Lena Waithe é uma voz em Hollywood que precisa ser ouvida

A atriz e roteirista de "Master of None" aproveita o espaço que tem para dar visibilidade a causas importantes.

Quando Lena Waithe subiu ao palco do Emmy, no ano passado, ela não estava apenas se tornando a primeira mulher negra a levar o prêmio de melhor roteiro de comédia pelo episódio Thanksgiving (2017), da série Master of None (Netflix). A norte-americana reforçava o valor e a riqueza de dar espaço a todas as vozes na produção cinematográfica. O episódio que ela coescreveu e no qual atuou não é só sobre uma mulher que revela sua homossexualidade à família mas também sobre “o que significa ser gay, o que significa ser uma mulher e o que significa ser negra”, disse. Em um discurso emocionante, ela ainda dedicou o prêmio à comunidade LGBTQIA (lésbicas, gays, bisexuais, transgêneros, queers, intersex e assexuados). “Eu enxergo cada um de vocês. E o que nos faz diferentes são os nossos superpoderes, que aparecem todos os dias quando vocês passam pela porta de casa e vestem suas capas imaginárias, prontos para conquistar o mundo. Ele não seria tão bonito se nós não estivéssemos aqui.”

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A premiação (que ela recebeu ao lado do ator e comediante Aziz Ansari, criador da série) abriu muitas portas. “Mudou o jeito com que o mercado olha para mim. Quando você é premiada, as pessoas passam a ter uma confiança em você que no dia exatamente anterior elas não tinham”, diz. “Além disso, sendo a primeira mulher negra a levar esse prêmio na história, eu sei que tenho um carimbo na indústria que nunca pode ser retirado.”

Lena Waithe

 (Kurt Iswarienko/Divulgação)

E certamente uma responsabilidade que ela abraçou para si. Envolvida em uma série de projetos, este ano Lena lançou The Chi, série criada por ela, que nem estreou no Brasil, mas já tem uma segunda temporada confirmada. No roteiro, Lena retrata a infância de um menino negro e seus amigos em uma zona pobre de Chicago, cidade onde ela também nasceu e cresceu. “Minha missão é mostrar que esses jovens negros não nasceram com uma arma em suas mãos”, disse ao The New York Times. “Eu queria humanizá-los e mostrar que suas vidas são válidas. Mas não os retrato numa luz perfeita. Minha esperança é mostrar essa realidade de forma honesta. Não ruim. Não perfeita. Mas precisa.”

Existe também essa confusão de que o Times’s Up é sobre mulheres brancas e abuso sexual. Não. É também sobre mulheres negras, sobre racismo, homofobia, transfobia, islamofobia ou qualquer fobia que as pessoas tenham.

Lena, que aos 33 anos já atuou como atriz em Master of None e em séries como This Is Us (2016) e Transparent (2016), estreia no dia 29 em Jogador No 1, um longa de ficção científica de Steven Spielberg. “Ele é incrível, gigante. Sobre qualquer coisa que você puxe assunto, ele vai saber conversar, além de ser divertido, gentil. Foi maravilhoso ter recebido esse convite”, disse à ELLE. O longa, inspirado no livro homônimo de Ernest Cline, se passa em 2045 e retrata uma geração que, num mundo totalmente destruído, tem a chance de se transportar para OASIS, uma realidade paralela. A atriz não revela quase nada de seu personagem, mas é alguém que participa da busca de um tesouro escondido com competidores de todo o mundo.

Lena Waithe

 (Universal/Divulgação)

Depois de trabalhar em empregos como numa fábrica de carros, Lena foi assistente de Ava DuVernay, em seu primeiro longa I Will Follow (2010). Na época, a diretora a encorajou a escrever e produzir seus próprios filmes. E assim foi. Hoje, as duas se encontraram novamente como militantes do Time’s Up, movimento de mulheres da indústria do cinema que luta contra a discriminação sexual e de gênero não só no cinema. “O movimento nunca foi direcionado apenas para as mulheres do cinema. Ele é para todas”, diz. “Existe também essa confusão de que o Times’s Up é sobre mulheres brancas e abuso sexual. Não. É também sobre mulheres negras, sobre racismo, homofobia, transfobia, islamofobia ou qualquer fobia que as pessoas tenham. Temos que ter certeza de que seja lá o que você deseje fazer, isso precisa ser celebrado enquanto a pessoa está tentando alcançar os seus sonhos. É um grande trabalho que começa por nós e busca garantir que qualquer lugar de trabalho seja seguro para você crescer e florescer.”

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