Exposição de Jean-Michel Basquiat é imperdível se você está em SP

A mostra do CCBB de São Paulo é a primeira do artista no país.

Foi num bar do East Village, em Nova York, que a jovem Suzanne Mallouk conheceu Jean-Michel Basquiat (1960-1988). Ele cheirava a uma mistura de couro, tinta a óleo, erva e cocaína, vestindo um suéter de lã e um longo poncho mexicano – assim descreve Jennifer Clement no livro Widow Basquiat: A Love Story.

A partir do dia 25 de janeiro, essa figura intrigante e sua obra explosiva são o tema de uma exposição que ocupa quatro andares do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. Ali, a trajetória curta – morreu com fatídicos 27 anos, vítima de uma overdose de heroína – e meteórica do norte-americano, de origem mezzo haitiana mezzo porto-riquenha, é repassada em 80 telas, desenhos, litografias, cadernos e até portas de madeira pintadas por ele.

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 (Sem título (1983)/Divulgação)

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Das frases que espalhava pela cidade sob o codinome de SAMO (a abreviação Same Old Shit) à colaboração transformadora com Andy Warhol, Basquiat desenvolveu ao longo de uma década uma produção única, capaz de alinhavar influências de jazz, quadrinhos, hip-hop, música africana e literatura beatnik a sua base original de grafite. Essa espécie de ponte entre o universo das ruas e as galerias o levaria a ser hoje um dos artistas mais disputados e valorizados do século 20.

“Ele representa toda a atmosfera efervescente de Nova York naquele momento. Uma época em que a cidade estava falida, com problemas de infraestrutura e violência, mas com uma energia cultural e artística ímpar”, diz o curador Pieter Tjabbes, que conduziu a longa negociação de empréstimo das obras com o colecionador israelense radicado em Nova York, José Mugrabi. Vem de seu acervo monumental todo o conjunto de obras apresentado no Brasil. Orçada em 15 milhões de reais, a mostra que o CCBB leva para Brasília (abril), Belo Horizonte (julho) e Rio de Janeiro (outubro) levou o Masp a cancelar uma exposição do artista que articulava para o mês de abril.

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Reconhecido especialmente a partir de 1980, Basquiat montou uma banda (Gray), atuou num filme sobre a própria vida (Downtown 81, de Edo Bertoglio e Glenn O’Brien) e participou de mostras importantes, como a 7ª Documenta de Kassel (1982) e a Bienal do Whitney Museum (1983). Ao mesmo tempo que era bajulado por colecionadores e expunha ao lado de seus ídolos, como Robert Rauschenberg e Jean Dubuffet, sofria preconceito por ser negro. “Essa é mais uma plantação de algodão de brancos”, ele costumava dizer quando ia ao MoMA e não via negros entre artistas e público.

“Essa questão atravessa sua vida. Ele era uma celebridade no mundo da arte, mas ia ao supermercado e era encarado por ser negro”, lembra o curador. Famoso por incorporar as coroas – iconografia fundamental dos pioneiros do grafite de Nova York e Los Angeles –, Basquiat é hoje coroado com revisões de toda ordem. “Quis montar uma exposição que trouxesse sua potência ao público brasileiro”, resume Tjabbes, mencionando o apelo especial do artista junto ao público jovem.

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