Os múltiplos talentos do cantor uruguaio Jorge Drexler

Adepto das transformações, o cantor uruguaio Jorge Drexler mostra seu talento como ator, músico e poeta

“Faz dois anos que digo sim a todas as experiências novas”, diz o cantor
Foto: Divulgação

“Sou doente por mudanças.” Não é por acaso que Todo Se Transforma é uma das músicas mais queridas pelos fãs de Jorge Drexler. O cantor, 48 anos, tem se entregado a projetos cada vez mais variados – e com muita versatilidade. Depois de se embrenhar pelo mundo da tecnologia, com a criação do aplicativo N (que permite ao usuário editar três canções compostas por ele), em junho ele participou do festival alemão de poesia Poetry on the Road. Vencedor do Oscar com a música Al Otro Lado del Rio, do filme Diários de Motocicleta (2004), de Walter Salles, Drexler estreia nos cinemas brasileiros em agosto, desta vez como o protagonista do longa A Sorte em Suas Mãos, do diretor argentino Daniel Burman. “Faz dois anos que digo sim a todas as experiências novas”, diz o uruguaio, que esteve no Brasil em maio passado.

De onde veio a ideia do aplicativo N?

De um grupo de amigos que desenvolvem aplicativos, o Wake App. Eles me chamaram para fazer um aplicativo com minhas canções, e comecei a pensar em uma ideia original para aproveitar essas máquinas terríveis e maravilhosas que são os tablets e celulares: fazer canções combinatórias. Eu entrego a trama e o ouvinte faz o desenlace. As canções precisam do caos e da intervenção de outra pessoa.

É isso que você associa à “modernidade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman?

Eu não tinha lido Bauman quando fiz o aplicativo. Depois li e gostei de usá-lo como exemplo. O aplicativo quebra o paradigma da liquidez da realidade. Tudo muda rapidíssimo. Como a canção The Song Remains the Same, do Led Zeppelin. Não: the song doesn’t remain the same. A canção nunca é a mesma.

Você tem vários parceiros brasileiros. Como é a sua relação com a nossa música?

Na verdade, não sei como tenho essa relação tão intensa com a música brasileira. Sempre tive a impressão de que essa musica era minha. Hoje me identifico muito mais com a MPB do que com a música do mundo hispânico. Poderia fazer uma lista dos meus parceiros brasileiros. Na verdade, eu seria mais breve se fizesse uma lista de quem ainda não foi meu parceiro. Não trabalhei com o João Gilberto nem com o Chico Buarque, mas é um sonho.

Você já ganhou um Oscar, escreveu várias trilhas sonoras e agora começou a atuar. O que o cinema significa para sua carreira?

O cinema foi incrivelmente generoso comigo, me deu mais coisas do que jamais sonhei. Muita felicidade, muita criatividade, muitas canções, prêmios lindos. Gostei de atuar e repetiria. E isso é um chamado aos diretores brasileiros! Me liguem porque eu gosto de trabalhar. (risos)

E com a participação no festival Poetry on the Road, assume seu lado poeta?

É curioso isso. Não sou um poeta. Poesia precisa de autonomia, e minhas letras precisam da música. Tenho poucas poesias autônomas, mas gosto muito da poesia clássica, da métrica tradicional, e aceitei participar do festival porque gosto de provar todas as maravilhosas coisas que aparecem pelo caminho.
 

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