Sensação do folk britânico, Gabrielle Aplin, faz show único em São Paulo

Conversamos com a cantora sobre música e inspirações.

Se apresentar no Faustão, participar da trilha sonora da novela, ser uma das convidadas do programa da Fátima Bernardes – um exemplo de agenda de praxe para os artistas brasileiros no topo das paradas. Esta foi a rotina da cantora e compositora britânica Gabrielle Aplin, 23 anos, de passagem pelo país para apresentação única na sexta-feira, 27 de maio, no Cine Joia, em São Paulo. “Estou acostumada a fazer este tipo de promoção no Reino Unido mas por lá eu entendo o que eles falam”, brinca. Sua canção Home embala o enredo da novela Totalmente Demais, da Rede Globo.

Quatro anos atrás, a artista nascida em Sutton Benger, duas horas de Londres, começou a publicar composições próprias e covers no Youtube. Pouco tempo depois foi descoberta pela gravadora Warner e assim lançou os discos English Rain (2013) – o trabalho rendeu-lhe Disco de Ouro pelas 100 mil cópias vendidas – e Light Up The Dark (2015).  Inspirada por grandes artistas como Joni Mitchell e John Lennon, atualmente, Gabrielle mora com mais dois músicos, na cidade de Brighton, onde se dedica à composição e experimentação, assim como toca sua gravadora independente Never Fade Records – plataforma em que financia projetos de novos cantores.

“No momento, estou trabalhando com uma cantora chamada Hannah Grace, ela tem essa voz que parece a Etta James. E fiz um outro projeto com Saint Raymond, onde lançamos seu EP e agora ele está buscando outras coisas”, ela conta.  Durante sua semana no Brasil, passou pelo Parque Ibirapuera e visitou o Beco do Batman, na Vila Madalena, mas aproveitou também para conversar com ELLE sobre música e inspirações. Confira a seguir:

Isabela Yu Isabela Yu

Isabela Yu (/)

Quando você percebeu que tinha tantos fãs no Brasil?

Comecei a ver uma movimentação nas minhas redes sociais. Vi muito português e pensei que vinha de Portugal. Depois, soube que tinha que vir para cá. Como meus fãs são muito ativos online, eles me recomendaram comida e lugares para ir.

Você sempre foi ativa na internet?

Acho importante você falar com seus fãs porque eles são a única razão porque estou em qualquer legal. Tudo que quero fazer é escrever músicas e viajar – e é exatamente isso que estou fazendo isso! É muito fácil ficar presa em assuntos políticos ou na loucura do dia a dia mas sempre lembro que a música e os fãs são as coisas importantes. Tipo, por que essas pessoas me seguem no primeiro lugar?

E seu processo de composição mudou de quando você começou a soltar os vídeos online para agora?

Diria que me desenvolvi como letrista. Primeiro, como uma cantora e compositora tudo era sobre mim ou sobre meu namorado. (Risos). Depois comecei a viajar e a fazer turnês e percebi que poderia escrever sobre um lugar ou uma pessoa que conheci. Ou algo que aconteceu com um amigo. No segundo disco eu estava muito feliz, pensei que não tivesse nada para escrever, então falei sobre meus amigos, ou uma paisagem bonita – conseguir fazer isso me abriu muitas portas. Além de que comecei a experimentar sons também. Pensei, “por que estou grudada no meu violão?” Vamos tentar usar sintetizadores ou baterias legais, no momento, estou bem interessada em produção musical e sons esquisitos.

 

Você tem alguns letristas favoritos?

Me inspiro em artistas que escrevem sobre coisas importantes. Não temos tanto disso agora. Mas no passado quando John Lennon falava sobre a Guerra do Vietnã ou fazendo campanha para a Paz. Ou quando Joni Mitchell escreveu sobre a Revolução Industrial. Esse tipo de escrita em que as massas conseguem se relacionar. Gostaria de ver mais isso hoje em dia, mas é difícil porque você não quer ofender ninguém. Artistas tem público e uma voz para falar coisas importantes.

Uma das minhas metas é escrever algo que realmente faça o bem para outras pessoas além de mim.

Você tenta projetar isso na sua música?

Uma das minhas metas é escrever algo que realmente faça o bem para outras pessoas além de mim. Continuo escrevendo o tempo todo, afinal não precisa ser sempre sobre mim.

Como cantora, alguma vez você já sentiu pressão para se comportar de certa maneira?

Nunca fui forçada a usar algo ou agir de certa maneira. Sempre trabalhei com homens mais velhos e nunca me senti intimidada ou explorada – como eu sei que tem muitas pessoas que já se sentiram. Acho ótimo usar biquíni no palco se é uma escolha que você fez. Mas, se formos comparar a quantidade de homens e mulheres na indústria sabemos que não é igual. É empoderador para meninas ver outras meninas se destacando. Semana passada em casa, vi um programa na televisão e a banda era apresentada como girl band, o que é estranho. Precisamos parar de apontar coisas que meninas fazem como sendo fora do normal e para os caras é ok.

E por que você decidiu criar sua própria gravadora, a Never Fade Records?

No momento em que assinei o contrato com a gravadora, estava lançando EPs independentes e eles me deixaram ter esses outros trabalhos – e como eles estavam gerando royalties e eu já tinha gravadora, decidi usar o dinheiro para financiar projetos de outros artistas. Ninguém assina contrato comigo, deixo os músicos terem um espaço criativo para serem livres. Pode ser um EP, uma mixtape ou um vídeo clipe. Não acredito que homens de terno devam nos dizer o que fazer. Quando comecei fui muito sortuda porque um amigo me deixou usar seu estúdio sem nunca me cobrar e agora quero ter certeza que novos caras podem ter isso. Minha maneira de apoiar a nova música.

 

 

Você acha que estamos vivendo em uma era de novas iniciativas?

Sim, por isso que a internet e tecnologia são ótimas. Você não precisa ser um artista com gravadora para lançar seu próprio som. As pessoas tem fãs online e gravam discos no quarto. Tem tantos jeitos diferentes de se fazer música que não precisamos seguir o molde tradicional. No final, você não precisa da quantidade de coisas que você acha que precisa. É um momento interessante, porque várias pessoas estão trazendo novas ideias, e, paralelamente, temos este movimento DIY voltando à cena.

O que você está escutando atualmente?

Escuto bastante música folk tradicional. E algumas bandas, como Biffy Clyro, The National e Coldplay. Tem esse cara britânico novo chamado Jack Garret, em que ele canta, toca bateria, piano e guitarra – é incrível. E o disco da Lapsley, ela tem um visual maravilhoso. 

E seu visual? É algo que você se preocupa?

Acho que como artista é importante que você tenha uma imagem, não que você deva se cobrir de maquiagem e ser outra pessoa. Amo que eu me pareço exatamente como minha música soa. Por exemplo, a Lana Del Rey tudo é esteticamente coordenado para a música dela. Me interesso muito por formas e cores, não sei se você conhece a Orla Kiely, mas ela é uma estilista irlandesa incrível. Você deveria procurar!

 

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