Como Ava DuVernay está abrindo porta para outras mulheres negras

A primeira diretora negra a sair vitoriosa de várias premiações do cinema explica como seu trabalho ajuda o movimento negro.

Como garota negra, Ava DuVernay nunca se sentiu representada na indústria do entretenimento nos anos 1980, quando ela crescia em Compton, área de baixa renda de Los Angeles. “Eu simplesmente não me via. Nem nas animações de princesas da Disney nem nas séries de TV”, conta à ELLE a diretora, roteirista e produtora de 45 anos. “Tudo o que faço hoje é para garantir que as meninas da nova geração se sintam incluídas”, diz a californiana, a primeira mulher negra a gritar “ação!” numa superprodução hollywoodiana: o filme Uma Dobra no Tempo, orçado em mais de 100 milhões de dólares.

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Inspirado no livro homônimo de ficção científica da escritora norte-americana Madeleine L’Engle, se não fosse pela diretora o longa provavelmente traria uma maioria de atores brancos – como é ainda comum nesse tipo de produção. Mas Ava não perderia a chance de “sacudir as coisas”, escalando Storm Reid (de 12 Anos de Escravidão) para interpretar Meg Murry, a menina de 14 anos que sai em busca do pai cientista, desaparecido após se aventurar por outras dimensões.

“Mal pude acreditar quando a ideia de misturar as raças foi aceita pela Disney”, afirma Ava, que trouxe também Oprah Winfrey para o elenco. “Por seu ativismo, Oprah merecia o papel da senhora Qual, considerada o ser mais sábio do universo.” Sempre defendendo o empoderamento negro e a sua representatividade na mídia, Ava ficou conhecida por várias conquistas. No ano passado, ela foi a primeira negra a ser indicada ao Oscar de melhor documentário, com 13th, em que analisou o sistema prisional nos Estados Unidos, focando a desigualdade racial – como não poderia deixar de ser.

Até hoje, Ava é a única cineasta negra que teve um trabalho disputando o Oscar de melhor filme, com Selma: Uma Luta pela Igualdade (2014), sobre a marcha pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, em 1965. Pela mesma obra, ela garantiu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor direção. Antes disso, em 2012, tinha feito história para as mulheres afro-americanas ao levar o prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance, com Middle of Nowhere, sobre a rotina de mulheres cujos maridos estão presos.

Como Ava conseguiu ultrapassar tantas barreiras? “No início da carreira, perdia tempo pensando em estratégias, tentando imaginar o que achariam da obra de uma mulher negra. Hoje, o foco cai apenas no trabalho. O segredo está na energia que colocamos nele.” Ter conquistado o seu espaço não basta para Ava, formada em história afro-americana pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Seria trágico se eu acabasse sozinha nesse caminho. A porta precisa ficar aberta para outras mulheres.”

É por isso que ela sempre contrata profissionais do sexo feminino para o seriado que criou em 2016, Queen Sugar, sem data de exibição no Brasil. “É a primeira série da história da TV dos Estados Unidos com episódios dirigidos apenas por mulheres”, lembra. Por seu pioneirismo, Ava até inspirou uma edição especial da Barbie, em 2015, ganhando uma boneca própria, criada pela Mattel. Além de reproduzir o seu estilo, com dreadlocks nos cabelos e tênis nos pés, o que mais agradou Ava foi a sua Barbie negra dar um bom exemplo: estar sentada na cadeira de cineasta. Isso, sim, é poder.

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