabalho do corpo na escola do espetáculo. No período criativo, eu uso uniforme. Para o palco, eu sonho com trajes incríveis. Criar minha própria coleção de moda está em minhas ambições.

Street style - moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

Quais são os seus essenciais de moda e beleza? E o perfume que você coloca com mais frequência?

Meus essenciais da moda são peças minimalistas em tons sóbrios. Eu uso muito preto. Eu tenho uma jaqueta de couro Claudie Pierlot linda. No inverno, uso um imenso casaco de pele fake que eu adoro. Para a beleza, meu ritual é o mesmo manhã e noite: um sabonete ayurvédico e um creme Nutritic La Roche Posay que cheira bem. Meu perfume é Bois Flour, do Artisan Parfumeur. Eu uso por vários anos, faz parte da minha identidade.

Qual é a sua marca de moda favorita?

Estou muito inspirada, no momento, pelas marcas de moda escandinava. É minimalista, é bem cortado, é elegante. Eu adoro a & Other Stories, uma marca sueca onde podemos encontrar tesouros.

Você conhece alguns endereços para comprar boas roupas em Paris?

Um endereço para saber é o Kiliwatch. Há peças de designer e peças vintage mais econômicas. Lojas Kilo Shop também, vendem roupas bonitas e por pouco dinheiro. Eu amo a feira de rua Violent Giants Wild. Aliás, essas feiras onde as pessoas colocam suas coisas à venda nas calçadas são uma tendência em Paris. Alguns parisienses – de moda, dança, música – até criaram seus próprios eventos para vender suas roupas, sapatos e acessórios. Eu gosto disso.

“Paris é um labirinto de destinos cruzados. A miscigenação é infinitamente rica e a parisiense é plural. Essa diversidade me levou a experimentar muito na minha maneira de vestir.”

Você conhece algum endereço para ouvir música em Paris?

Descobri a La Gare há pouco tempo, um clube de jazz instalado em uma estação do Petite Ceinture, a linha férrea abandonada que circunda Paris.  Eles tocam à noite toda, é mágico. O Favela Chic é frequentado por músicos muito talentosos também. A música está presente em todos os lugares da cidade, você tem que ser curioso para fazer belas descobertas. A Filarmônica de Paris é sublime, escutei a obra completa de Philip Glass, ao piano, uma noite inteira, uma memória preciosa.

Street style - moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

Quais seus lugares imperdíveis em Paris?

O 5º arrondissement de Paris é muito bonito na primavera. Eu penso no Jardin des Plantes. O cinema La Clef é uma joia. Eu gosto de ver o pôr do sol nos terraços do bairro 11. A mansão Montmartre é um lugar encantador. O Comptoir Général à beira do Canal Saint Martin também. Eu gosto dos bares ao ar livre em hotéis como o Jules & Jim’s. O museu Beaubourg é um lugar de emoção artística para explorar.

Eu também gostaria que você desse sua opinião sobre o feminismo.

Devemos nos valorizar como mulher, é necessário. Em nossas sociedades, às vezes, somos enjauladas. Eu sempre amei mulheres. E sendo queer, isso me fez seguir um caminho de liberdade. Em uma história de amor feminina, todos os códigos estão para ser construídos. Eu aprendi a me inventar como mulher. Seja qual for o nosso curso de vida, não devemos esquecer de que todos os códigos ainda estão por construir.

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