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#EraAgeless: “envelhecer é um estado de espírito”, diz Lenny Niemeyer

O uso do termo “anti-aging” (anti-idade) está em queda. Desde 2017, quando grandes marcas e veículos de comunicação decidiram pelo fim de seu uso em campanhas e editoriais, a ideia de que o envelhecimento é um processo a ser combatido está sendo repensada. O acontecimento deu espaço para reflexões sobre autoestima e autoconhecimento — e o impacto desse novo momento nos faz questionar cremes e tratamentos de beleza, mas vamos além. O que está em pauta para a mulher madura hoje? Como repensar a velhice e o que muda com esse novo discurso? Lenny Niemeyer, hoje com 66 anos, responde em entrevista exclusiva para a ELLE.

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Você cresceu na praia. O que você vê que mudou de lá para cá, em termos de como nos vestimos e como nos sentimos? 

Acho que o que mais mudou foi o comportamento da ida à praia. Antigamente íamos para nos bronzear, hoje a praia é local de ponto de encontro para diversas atividades e práticas de esporte e exercício em geral. Outra mudança de comportamento foi a busca pela proteção contra os raios UVA e UVB, que inclusive fez com que a indústria têxtil investisse em tecidos tecnológicos que oferecem esta proteção. Nossas lycras todas têm fator 50. As praias em cidades urbanas contam ainda com o lifestyle do pós-praia. Costumamos, aqui no Rio, ir à praia e de lá emendar programas como almoço, compras, reuniões, etc. E isso muda a maneira como você se veste. Mas o que se mantém e eu gosto bastante é a democracia aplicada na praia. “O sol brilha para todas as tribos”.

Ainda existem estigmas ou regras sobre a maneira de se vestir na praia e na piscina, dependendo da idade?

Acho que isso é uma questão extremamente pessoal. Não acho que tenha regras e sim bom senso e respeito a autoestima de quem quer que seja. As diferenças são bem vindas.

Como é a idade para você? Você teve medo de envelhecer? 

Clichê, mas a mais pura verdade: envelhecer é um estado de espírito, e eu me sinto com muita disposição e vontade de viver e trabalhar.

A velhice é uma ideia temida, e seus benefícios nem sempre são falados, como por exemplo o fechamento de algumas questões que eram fortes na juventude. Existia algo que te incomodava e que deixou de ser um problema ao longo da vida?

Quando eu era jovem tive mais medo de encarar este tema. A velhice era diferente, a expectativa de vida era muito menor, principalmente com qualidade de vida. Temos o avanço da medicina a nosso favor e a velhice deixou de ser problema. O que deixou de existir ao longo de minha vida foram as incertezas de realização profissional e pessoal. Consegui me realizar naquilo que um dia temi: ser boa mãe, construir uma linda família e obter conquistas profissionais. Agora minha expectativa fica por conta dos caminhos que meus filhos seguirão. Minha preocupação se tornou a felicidade deles, porque em minha vida está tudo certo.

Existem muitas gurus, como Iris Apfel, que se tornaram vozes na moda por se vestirem sem dar ouvidos às regras da idade. O que você acha dessa combinação de idade e estilo?

Acho que mulher bem resolvida e autêntica deve ser referência para as demais. O que precisamos alimentar é nossa autoestima e isso é um exercício também diário para cada mulher, independente de idade.

Sempre falamos sobre estilo e velhice também, mas às vezes não falamos sobre presença, família, vida, sobre ficar sozinha e sobre autoconhecimento. Como você vê tudo isso? 

Não tenho medo da solidão. Minha vida inteira foi em torno da presença dos amigos e familiares, ou seja, nada irá mudar até o fim de minha vida. Cultivo minhas amizades e estou sempre disposta aos encontros.

Você tem algum ícone ou inspiração que se mantém até hoje? 

Me inspiro em mulheres lutadoras, que não desistem das conquistas de seus sonhos, por mais difíceis que sejam e me esforço para também inspirar aquelas que convivem comigo.