Os segredos de Paris da ex-modelo brasileira Sarila

A brasileira aprendeu muito com o estilo das francesas e conta sobre seu amor pelo país.

Sandra Manoel Coelho é conhecida como Sarila. Ela vive na França há 33 anos e conhece todos os códigos de vestimentas das parisienses. Modelo nos anos 1980, no Rio de Janeiro, a carioca resolveu dar um tempo em Paris e nunca mais voltou. Quando ainda vivia no Brasil, trabalhou em novelas com Claudio Marzo, Zezé Mota, Monique Evans, enfim, a turma que agitava as artes por lá naquela época. Mas foi aqui onde ela realmente se sentiu em casa. Entre idas e vindas, cada temporada lhe parecia mais apaixonante. Até o dia em que resolveu realmente ficar. Ao longo desses anos, modelou, depois foi gerente de uma boutique descolada no Marais até o dia em que se viu aos 58 anos sem emprego.

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“Sempre fui muito positiva. Quando perdi meu trabalho, muita gente me dizia que eu não encontraria outro, que seria difícil por causa da minha idade. Não para mim. Achei um novo emprego e hoje, aos 63 anos, sou novamente consultora de vendas,” conta enquanto caminhamos para fazer as fotos durante sua folga de almoço, onde ela falou sobre sua vida real parisiense e sentenciou a importância da escolha dos tecidos que usa nas suas roupas. “É nossa segunda pele”.

Como foi sua chegada em Paris nos anos 1980 e quais foram os primeiros aprendizados de moda que você absorveu dos hábitos da mulher francesa?

Era uma época onde tudo aqui era completamente diferente do Brasil. Achei a mulher francesa muito elegante. Nesta época, ainda se podia usar casacos de pele e o famoso pretinho básico era muito usado por elas. No Brasil, o preto não era comum. Aprendi aqui e acho muito elegante. Aderi rapidamente.

Moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

O que você mais aprecia nas francesas e nos franceses?

Eu gosto muito da educação, o que chamamos de “politesse”. Esse lance de você esperar o outro descer do metrô para você entrar. Eu assimilei muito rápido esses hábitos. A maneira de pegar uma escada rolante, de deixar os outros passarem do lado esquerdo se você não quer avançar. Pequenos atos cotidianos de elegância e respeito ao próximo. Se alguém toca em você, ele já pede “pardon”. Eu aprecio muito essa educação deles! Quer dizer, você entra numa loja, a pessoa que vem na sua frente segura a porta para esperar você entrar. Não entra e bate a porta na sua cara, por exemplo. Aprendi e admiro muito essa maneira de ser deles. É uma atenção e um carinho.

Você sofreu em algum momento racismo?

Como mulher negra sempre fui muito respeitada aqui, muito mais que no Brasil. Eu acho que ainda temos muito que evoluir e aprender no respeito às mulheres em geral e sobretudo às negras. É meu país, mas acho tudo meio exagerado. Aqui eu soube bem como me colocar, me posicionar dentro da sociedade francesa. Todo mundo me respeita. Essa coisa de que os franceses são frios é meio falso. Quando eles te conhecem bem, eles abrem a porta da casa para você. Essa é a minha experiência. Eu tenho que escrever um livro para contar minha historia aqui.

E a moda? Como ela aconteceu para você? E quais são suas escolhas?

Eu nasci dentro dela. Minha mãe fazia roupas e, desde criança, eu era modelo dela. Toda sobra de tecido, ela fazia um vestidinho para mim, então todo sábado eu tinha um vestido novo para usar. Isso foi muito importante porque já conhecia os tecidos, seda, algodão, viscose, quando comecei a trabalhar. Hoje sou muito exigente com o que eu visto, pois acho que a roupa é uma segunda pele. Você tem que se sentir bem, agradável e confortável. Eu prefiro sempre me vestir com algo natural. Uma seda, um linho, um algodão, uma viscose. Posso colocar um jeans Dolce rasgado com uma blusa branca de seda com um scarpin ou mesmo com um tênis. E tudo isso eu uno a meu lado exótico, mas sempre com uma elegância e simplicidade.

Moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

Quais são seus lugares preferidos de Paris?

Para um drink, eu gosto do terraço e do bar do Hotel Costes. Para jantar, eu gosto do Robert et Louise no Marais. É charmoso e simples. A gente come bem, as pessoas são agradáveis. Você chega e já divide a mesa com outras pessoas. É um ambiente bem especial, ninguém se conhece e, no final, todo mundo vira amigo. Depois eu adoro o Le Bon Marché, que é um centro comercial onde você encontra tudo. Gosto de ir para comprar ou para ver o que está acontecendo.

Para passear, adoro caminhar na Tuileries. Ali você vê a diversidade. Gente de todas as idades. Gosto de ficar ali olhando as pessoas e jogando comida para os patinhos do lago.

Também gosto do café Angelina e do Marly, dois lugares clássicos, mas bem agradáveis da cidade. Ali você toma um chocolate maravilhoso, come um mil folhas ou toma um drinque em frente às pirâmides do Louvre.

O que você destaca na mulher francesa?

Ela é bonita naturalmente. Ela tem aquela coisa do cabelo displicente, meio jogado, uma tendência até. Acho que representa bem o chique e leve com simplicidade.

Qual sua loja preferida em Paris?

Eu gosto muito de uma loja no Marais que se chama Bibba et Lolla, na rue Pave, 3° arrondissement. E amo Céline. Adoro tudo.

O que ter no guarda-roupa?

Uma perfecto, um trench, um jeans de cintura alta, uma echarpe, um blazer, uma boa joia, anel e colar. Acho esses os essenciais.

O que representa Paris para você?

Aqui eu encontrei meu equilíbrio, a liberdade de ser eu mesma!

Um perfume?

É o perfume da Chanel 19. Eu uso sempre. É o meu cheiro. Quando a pessoa sente sabe que “Sarila” está chegando!

Moda real parisiense

 (Ana Garmendia/ELLE)

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