A Cosmo Swim cria biquínis para sermos felizes com nossos corpos hoje

A marca brasileira não aposta no projeto verão, mas na felicidade do agora.

Abro o Instagram para olhar os Stories e, entre um e outro amigo falando sobre seu dia ou sobre o momento no qual o Brasil vive, aparece uma propaganda que, em vez de me causar a necessidade imediata de consumo, me traz uma sensação de calma. Foi assim que vi pela primeira vez os biquínis da Cosmo Swim, protagonizados por Nuta Vasconcellos, a escritora e empreendedora que fala de autoestima e desenvolvimento feminino. Ela não usava muita maquiagem, me parecia confortável — e não apenas no biquíni, mas também em sua própria pele. Na parte de cima da tela, aparecia o nome da marca. Cliquei e entrei num mundo de satisfação pessoal do qual não há mais volta.

“Quando compramos um biquíni que está em um modelo com o corpo diferente do nosso, é como se fosse um promessa. É uma sensação que fica, mesmo que inconsciente. Eu não quero fazer biquínis para o corpo que você pode ter amanhã, se fizer muito esforço. É para o agora”, conta Lucia Hsu, desenvolvedora da marca, hoje com 31 anos. Para ela, que é carioca e fã de praia, a trajetória da moda praia parece quase natural. Mas o que fez com que ela traçasse um caminho diferente de outras marcas, que apostam na pegada fashionista, carão, photoshops mil e full make up nas fotos?

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A resposta não cabe em uma linha só, mas pensando na história de muitas mulheres, ela fica mais simples de ser compreendida: Lucia fazia um trabalho criativo (era redatora e já passou por marcas como a Farm), mas faltava autoconhecimento e autoestima para entender como aplicar seu potencial em algo que tivesse tudo a ver com ela.

Depois de muita terapia e alguns encontros com as realidades da vida, a ficha foi caindo sobre qual tipo de impacto ela queria ter no mundo. “Eu era alguém que se via através dos olhos dos outros. Quando visitei a irmã do meu marido, que tinha acabado de passar por uma quimioterapia, percebi que, na vida, não dava para perder tempo. Não dava para viver com a sensação de que algo faltava em mim, com a necessidade de alcançar algo que não vai dar, sabe?”, declara. (“Sei bem”, penso eu). Quem vê o mundo paradisíaco de biquínis e corpos confortáveis criado por meio do Instagram da label imagina que ele foi imediato e sempre existiu para sua criadora. Mas é claro que não é assim.

Além do estilo elegante e minimalista, da modelagem sincera, e do tecido que permitem que o biquíni transite entre vários ambientes, a Cosmo está conquistando mulheres ao redor do Brasil por usar as redes sociais para falar sobre autoestima. E quem escreve os Stories — nos quais é possível ler desde dicas de como melhorar uma segunda-feira até papos sobre desconstrução — é a própria Lucia. “Foram coisas que eu fui aprendendo, e que eu fui vendo que pessoas fora da minha bolha não tinham acesso, porque não têm acesso a um profissional, à terapia. E eu precisava comunicar algo com a marca. Mas queria que fosse algo verdadeiramente útil. Eu não iria inventar uma história, e dizer ‘pegue seu biquíni e curta seu verão’, me parecia superficial demais. É tipo o que a Capricho poderia ter sido pra gente na nossa adolescência”, comenta.

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Antes do editorial com Nuta, no entanto, a marca precisou ultrapassar suas próprias barreiras, já que o orçamento enxuto (e sem investidores) dificultou a criação de uma grade de tamanhos mais extensa. Hoje ela abarca do P ao GG com conforto, e mantém o estilo natural que é identidade da marca, independente (e em conjunto) com celulites, dobras e pelos. “Eu acho errada essa sexualização da moda praia. Quis naturalizar isso tudo, com espontaneidade, relax como somos.”

Entre os próximos passos da label está criar maiôs e vestidos, mas continuar com itens atemporais. “O maiô poderia ter sido o primeiro passo, já que é mais fácil de vender, mas decidi fazer biquíni primeiro. Na praia, quando queremos pegar sol na barriga, precisamos de biquíni”, conta.

“É muito louco que em 2018 a gente tenha que pensar nisso, que finalmente criaram um biquíni confortável!”, conta Lucia, que finaliza refletindo sobre o significado da Cosmo: “o que estou fazendo não é revolucionário, não devia ser. Às vezes até penso que estou fazendo o que é obvio. Mas sentia que tinha que ser algo mais profundo”. De qualquer forma, pensar em como seria a vida para muitas mulheres se as marcas — e o mundo — tivessem essa postura com celulites, diversidade corporal, diversidade étnica e o que mais couber dentro da ideia de liberdade é um caminho tentador demais para não ser percorrido.

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