Editorial de Dia dos Namorados da ELLE é alvo de comentários racistas e homofóbicos

Na ELLE de Junho, decidimos celebrar o amor em todas as suas formas. Um dos nossos editoriais chama-se “Just Kiss” e, nele, todas as fotos envolvem um beijo. Meninos com meninas, meninos com meninos, meninas com meninas…

Em uma das imagens, o modelo Lucas Teixeira beija Diara Rosa, uma menina negra de cabelo raspado. Quando ele recebeu a foto em questão em uma manhã qualquer, não demorou para colocá-la em suas redes sociais. No entanto, logo depois do almoço, uma enxurrada de comentários racistas e homofóbicos começaram a pipocar em suas notificações.

“Por que você está beijando um homem?”, dizia um deles. Ou então: “tira essa foto do ar!”. Foram desde mensagens de Whatsapp até ligações para o seu próprio telefone em repúdio à foto. “Recebi pelo menos umas vinte dessas”, disse Lucas.

“Meu pai sempre me ensinou a respeitar as diferenças, isso vem de família. Desde pequeno eu aprendi a me comportar dessa forma”, explica o modelo que decidiu manifestar sua indignação via facebook. “Se ela fosse uma loira de olho azul, tenho certeza que o discurso das pessoas seria completamente diferente”, aponta. “Ainda que eu estivesse beijando um homem, qual é o problema? Essa foto é arte e precisa ser respeitada.”

Essa não é a primeira vez que Diara Rosa sofre com o racismo no mundo da moda. Quando ela estava começando, teve que ouvir das pessoas deste meio que negras não funcionavam para o mercado fashion. “A gente tem que lutar, levantar a cabeça e ser forte”, diz. “Eu amei ter participado do editorial e concordo plenamente com o argumento político que está por trás das imagens. Não vou absorver as coisas negativas que as pessoas podem dizer a respeito do meu trabalho.”

Andreza Delgado é militante do movimento feminista negro e colaboradora da revista Capitolina, publicação online dedicada ao público feminino e jovem. A nós, ela disse que esse é mais um caso em que a sociedade manifesta o seu desejo de tirar da mulher negra o seu direito de ter um relacionamento. “É a história da solidão da mulher negra. E isso já vem de muito tempo”, explica. “Isso se arrasta há séculos: mesmo antes de se entender negra, essa mulher sempre vai se sentir sozinha em vários âmbitos. Só agora estamos conseguindo colocar isso para fora com a ajuda da internet. Mesmo assim, por mais que as discussões estejam em alta, isso não quer dizer que o preconceito esteja em baixa.”

Veja a foto abaixo e confira o editorial completo na nossa edição de junho, que já está nas bancas.

Josefina Bietti Josefina Bietti

Josefina Bietti (/)

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