Alice é um exemplo de resistência em uma época em que a mulher não se atrevia a ter vontade própria

Alice amadureceu muito desde que caiu na toca do Coelho Branco. Em Alice Através do Espelho, continuação do filme lançado pela Disney em 2010, a protagonista já é uma mulher. E sabe muito bem o que quer. Após passar dois anos desbravando os mares, no comando do navio que era de seu pai, ela volta à Inglaterra onde enfrenta as rígidas expectativas que a sociedade tinha sobre as mulheres. Por não querer se casar e preferir se aventurar pelo mundo, Alice é diagnosticada como um “caso clássico de histeria feminina”. Mas médico nenhum consegue segurar a jovem, que acaba voltando ao País das Maravilhas.

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“Alice não é mais a garota insegura e perdida do primeiro filme. Ela é um exemplo de resistência na era vitoriana, onde a mulher não se atrevia a ter vontade própria”, contou a atriz Mia Wasikowska, escalada para revisitar a personagem na sequência que acaba de desembarcar nas telas brasileiras. Até seu figurino, assinado por Colleen Atwood, reflete a rebeldia da heroína, que chega a vestir um terno com as cores do arco-íris na cena de baile, monopolizando as atenções.

“A ideia era que ela destoasse de todas as outras garotas da festa. A mente de Alice é imaginativa demais para que ela se contentasse com um vestido de gala tradicional”, completou a atriz, durante encontro com a imprensa no hotel Corinthia, em Londres.  


”Alice no País das Maravilhas’’, a primeira aventura de Mia na pele da heroína criada pelo escritor britânico Lewis Carroll (1832-1898), arrecadou mais de US$ 1 milhão nos cinemas ao redor do globo. A bilheteria generosa gerou a continuação, que é baseada no livro “Alice Através do Espelho”, publicado por Carroll em 1868, dois anos depois do original, apresentando as aventuras que Alice vive em seus sonhos. Por ter mais liberdade, depois que Tim Burton estabeleceu o universo psicodélico de Carroll no primeiro filme, a sequência vai além. Há mais humor e emoção na segunda parte, dirigida por James Bobin, de “Os Muppets’’ (2011). É um daqueles casos raros em que a continuação é melhor que o original.


Assim que reencontra seus amigos no país fantástico, Alice percebe logo que há algo errado com o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), agora vítima de depressão. Preocupada com ele, a jovem segue a recomendação da Rainha Branca (Anne Hathaway) e sai em busca da Cronosfera, um aparato metálico localizado na câmara do Grande Relógio que permite viajar no tempo. É assim que a protagonista acaba confrontando o Tempo (Sacha Baron Cohen), já que foi ele quem puniu o Chapeleiro tempos atrás, fazendo-o parar eternamente às 18h, momento de tomar chá.


Embora seja uma sequência, o filme também funciona como prequel. Na tentativa de ajudar o Chapeleiro, Alice visita o seu passado, buscando pistas em vários momentos cruciais na vida do amigo. A protagonista só precisa seguir uma regra: ela não pode alterar o passado, o que implicaria em mudanças no presente e no futuro. Alice pode apenas observar o que aconteceu com o Chapeleiro para tirar lições que talvez ajudem a resolver os seus problemas.


“O filme brinca o tempo todo com a noção e o significado do tempo, algo com que todos nós conseguimos nos relacionar”, afirmou Mia, lembrando como foi difícil manter a seriedade ao contracenar com Cohen, hilário em sua atuação como o Tempo. Namorado da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), seu personagem é metade homem e metade relógio. “O Tempo é um cara imaturo e narcisista que se acha o homem mais importante do mundo. Assim como Donald Trump”, brincou Cohen, referindo-se ao candidato republicano à presidência dos EUA.

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