5 livros para repensar o feminino

Leituras sobre ser mulher nesse mundão (para ir além de Simone de Beauvior!).

O que é o feminino? Se hoje em dia pensamos tanto sobre o que é ser mulher, quais são as visões que podem nos trazer entendimentos e esperanças renovadas? Mesmo que o conceito de feminino e gênero estejam em constante disputa, esse debate gerou frutos maravilhosos. Esta lista é um pequeno recorte de livros escritos por mulheres que questionaram e seguiram em frente com respostas impressionantes para as perguntas feitas no começo do parágrafo.

Alguns livros, por exemplo, ajudam as mulheres em seu fortalecimento e redescoberta psicológica sem nem precisarem usar a palavra gênero. Outros ampliam e compreendem de onde surgiram tantas diferenças. Há também aqueles que são um susto sobre elementos da nossa rotina que às vezes passam batido — mas que reforçam uma ideia única sobre o que é o feminino.

Se você já conhece Simone de Beauvoir e quer dar um próximo passo, essa lista é para você. Ela tem poesia, contos, mitos e muita análise histórica. Escolha o seu preferido e mergulhe na leitura!

  • Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés: O livro escrito pela poeta e terapeuta Clarissa Pinkola Estés foi publicado em 1992 e, apesar de nunca ter saído dos holofotes desde então, teve um revival nos últimos dois anos por causa do crescimento da popularidade do feminismo e de grupos de mulheres. Mas ela não usou nenhuma palavra de luta típica para ajudar as milhares de leitoras que já tiveram experiências com o livro: suas 520 páginas na edição da Rocco discorrem, na verdade, sobre os arquétipos da mulher selvagem — e se você não faz ideia do que é isso, fique tranquila, os termos são impactantes mesmo.Ela compara uma ideia compartilhada ao redor do mundo de que lobos são criaturas assustadoras e perigosas com a noção que a sociedade tem das mulheres. Já parou para pensar em como a imagem de que somos criaturas perigosas serviu para minar e acabar com nossa intuição e força? Pois é. Depois disso, são 19 mitos, lendas e contos de diversos lugares do mundo que falam sobre a recuperação de nossa força psicológica e como isso pode mudar nossa vida.
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 (Divulgação/Divulgação)

  • O milionésimo círculo – Jean Shinoda Bolen: A crença e a pesquisa de Jean Shinoda Bolen circundam um olhar considerado visionário: de que os círculos de mulheres podem acelerar a transição da sociedade para uma era pós-patriarcal. Tendo em vista que vivemos em uma sociedade ainda com muitas opressões, fica difícil entender que essas forças tiveram um começo — e podem ter um fim. Nesse contexto, o livro de Jean mostra um caminho. Como as sociedades patriarcais se alimentam da rivalidade entre mulheres, o caminho inverso, de conexão e de intimidade genuína, nos fortalece de diversas formas. Lançado em 2003 pela Taygeta Editora, ele serviu de inspiração para a união de mulheres que vemos hoje. Sabe a sensação fortalecedora que você sente quando está em um grupo discutindo questões só de mulheres, falando sobre transformações e questões que podem ter mudado sua vida? De acordo com ela, esse é um pouco do que seria uma sociedade não patriarcal. E é só o começo!
  • The Collected Poems of Audre Lorde – Audre Lorde: “Cuidar de mim mesma não é autoindulgência. É autopreservação, e isso é um ato de tática política.” Só essa frase cunhada pela poeta e escritora negra norte-americana Audre Lorde já deveria ser suficiente para que seus livros fossem distribuídos nas ruas. O contexto é a cultura violenta e opressora que apaga etnia e sexualidade — para Audre, os atos de resistir como mulher negra e lésbica e manter um cuidado consigo mesma foram considerados revolucionários (vale lembrar que isso, em outras instâncias, seriam direitos básicos). Assim como seus dizeres declaradamente políticos, a coletânea da W. W. Norton & Company com cerca de 300 poemas, The Collected Poems of Audre Lorde, que falam de raça, sexualidade, amor, perda, maternidade, política e morte é uma porta de entrada poética para uma vida feminina sem estereótipos, com muita pulsação e beleza.
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  • O calibã e a bruxa – Silvia Federici: O livro da estudiosa italiana é um marco porque abriu portas para que os estudos sobre as origens do capitalismo saiam das visões únicas de Marx e Foucault. Por mais inusitado que pareça, a história de opressão das mulheres tem tudo a ver com a transição (que não foi natural e pacífica) para o novo sistema de produção. A caça às bruxas surge então em uma nova luz: nada de mulheres místicas, mas mulheres que tinham autonomia e que resistiram a essa mudança. O livro dá bases interessantíssimas para ver o mundo com novos olhos. Ah! Ele também foi traduzido para o português brasileiro de forma autônoma, pelo coletivo Sycorax, junto com a fundação Rosa Luxemburgo.
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  • O mito da beleza – Naomi Wolf: Em O Mito da Beleza, publicado originalmente em 1990, e publicado no Brasil pela editora Rocco, a indústria da beleza e o culto à feminilidade são explorados pela autora, principalmente a partir de seus danos financeiros e psicológicos às mulheres. Se você quer rever quanto tempo, dinheiro e esforços gastou em nome de um padrão — e alguns motivos para ter feito isso — é o livro para ler já (mas vale lembrar que a autora é norte-americana). De acordo com Naomi, esse ideal de beleza é uma das últimas barreiras a serem derrubadas para que as mulheres convivam com mais igualdade no mundo.
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