A história de amor entre o Instagram e a moda: qual o segredo de sucesso do app?

Não tem como escapar: a rede social baseada no compartilhamento de fotos é (de longe) a mais influente no reduto fashion. Por isso, ELLE investiga como surgiu essa paixão e qual o seu futuro.

Antes de entrar no Instagram, Marc Jacobs era um dos estilistas que cantavam no coro anti-internet. Suas declarações a respeito da perda de tempo e da futilidade das redes se juntavam as de Yohji Yamamoto que dizia que o wi-fi e o 3G estavam sugando nossa criatividade. No entanto, alguma coisa mágica no aplicativo conseguiu convencer o famoso estilista norte-americano do contrário. Hoje, a primeira foto das suas campanhas sempre é publicada com exclusividade em sua conta pessoal com um texto explicativo escrito pelo próprio designer. Além disso, ele também passou por um episódio cômico que rendeu até uma camiseta. Ou seja, Marc Jacobs – assim como o resto do mundo da moda – caiu de amores pelo Instagram.

 

DAN One night while watching RuPaul’s Drag Race I recognized one of our men’s sweaters on a tall, handsome contestant. His unique, artistic drag sensibility reminded me so much of the amazing drag characters of my club days at The Pyramid, Copacabana and other New York haunts I used to frequent. Upon realizing that Dan Donigan was MILK (who used to work with us at Marc Jacobs), I started following @bigandmilky on @Instagram. Today I share with you this portrait of Young American, Dan Donigan shot by David Sims for our Spring/Summer 2016 campaign as well as the touching direct message (DM) I received from Dan after “liking” one of his photographs: “Hey there! I want to start out by saying thank you! When I started working for the MJ stores 5 years ago, I wasn't sure what I wanted to do with my life. I was lost. All I knew was that I wanted to flex my creative muscle and most importantly, be happy. Working for your namesake company helped me along the way. It was living the summer of 2011 at the store in Ptown that opened my eyes to so many different outlets of what the art of drag could be. It wasn't necessarily about female impersonation. It was about representing oneself in the most fabulous way, whether it be a Cher impersonator or throwing a shit ton of glitter on your face and dancing the night away in a basement! 😍 Where I am now in my life is absolutely surreal. Of course I have worked my ass off along the way which has only made it that much tighter and easier to show off haha 😜As a 15 year old little boy, I would never have thought I would be here, travelling around the world, putting on makeup, and performing for fans. I am blessed to have had the past I had, a life that pushed me to reach and strive for something unknown yet better! Long story short(ish)…Thank you for following me and contributing to my creative life. It really does mean a lot 💗 Please feel free to shout whenever you would like to attend American Ballet Theatre. I know James, my boyfriend, would love to have you in the audience!!! Hope our paths cross soon! Xox Milk aka Dan” And I hope they keep crossing… To quote RuPaul, “we’re all born naked and the rest is drag." X, M.

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Campanha de verão 2016 de Marc Jacobs. Na foto, Dan Doningan (mais conhecido pela sua drag persona Milk) pelas lentes de David Sims

Um dos grandes entusiastas do movimento online é o francês Olivier Rousteing. Segundo Carol Ribeirosupertop brasileira que abriu seu desfile de verão 2016 – as modelos são praticamente obrigadas a tirar uma selfie com o diretor criativo da Balmain após a apresentação. “Tem até uma fila!”, relembra. Atualmente, é praticamente impensável almejar ser uma top sem se dedicar à rede social. Rodrigo Toigo, booker de modelos na Ford Models Brasil – uma das maiores agências do país – contou à ELLE que é comum usar o aplicativo para descobrir new faces. “Insistimos para que elas tenham perfis ativos porque isso pode ajudar a fortalecer sua imagem no mercado e conquistar mais clientes”, conta. Em um mundo no qual a foto de Kendall Jenner com as mechas de seu cabelo desenhando corações é a mais curtida da história do app, o conselho de Rodrigo vem a calhar.

Quando Gisele deu adeus às passarelas no SPFW, foram mais de 7 milhões comentando a despedida da musa

Christian Rôças, líder de parcerias estratégicas em entretenimento do Facebook e do Instagram concorda 100% com Rodrigo. “Não tem como fugir. Quando Gisele deu adeus às passarelas no SPFW, foram mais de 20 milhões de pessoas curtindo, postando ou comentando sobre moda no Instagram durante todo evento e 7 milhões comentando especificamente a despedida da musa”, diz. “Acho que essa plataforma participou ativamente no processo de democratização da informação de moda que tem acontecido nos últimos anos.” De acordo com ele, outra grande vantagem é que tanto uma maison de luxo como a Louis Vuitton ou uma marca pequena e independente tem as mesmas oportunidades de criar e contar sua história para um público cada vez maior dentro da rede.

É o caso da Mermaidss, etiqueta especializada em camisas com bordados descolados de estilo naif. “Por se tratar especialmente de fotos, o Instagram foi a rede social que mais nos interessou desde que começamos esse projeto”, diz Isabel Zachow, uma das idealizadoras da neo label. “Neste primeiro ano de vida, já temos mil seguidores. Postamos por lá para fazer com que nossos produtos cheguem a pessoas que ainda não nos conhecem”.

Sereia @chantalsordi com sua catmermaid wild at heart! Amamos sua escolha!😻

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Uma selfie da nossa editora de reportagem de moda Chantal Sordi usando uma camisa by Mermaidss foi parar no perfil da marca.

Rôças acredita que esse é um bom caminho a se seguir. Isso porque uma pesquisa feita pelo próprio Instagram sobre sua audiência indica que 53% dos perfis ativos usam o aplicativo para descobrir novas marcas e produtos.

Se o Instagram não se preocupar em se atualizar, é possível que ele perca a relevância

Sabendo que 50% de seus usuários seguem contas que falam sobre moda, o Instagram passa a ser uma obrigação para as marcas que querem se popularizar no meio fashion? “Não”, responde Daniela Bernauer, Account Manager do WGSN – renomada empresa de pesquisa de tendências. “Depende de quem você quer alcançar. A geração Z – parcela superjovem da população que anda cada vez mais conectada – está correndo para o Tumblr”, revela. Segundo a trend-hunter, essa é a rede que mais cresceu nos últimos dois anos. “No mundo digital, ou você se reinventa, ou cai no esquecimento”. Será que eles conseguem desbancar o Instagram do pódio no futuro? “Tudo pode ser substituído a qualquer momento no mundo digital. O que eu posso dizer é que outras redes também estão crescendo, o Snapchat é outro bom exemplo disso. Assim, se o Instagram não se preocupar em se atualizar conforme as coisas forem mudando, é possível que ele perca a relevância”.

 

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