Kristen Stewart fala sobre sua relação com o cinema

Papéis difíceis, relações intensas, papos cabeça. As zonas extremas são o paraíso da atriz.

Em frente a um hotel dos anos 1950, em Los Angeles, um jipe Hummer preto, brilhando como um besouro, estaciona e as portas se abrem. O som de uma música new wave vem do rádio, e Kristen Stewart aparece. Uma chegada bem rock’n’roll, exatamente o que você espera da atriz que viveu Joan Jett no flme Te Runaways – Garotas do Rock (2010). O olhar frme e determinado com que a atriz encara as câmeras já está lá, muito antes de ser convidada a entrar no set (aponte a câmera do seu telefone para a página ao lado para vê-la em ação). Kristen é intensa na maneira como responde às perguntas, escolhendo cada palavra com cuidado, especialmente quando fala sobre seus sentimentos. “Existem pessoas que sentem com muita intensidade e são realmente consumidas por seus relacionamentos. E aquelas que focam em outras coisas e não se deixam chegar a esse ponto. Eu faço parte do primeiro grupo”, conta à ELLE, dando pistas de como é seu namoro com a artista de efeitos digitais Alicia Cargile. “Nesse momento, estou muito apaixonada pela minha namorada. A gente terminou algumas vezes e voltamos a fcar juntas. Mas agora é como se eu fnalmente pudesse sentir as coisas de novo.”

Passado o sucesso da série Crepúsculo (2008), que a transformou em estrela global, a californiana, de 26 anos, vive um momento de aclamação, requisitada pelos maiores diretores do mundo. Este ano, atuou em Café Society, de Woody Allen, Personal Shopper, de Olivier Assayas – vencedor do último Festival de Cannes e com estreia no Brasil marcada para novembro –, e A Longa Caminhada de Billy Lynn, de Ang Lee, que entra em cartaz em janeiro. Seu temperamento forte também seduziu o mundo da moda. Há três anos, Karl Lagerfeld fez dela o rosto da Chanel. Após viver Gabrielle Chanel em Once and Forever (2015), curta dirigido pelo estilista, a atriz agora empresta sua imagem à Collection Eye 2016, a nova linha de sombras da grife – um dos assuntos do papo exclusivo que tivemos com ela.

Você não se preocupa em esconder os seus relacionamentos. Acha que o mundo do cinema está lidando melhor com a sexualidade dos atores agora?

Sim. Acho que a minha geração tem uma fluidez que está fazendo com que isso seja mais bem aceito. É uma coisa nova e incrível. Mas acho que o fato de eu ser meio indiferente às fofocas facilita as coisas. Não é um problema para mim, então parece não ser um problema para os outros também. Mas eu não quero que minha sexualidade me defina. A última coisa que vou fazer é me preocupar em transmitir mensagens que sejam consumidas.

Quando você aparece maquiada, seus olhos costumam ter um ar dark. É um jeito de se proteger do mundo?

Com certeza. Quando estou cansada, me sentindo na defensiva ou não estou no mood, escolho essa opção. Você não precisa estar sempre disposta a dizer oi e falar com todo mundo. Ter sempre essa vontade me parece uma coisa meio louca. Às vezes, quando tem um evento com red carpet, minha maquiadora diz: “Você deveria manter o make clean hoje. Sua roupa pede isso”. E eu digo: “Não, não consigo lidar. Vamos ter que fazer o olho fuck of!” (risos)

No filme Personal Shopper, você vive uma jovem que faz as compras de uma celebridade. O que a atraiu no papel?

Na verdade, o filme é quase uma história de fantasma, sobre uma menina que está em Paris de luto pela perda do irmão. É uma espécie de meditação sobre a solidão. A personagem também tem questões fortes de identidade: ela odeia a si mesma e o que está fazendo. Compra para pessoas que odeia, mas é seduzida por essas lindas roupas. Tem algo que ela acha esquisito nesse trabalho, mas é obcecada por ele. É sobre “por que estamos aqui? O que representamos?”.

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Como essas questões afetaram você?

Me senti inacreditavelmente isolada durante a gravação. A personagem é uma deslocada e ainda tem um problema no coração que a deixa sempre a um segundo da morte. Mesmo cenas pequenas, que não eram muito emocionalmente carregadas, eram difíceis de filmar. Me senti esgotada! E isso dá para ver na minha cara. O meu look no filme não é truque de maquiagem. Fiquei horrível mesmo!

Mas você não parece ter achado ruim.

Não, não mesmo. Foi divertido também! Chegar a esse estado extremo é algo que procuro. Nada me faz sentir mais viva do que isso. Não invejo pessoas que me dizem: “Você pensa demais, leva as coisas muito a sério. Você deveria respirar e relaxar”. Não, não quero respirar! Me sinto mais viva quando tenho a impressão de que vou morrer em um filme ou algo está me matando por meio do pensamento. Atuar é difícil, mas, se não estivesse fazendo filmes, definitivamente procuraria esse estado de outra maneira.

Você toca guitarra e escreve poesia. Não pensa em começar uma carreira musical?

Eu amo tocar guitarra e tenho feito isso há anos durante as filmagens para matar tempo. E também comecei a tocar bateria e olha que sou bem boa nisso! (risos) Adoraria ter uma banda, mas cantar não é comigo. O que eu gosto é de achar as palavras certas. Não tem nada mais satisfatório do que encontrar a expressão perfeita.

Você está fazendo a campanha de sombras da Chanel. Quem olha de fora às vezes acha que Karl Lagerfeld é alguém meio frio, intimidante. É isso mesmo?

É verdade que ele tem uma imagem bem austera. Tem algo nele que é um tanto inatingível. Mas durante o trabalho isso desaparece. Tenho a impressão de que ele está sempre tentando ensinar alguma coisa, principalmente a quem é jovem. Ele fala de artistas e fatos que não conhecemos. Diz: “Você deveria ler esse livro”. Não é só sobre moda. Ele tem uma profundidade real.

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