Quem são os novos nomes da música folk

Com um pé na tradição e outro na transformação, estas novas vozes estão ajudando a redefinir o som folk dos anos 2010.

Música feita com instrumentos rústicos, música política, música tradicional de raiz. Poucos gêneros têm definição tão abrangente quanto o folk, que chegou a ganhar até versões new wave encabeçadas por Mumford & Sons e Laura Marling no fim da primeira década dos anos 2000. Agora, surge outra onda de artistas para repensar essa sonoridade. São músicos sofisticados e autorais, que embalam canções com a candura característica do gênero, mas sem medo de trilhar novos caminhos, adicionando influências tão variadas como pop barroco, rock clássico, música escandinava e jazz.

ANGEL OLSEN

Depois de lançar dois belíssimos álbuns cheios de canções melancólicas, a compositora norte-americana Angel Olsen, 29 anos, foi rotulada como “uma garota sombria que toca violão”. “Me senti derrotada por essa imagem, que acidentalmente criei de mim mesma”, diz. Seu novo disco, My Woman, vem para reverter isso. Há, sim, longas e belas baladas imbuídas de melancolia e letras confessionais, mas também uma nova energia em faixas influenciadas pelo rock dos anos 1960, uso de sintetizadores e pop à la Stevie Nicks, do Fleetwood Mac. “Até quem escreve músicas tristes dá boas risadas de vez em quando”, diz Angel, brincando, enquanto lava uma pilha de louças e fala com a reportagem da ELLE.

JULIA HOLTER

Julia Holter pode não ser muito conhecida pelo grande público, mas não há um crítico de música sequer que não conheça seu nome. Seu quarto álbum, Have You in My Wilderness, foi recebido pela imprensa especializada com total adoração – “obra-prima” foi o termo mais usado. “É um trabalho construído sobre a tradição das baladas dos anos 1960”, relata ela sobre o disco, elegante e intimista, com melodias aeradas e letras enigmáticas. No dia 13 de outubro, essa californiana, de 31 anos, que cresceu ouvindo Joni Mitchell, Alice Coltrane e Patti Smith, apresentou suas canções em um show no Audio Club, em São Paulo.

MITZKI

Mezzo japonesa, mezzo norte-americana, Mitzki cresceu entre 13 países. A diversidade musical à qual foi exposta acabou, de alguma maneira, influenciando sua própria sonoridade: uma mistura de folk-punk com indie rock. Seu último álbum, Puberty 2, é uma compilação de histórias acompanhadas por pitadas de dream pop, surf music e pop dos anos 1970. Mais do que isso, sua experiência nômade também aparece em suas letras. “Eu nunca pertenci a lugar algum”, diz a cantora, de 25 anos. “A música é a única coisa que eu tenho e que ninguém jamais pode tirar de mim.”

RYLEY WALKER

Ouvir um disco de Ryley Walker é uma experiência completamente diferente de vê-lo tocar ao vivo. Isso
porque, no palco, Walker e sua banda, composta de jazzistas clássicos, não só interpretam as músicas mas também entram numa impressionante viagem de improvisação nada polida. Instrumentista impecável, o rapaz, de 26 anos, se inspira em cidades interioranas dos EUA para escrever músicas que evocam o ar bucólico do folk-rock britânico da década de 1970 e o indie rock dos anos 1990. Seu Golden Sings that Have Been Sung, um dos melhores álbuns do ano segundo o jornal The Guardian, foi produzido por Leroy Bach, ex-Wilco.

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