“Acredito que as melhores criações vêm de uma mente não lógica”, diz a cantora francesa Petite Meller

O mundo da artista, mestranda em psicanálise, é feito de tons pastel, chansons antigas e música africana.

Representante do novo jazz-pop francês, a cantora e compositora Petite Meller soma mais de oito milhões de views com o vídeo Baby Love no Youtube – o clipe tem looks by Jacquemus e uma África onírica e colorida como set. Tudo produzido à perfeição: da geração de meninas que comandam o estúdio, ela brinca que seus músicos a consideram “mandona” por buscar as minúcias de cada som. “Meus ouvidos adoram detalhes”, disse em entrevista à ELLE.

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Petite se prepara para lançar o primeiro disco ainda este ano e, nas horas vagas da música, dedica-se aos estudos de psicanálise na Universidade de Sorbonne, em Paris. Confira a seguir um pouco mais sobre sua história.

Background

“Escrevia músicas e tocava em algumas bandas no passado, mas minha carreira solo começou em Nova York. A primeira versão da música NYC Time foi escrita enquanto eu andava pelas ruas de Manhattan. A magia da cidade lembrava os discos de jazz e de música africana da minha infância. Foi meu chamado para começar meu próprio gênero. Um empresário britânico me descobriu e me trouxe para Londres.”

Realidade aumentada

“Tudo começa com um som que crio em minha cabeça, seja no estúdio ou em uma corrida de táxi. Vem de qualquer coisa: livros, cinema, filosofia ou um quadro de museu. Quando tenho o som e as melodias, posso imaginar e criar um mundo. Foi como as batidas de Baby Love me levaram para o Quênia, na África.”

Estilo

“Acredito naquela frase do Slavoj Zizek: ‘Ame sua cicatriz’. Minha dica de estilo é: não fique tímido para portar seu trauma com orgulho. Estudo psicanálise e sempre fui curiosa sobre aquele elemento que carregamos desde a infância, o que te faz ser quem você é. Quando era criança, fui hospitalizada por causa de uma queimadura de sol, e agora meu blush rosa serve como minha afirmação de moda pessoal. As pessoas dão risada, mas faz muito sentido para mim.”

Insanidade ou inconsciente? 

“Essa é uma pergunta muito difícil. Estou escrevendo minha tese sobre os lados positivos da psicose. Acredito que as melhores criações vêm de uma mente não lógica. Acho que não ultrapassei a linha da insanidade, mas posso estar totalmente errada.”

Filosofia 

“Estava lendo em Deleuze sobre se tornar barbáro. Me fascina o desejo humano de negar a civilização, de não suprimir seus desejos mais selvagens para se encaixar nas normas da realidade. Baby Love é sobre o poder da mulher mostrando o que é amor para aqueles que não sabem o que significa.“

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