Hysteria, a nova plataforma de vídeos estrelada por mulheres

Além do site, a Hysteria é uma rede, composta por de 500 mulheres, que buscam novas formas de expressar suas vozes.

Quando tinha 11 anos, Meghan Markle escreveu uma carta a uma marca de produtos de limpeza que, em sua propaganda, restringia às mulheres o papel de cuidar das panelas sujas da cozinha. Os executivos resolveram mudar o comercial na época, mas até hoje a representação feminina na mídia continua bastante limitada e estereotipada. Apesar dos avanços, já está claro que a mudança só acontecerá verdadeiramente quando existirem mais mulheres na criação dessas campanhas. Por isso, coletivos feministas e projetos liderados por mulheres são tão importantes e necessários.

No Brasil, uma nova plataforma pretende amplificar essas vozes no audiovisual, a Hysteria. Nascida dentro da Conspiração Filmes, uma das maiores produtoras independentes do Brasil, ela vai reunir séries de vídeos e textos, estrelados e pensados por nomes como Maria Ribeiro, Bia Granja e Julia Anquier. “Num processo autocrítico, percebi um número grande de mulheres dentro da produtora e do nosso mercado com grande potencial autoral, mas com pouca autonomia ou oportunidades reais. O primeiro passo foi, com elas, entender os espaços em que não nos sentimos representadas, que pode ser o de uma propaganda de carro ou de filmes eróticos”, explica Renata Brandão, CEO da Conspiração. “Criamos esse núcleo criativo, que tem um grupo de criação fixo, mas também uma rede que compreende mais de 500 mulheres buscando formas de expressar suas vozes. Entrando em contato com tantas mulheres incríveis, entendo que não há um olhar feminino, existem, sim, múltiplos olhares”.

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Renata Brandão, idealizadora da Hysteria e CEO da Conspiração Filmes. (Divulgação/Divulgação)

O site, que inaugurou neste mês, também possui uma newsletter e pretende conquistar o cinema, a TV e até as ruas, com o Festival Hysteria, pensado para o primeiro semestre de 2018 — uma espécie de virada cultural com 12 de shows de mulheres espalhados por praças, bares e clubes de São Paulo.

Dentre os destaques, fique de olho na série Alerta de Tubarões, com entrevistas divertidas com youtubers como Nátaly Neri e Hel Mother, nos microfilmes que compõem a Alívios e Pequenas e Mortes, e a Tudo, estrelando Maria Ribeiro. O lançamento ainda contou com a participação de Letrux, com uma música-manifesto, assista abaixo!

E se você está se perguntando da onde veio o nome, Renata explica: “Hystera ou Hysteros significa útero, em grego. É um termo indissociável do feminino e está em circulação há mais de dois mil anos. Alguns autores acreditam que ela se modifica conforme o contexto sócio-cultural vigente da época”. Já foi usado para designar transtornos nervosos em mulheres e até associado à bruxaria. “Mas sabemos que o termo continua em uso. “Você é histérica” e “Você está histérica”, por exemplo. O fato é que ele sempre foi usado para calar uma mulher, que é o oposto do que estamos fazendo. Resolvemos nos reapropriar do termo histeria. Nos apossamos do que é nosso para ressignificar”, finaliza. Estamos ansiosas para ver os próximos passos da plataforma!

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