SZA mostra que, para crescer, é preciso admitir fraquezas

A cantora de 26 anos lançou um disco em que, sem medo, confessa sua fragilidade e mostra que empoderamento não é brincadeira.

Sabe quando você ouve uma música e ela parece descrever exatamente certas situações da sua vida? Então, fica o desafio: ouça o disco Ctrl de SZA e tente não se relacionar. Em seu primeiro LP, a cantora norte-americana de 26 anos remonta sem medo, em suas letras e na maneira como canta, a fragilidade de seus sentimentos pós-término. Isso sem contar a presença invasiva do luto pelo qual teve que passar no ano passado: ela enterrou três amigos, a mãe de um namorado antigo e sua própria avó. Todos esses temas são contemplados no disco que, apesar do nome, fala sobre a nossa incapacidade de controlar os sentimentos que invadem nosso espírito.

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Capa do primeiro LP de SZA, o Ctrl. (SZA/Divulgação)

Para entender a sensibilidade de SZA (que, na verdade, se chama Solana Rowe) é só descobrir um pouco mais sobre sua relação com música. “Eu tenho muita ansiedade para parar minha vida e ficar ouvindo música. Não consigo”, disse à uma publicação norte-americana. “Às vezes ela fica parecendo um barulho apenas, mas, também, em outras circunstâncias, é capaz de me afetar tão profundamente que eu simplesmente não consigo me recuperar.” Colocando a sua voz cada vez mais no front de suas canções, a cantora indie tem impressionado a crítica e seus parceiros na música. “Ela é uma das mais talentosas compositoras e cantoras do momento”, declarou Pharrell Williams. Kendrick Lamar — que participa da faixa “Doves In The Wind” do disco — também rasga elogios: “SZA é a única pessoa que me inspira musicalmente hoje em dia. Ela sabe como contar uma história.

Não queria ter sido tão dura com o meu ex-namorado, não queria tê-lo machucado. Mesmo assim, isso não significa que eu não senti tudo o que está no disco. – SZA

O mais interessante é que tudo começou por acaso. Na verdade, na família de SZA — devota do islamismo — o rapper desde criancinha era seu irmão. Foi só depois de gravar um refrão para ele — e de ter odiado o resultado — é que a então amadora decidiu trilhar o seu próprio caminho. A princípio, isso foi levado como um hobbie — seu sonho, antigamente, era trabalhar com moda. (Aliás, vale a pena ficar de olho em seus looks despojados e divertidos). Aos poucos uma coisa foi se sobrepondo à outra até o momento em que tornou-se o centro de sua vida. “Eu nunca fui dessas meninas que cantava na igreja, mas essa experiência acendeu uma chama dentro de mim.”

“Teve um dia que eu fui numa vidente f***, em Los Angeles, e ela me disse que eu vim a este planeta para empoderar mulheres“, conta a cantora. “Eu pensei comigo: ‘ok, isso não é exatamente uma coisa que eu pedi, mas sempre senti essa vibe na minha vida. Acho que agora que tem alguém confirmando o que eu já imaginava, eu realmente tenho uma responsabilidade.” Apesar de ter colocado esta missão para si, no lugar de falar sobre feminismo de uma maneira direta como as grandes popstar negras do momento têm feito (pense nas irmãs Solange e Beyoncé Knowles e em seus extraordinários discos A Seat at the Table Lemonade, respectivamente), SZA — apesar de ser fã declarada das duas — parece seguir uma outra direção: a da vulnerabilidade.

“Eu precisava dizer o que estava sentindo e não esconder tudo atrás de uma parede”, disse a Rolling Stone estadunidense sobre seu processo criativo. “Tem até músicas que eu deixei de fora do disco por serem ‘too much’. (…) Não queria ter sido tão dura com o meu ex-namorado, não queria tê-lo machucado. Mesmo assim, isso não significa que eu não senti tudo o que está no disco. (…) Eu só precisava cantar. Precisava pensar sobre tudo isso.” Ouça Ctrl abaixo e, junto com SZA, perceba o quanto é necessário reconhecer fraquezas para conseguir erradicá-las e evoluir.

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