A Cute Circuit quer mudar a indústria da moda com tecnologia

No Brasil para o WeAr Festival, conversamos com os fundadores do estúdio sobre como a wearable technology pode ser útil para o futuro da moda.

Luzes coloridas, LED, baterias levíssimas e interatividade não são palavras que você associaria normalmente a uma peça de roupa. No projeto da italiana Francesa Rosella e do americano Ryan Genz, porém, esses elementos são tão importantes quanto os tecidos. Com parcerias com maisons tradicionais como a Chanel (eles foram os responsáveis pelas bolsinhas do desfile de verão 2017) e celebridades que apoiam a marca como Katy Perry, a Cute Circuit vem ajudando a dar fôlego ao debate de moda e tecnologia.

Não por acaso, eles são uma das atrações principais do evento WeAr, que debate em São Paulo e no Rio de Janeiro exatamente como esses dois universos se encontram em 2017. Os criadores da Cute Circuit, hoje baseada em Londres, ficaram famosos por apostarem na “wearable technology” e defendem seu uso no dia a dia. “Todos querem roupas que performem, representem sua personalidade, sejam legais e confortáveis. Os wearables permitem que as pessoas se expressem ainda mais, esse é o ponto principal da tecnologia na moda”, explicam em entrevista à ELLE. A HugShirt, por exemplo, é uma de suas criações mais famosas e permite que as pessoas se abracem à distância via um aplicativo que se conecta à camiseta. “Nós tentamos remover a camada de desconexão que o mundo digital pode causar ao colocar o foco novamente em cada ser humano”, explicam.

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Deixar as peças mais interessantes do ponto de vista estético e sensorial, no entanto, não é o única circustância a ser considerada ao pensarmos em tecnologia na moda. Responsável por tantos problemas sociais e ambientais, a indústria não pode avançar na aparência dos produtos e deixar de lado as inovações benéficas em sua cadeia produtiva. Confira abaixo o que os fundadores da marca comentaram sobre o assunto:

Como a tecnologia pode ser usada para a criação de um futuro mais sustentável na indústria da moda?

Desde que desenhamos nossa primeira coleção, pensamos no ecossistema como um todo. As peças são desenhadas considerando seu ciclo de vida e o que acontece em cada etapa. Por exemplo, múltiplas formas de carregar baterias foram inventadas, como usar a entrada USB dos computadores, energia solar, etc. Recarregar as baterias é sempre mais amigável para o ambiente do que utilizar baterias descartáveis e jogá-las fora (como ainda acontece muitas vezes no mercado). A Cute Circuit é a primeira marca de moda a criar peças interativas que já implementam essas práticas sustentáveis. Temos um sistema de reciclagem de roupas antigas, então todas os eletrônicos podem ser reutilizados ou reciclados para diminuir o impacto ambiental. As peças também são produzidas usando tecidos certificados pela OekoTex (sem pesticidas e outras substâncias perigosas) e os eletrônicos são compatíveis com RoHS (sem mercúrio e outras substâncias danosas).

A moda tem que engajar com novas mídias se ela quiser continuar relevante e conectada com o tempo em que vivemos.

Como vocês acreditam que os wearables estão sendo vistos hoje?

A única diferença ao se usar uma peça da Cute Circuit é que elas trazem mágica e diversão ao guarda-roupa. Acreditamos que a percepção de peças tecnológicas com informação de moda está rapidamente se tornando uma parte importante da indústria ao passo que o público passa a enxergar cada vez mais peças no mundo real. Nem todas os wearables do mercado são fashion. Muitos deles são pulseirinhas de plástico e é daí que surgem várias concepções errôneas. Integrar a moda e a tecnologia não é sempre fácil e você vai ocasionalmente encontrar pessoas que imaginam vestidos carregados por baterias gigantes de um carro e com cabos elétricos dentro. Felizmente este não é o caso da CuteCircuit. Não há nenhum fio dentro das nossas peças e as baterias são pequenas (como uma moeda de 50 centavos, por exemplo).

Por que associar mídias sociais a roupas?

Peças como a HugShirt ou a Mirror Handbag, parte da nossa última coleção, viraram representações do nosso estado mental, uma ferramenta mágica para compartilhar emoções com nossos amigos mais próximos e também com os que estão longe. Esse é o motivo pelo qual nós integramos as mídias sociais nas funcionalidades dos apps de nossas roupas, para realmente ampliar as conexões humanas, criando tecnologias que podem nos conectar em vez de separar. Algumas vezes, quando pessoas pensam sobre tecnologia, eles imaginam amigos em uma mesa de jantar sendo distraídos por um celular e cada um se perdendo em seu próprio mundo digital. Em vez disso, nós tentamos remover a camada de desconexão ao colocar o foco novamente em cada ser humano presente. Assim, eles ainda são capazes de se comunicar com alguém que está longe, mas também estão presentes no momento por meio de um display pessoal, que é interativo e divertido. As mídias sociais claramente viraram uma parte importante do dia a dia das pessoas, e a moda não deveria simplesmente ignorar isso. Ao contrário, a moda tem que engajar com novas mídias se ela quiser continuar relevante e conectada com o tempo em que vivemos.

mirror-handbag-cute-cicuit Mirror Handbag.

Mirror Handbag. (Cute Circuit/Reprodução)

Vocês concordam que os wearables podem ser vistos como algo inacessível? Isso é algo que os preocupa quando vocês estão criando?

Todos querem roupas que performem, representem sua personalidade, sejam legais e confortáveis. Isso vale tanto para celebridades quanto para os seus amigos. Estamos levando a moda a outro nível nesses aspectos. Nossos produtos permitem que você se expresse mais, e eles estão incluindo um novo vocabulário à moda. Da nossa perspectiva, esse é o ponto principal da tecnologia na moda: levar a moda ao futuro de uma forma relevante, conectada e poderosa. Se as pessoas também enxergam nossas peças como arte, uma arte que você pode usar e é funcional, isso seria uma grande honra.

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