“Ser parisiense hoje é não ter uma definição exata”

Inspire-se pelo estilo descomplicado e cheio de misturas de Selma Kaci, uma parisiense de 23 anos que trabalha no showroom da Chanel.

Ela tem apenas 23 anos, mas já é uma expert em estilo e moda. Selma Kaci tem aquele “je ne sais quoi” de quem domina as misturas mais difíceis para compor seus looks, como se tudo fosse muito fácil, mas a gente sabe que não é. Após ter encerrado os estudos de artes plásticas, design e arquitetura, ela aproveita seu senso profissional de estética para trabalhar no showroom da Chanel aqui em Paris. E foi ali perto do seu trabalho, em frente à icônica Colette, em pleno fervor que antecedeu o fechamento definitivo da loja no último dia 20 de dezembro, que cruzamos com ela para fotos e entrevista. Para Selma, ser parisiense hoje é não ter uma definição exata. “Durante muito tempo, eu achei que a imagem da mulher parisiense não me correspondia, mas eu estava enganada. Hoje percebo que sou a mistura de tudo que vejo nas ruas da cidade”. Confira a conversa!

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 (Ana Clara Garmendia/ELLE)

Como você compôs o look da foto?

Meu estilo representa bem o que uso todos os dias. Um conjunto de camisa e calça de cetim estampado da Mango. Eu uso sempre esses conjuntos e também ternos, principalmente os estampados. Nos pés, eu usava, inevitavelmente, um par de tênis Zoom Fly da Nike x Off White. O casaco eu achei na Topshop em minha última passagem por Londres por um preço irrisório. Por cima, joguei meu colete preferido da Yves Salomon. O frio? Eu não conheço! (risos).

Como Paris influencia a sua maneira de vestir? Como é ter o peso de ser parisiense sobre as costas?

Durante muito tempo, eu pensei que a mulher parisiense era meu oposto. Agora eu compreendo que estava errada. A cidade me inspira com seu estilo e múltiplas influências. Na minha opinião, a parisiense é indefinível, é isso que faz seu mito. Eu também me inspiro nos diferentes estilos que encontro nas viagens que faço.

Qual é a sua relação com a moda?

Eu sempre adorei a moda, como muita gente… Eu adoro a ideia de que a diferença é aceita e a criatividade é encorajada. Para mim, não existe o tal “passo em falso”. Se ele é dado com naturalidade e, dentro da ideia de criar um look perfeito, está tudo certo. Veja Leandra Medine, do Man Repeller! Eu penso que quanto mais tentamos, mais conseguimos!

O que é essencial? Beleza ou roupas?

O essencial, para mim, é a beleza , mas não a exterior. A meus olhos, o que importa é a energia que a pessoa que usa a roupa irradia, o que ela comunica aos outros, sua maneira de mover, falar, etc. São todos esses critérios que fazem o estilo.

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 (Ana Clara Garmendia/ELLE)

Seus indispensáveis?

Meus indispensáveis são meus tênis. Eles são o ponto de partida para eu compor meus looks. Como acessórios, tenho meu colar vintage em forma de medalha da Gucci e, para finalizar, eu não saio jamais sem brincos. Eu uso apenas uma marca de beleza: Aesop. Quanto à maquiagem, eu evito, mas quando uso, escolho os batons da MAC. Meu perfume é o Comme des Garçons, Wonderwood.

Qual é a sua marca preferida?

Isso muda regularmente, mas atualmente é a marca japonesa Sacai e também o estilista inglês J.W Anderson. Ainda acrescento Loewe, J.Crew e Opening Ceremony.

Um segredo para estar bem vestida todos os dias?

Vestir-se para si mesma, jamais para os outros. O estilo é uma questão pessoal.

Quem são seus ícones de moda?

Eu não sei se posso chamá-los de ícones de moda, mas sim pessoas que eu admiro o estilo. Leandro Cohen, Giovanna Battaglia que, inclusive, me influenciou na paixão pela cor vermelha, ou ainda Gilda Ambrosio e Chitose Abe. Também admiro o estilo de Lucas Ossendrijver (designer da Lanvin Homme) e Mobolaji Dawodu (GQ Homme) .

Quais são seus bons endereços de moda?

Eu recomendo a todos a concept store Tom Greyhound e a The Broken Arm. Eles têm excelentes escolhas, bem pontuadas. Em marcas, indico a J. Crew, mesmo prefirindo a loja americana. Depois tem a Archive, CDG Pocket, Acnes Studio et L’éclaireur.

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 (Ana Clara Garmendia/ELLE)

Qual é a sua postura em relação ao feminismo?

Eu vou citar o discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie: “Nós todas devemos ser feministas”. Penso que o feminismo é a vontade da mulheres de ter acesso à igualdade e isso me parece mais do que legítimo. Deveríamos, em pleno 2017, poder dizer que os homens são iguais às mulheres. Infelizmente, esse não é o caso, mas o sexismo é combatido. Eu espero que em 2018 tenhamos mais ações. Eu admiro as atitudes de Emma Watson (conhecida por seus atos feministas) e me surpreendo muito quando ouço mulheres, jovens ou não, dizerem que elas acreditam na igualdade, mas não são feministas. Uma feminista, por definição, acredita na igualdade entre homens e mulheres.

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