Sofia Coppola: “cheguei a fazer um estágio na Chanel”

A diretora contou em entrevista à ELLE sobre sua careira e relação com a moda.

Filha do grande cineasta Francis Ford Coppola. Foi assim, por meio de seu sobrenome famoso, que Sofia Coppola foi apresentada ao mundo. Mas essa é uma história antiga, pois a diretora de filmes como As Virgens Suicidas (1999), Maria Antonieta (2006) e Bling Ring: A Gangue de Hollywood (2013) provou há muito tempo que possui brilho próprio para seguir caminhando.

Aos 45 anos, e dona de um Oscar de roteiro original por Encontros e Desencontros (2003), ela foi eleita em maio, na mais recente edição do Festival de Cannes, como a melhor diretora por O Estranho que Nós Amamos, que chega em agosto às telas brasileiras. Detalhe: foi a segunda mulher a ser premiada nessa categoria em 70 anos de existência do evento cinematográfico francês.

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Mas os diversos prêmios e todo o barulho em torno de seu nome não afetam o seu jeito discreto de ser. Ela é avessa às redes sociais e muito apegada à família. “Minha origem é italiana. Gostamos de dedicar tempo uns aos outros, de sentar à mesa juntos”, diz ela, que atualmente mora em Nova York, mas passa metade do seu tempo em Paris.

Mãe de duas filhas, Romy, 10 anos, e Cosima, 7, Sofia se casou em 2011 com o músico Thomas Mars, vocalista do Phoenix, com quem diz ter praticamente um relacionamento a distância. “Viajamos muito, então, quando nos encontramos, temos sempre algo para compartilhar. Por isso é bom estarmos distantes em alguns momentos.” Nesta entrevista, ela fala de moda, de suas inspirações e dá mais detalhes de seu último longa-metragem, estrelado pelos atores Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Colin Farrell.

Elle Fanning, Nicole Kidman, Sofia Coppola e Kirsten Dunst no Festival de Cannes.

Elle Fanning, Nicole Kidman, Sofia Coppola e Kirsten Dunst no Festival de Cannes. (Chris Jackson/Getty Images)

O que o festival de Cannes significa para você?

Ele está diretamente relacionado à minha vida. Desde criança, eu vou a Cannes com meu pai. Meu primeiro filme, As Virgens Suicidas, esteve na mostra e fui jurada em 2014. Logo, é muito significativo e importante em minha carreira.

Seu novo filme é uma adaptação do romance de Thomas P. Cullinan e já houve uma versão filmada por Don Siegel. Por que você decidiu mergulhar nesse projeto?

Uma pessoa da minha equipe me lançou a ideia. Eu nunca pensei que faria um remake, mas, depois de assistir ao filme original e ler o livro, concluí que seria interessante filmá-lo, mas do ponto de vista das personagens femininas. A trama se passa durante a Guerra Civil norte-americana, quando um soldado do norte é encontrado ferido e levado a uma verdadeira hospedagem sulista, num internato feminino. Ele estuda o caminho para o coração de cada uma das solitárias mulheres e acaba jogando umas contra as outras e, no fim, contra si próprio. É uma história muito interessante sobre as relações de poder entre homens e mulheres, um tópico universal e extremamente atual.

E como foi a escolha do elenco?

Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning e todas as outras atrizes, eu já tinha em mente enquanto escrevia o roteiro. No caso de Colin Farrell, meus consultores de elenco ajudaram. E, quando o conheci, imediatamente percebi que era perfeito para o papel por ter uma personalidade bruta e carismática ao mesmo tempo, o que provocaria um contraste muito interessante com as personagens bem femininas que a história traz.

Você se define como uma feminista?

Sinto que essa palavra é bastante usada atualmente e de uma forma muito carregada. Mas é claro que eu acredito nos direitos iguais para todas as pessoas e reafirmo que é importante ter mais pontos de vista femininos na arte e no cinema.

 (NBC Universal/Divulgação)

Quais mulheres a influenciaram na sua escolha profissional?

A cineasta Jane Campion era uma grande inspiração quando era mais nova. Eu sempre estive rodeada de diretores homens e vê-la fazendo filmes fortes causou uma grande impressão em mim.

Você assinou a direção do comercial do relógio Panthère, da Cartier, que foi relançado e acabou de chegar ao Brasil. Como foi o processo de criação?

Comecei pela música. As criações do produtor e compositor italiano Giorgio Moroder surgiram primeiramente em minha cabeça para depois começarem a aparecer as imagens. Eu queria evocar os anos 1980, época em que o relógio foi lançado, por meio das garotas descoladas e musas daquela década, como a atriz Lauren Hutton, que atuou em Gigolô Americano (1980) . Depois, pensei em como seria o dia perfeito na vida de um relógio Panthère, em pequenas fantasias da mulher sexy e glamourosa que o usa, e coloquei uma pitada de diversão. Vejo esse lado fun da marca.

Você já foi eleita por diversas revistas como “a mulher mais estilosa” de determinados eventos. Como você se sente?

Fico surpresa. Eu amo moda, mas não gasto muito tempo diariamente me preocupando com isso. Claro que, no caso de uma festa ou lançamento importante, eu faço um esforço maior!

Em termos de estilo, quais mulheres a inspiraram?

As atrizes francesas Aurore Clément e Carole Bouquet. Ambas eram amigas de meus pais e estavam sempre lindas e bem-vestidas. Aurore, por exemplo, sempre usava looks minimalistas, com camisas masculinas brancas, o que agora é bem comum, mas na época era inusitado. Eu ficava fascinada!

 (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Antes do cinema, você pensou em trabalhar com moda, certo?

Quando eu era muito jovem, minha vontade era ser editora de uma revista fashion, como a Diana Vreeland. Mais tarde, cheguei a fazer um estágio na Chanel, quando conheci Karl Lagerfeld. Ele foi tão legal comigo! Mas, depois de um tempo, os filmes me conquistaram e passei a flertar apenas eventualmente com a moda, como nessa colaboração com a Cartier.

O que você gostaria de ter das coleções dessa temporada?

Fiquei isolada em minha salinha escura de edição por tanto tempo que eu não faço ideia das novidades. Estou animada de poder sair agora pelo mundo e descobri-lo de novo. É como se estivesse saindo do casulo. De qualquer forma, gosto de ter um uniforme. Quando estou trabalhando, visto minhas camisas da Charvet e jeans pretos sem ter que pensar. A peça mais recente que comprei foi na última vez que estive em Paris. Passei no brechó Didier Ludot e garimpei uma jaqueta pink brilhante da Chanel dos anos 1990, que estou louca para usar.

Quais são seus próximos projetos?

Ainda não sei. Estive trabalhando tanto, então o que quero mesmo agora é uma pequena pausa para ter uma vida de novo. Somente depois desse descanso, vou começar a pensar em algo novo.

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