A história de superação de uma das mulheres mais poderosas da moda

Jena Lyons saiu da J.Crew após 26 anos inspirando mulheres que nunca se conformaram com regras, o que tem muito a ver com a sua própria história.

Com a saída de Jenna Lyons da direção criativa da J.Crew na semana passada, muitos veículos especializados trataram o evento como se Jenna tivesse se tornado grande demais para a empresa. “A mulher que vestiu a América”, é assim que o New York Times resumiu a designer em um perfil, que há anos figura em listas das mulheres mais poderosas da moda. De fato, a carreira e consistência de Jenna é algo impressionante, mas ela trabalhou duro para chegar lá.

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 (Robin Marchant/Getty Images)

Nascida em Boston e se mudando poucos anos depois para a Califórnia, onde ela desenvolveu uma condição genética que deixava sua pele fraca e com marcas fortes, o período escolar não foi nada fácil para esta garota de mais 1.80m. Ela também tinha os dentes da frente faltando, o que colaborou para o bullying massivo que sofreu nessa época. “É impressionante como as crianças podem ser cruéis e julgadoras como se elas realmente falassem com consistência”, disse ela em 2013 à publicação Fast Company. “Eu senti uma necessidade muito grande de fazer roupas que todo mundo pudesse ter porque eu me senti a vida toda fora do mundo da moda e beleza”, completou.

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Esse assédio infantil, assim como alguns outros traumas, ajudou a moldar parte de sua ética profissional. Vindo de uma família pobre, Jenna precisou lidar com o peso do divórcio dos pais bem cedo. Um episódio em especial ajudou a lapidar a visão de vida dela. “Eu nunca vou esquecer da minha mãe parada no porto pensando, ‘Nós vamos conseguir comer atum nesta semana?’. Isso fez eu nunca mais querer precisar de um homem na vida. Eu pensei na hora, ‘Eu preciso dar o meu máximo’, não só para a situação do peixe, mas na vida”. E ela conseguiu.

jenna-lyons No décimo segundo CFDA Awards.

No décimo segundo CFDA Awards. (Andrew Toth/Getty Images)

Jenna foi para a J.Crew assim que se formou na Parsons, em 1990. No começo, a estilista confessou para a New York Magazine que era difícil ver alguma perspectiva. “Nós éramos soldados perdidos que recebiam ordens”, e este pensamento resume o momento pelo qual a empresa estava pensando. Já em 2003, Mickey Drexler foi contratado para dar um jeito na situação e um colega do alto escalão disse que Jenna Lyons seria a chave para não só arrumar tudo, como também alavancar o sucesso da marca.

Antes de colocá-la na posição de diretora criativa, um pequeno teste foi feito. Perguntaram qual era a opinião dela a respeito da coleção de womenswear e, peça por peça, ela criticou os itens que detestava, entre eles, cashmeres baratos e camisolas. Então, a pedido de Drexler, tudo foi jogado no chão. Ela obviamente estava assustada com a situação, mas sua indignação com os rumos que o design de moda havia tomado a irritava profundamente e isso foi maior do que seu medo de dar qualquer opinião.

 (Jacopo Raule/Getty Images)

“Eu não sabia se eu seria demitida. Eu estava confusa e com medo, mas eu também fiquei um pouco animada porque todas as coisas que eu gostava e que tinha uma boa direção estavam sendo penduradas na parede. E eu pensava: ‘Isso é bom? Isso é ruim?'”. Na contramão de todas as ansiedades, deu supercerto. Drexler adorou a iniciativa e os dois criaram uma química de trabalho que funcionava bem.

Os próximos passos de Jenna Lyons ainda são incertos, mas a indústria pode esperar uma mulher com muita fibra que precisou vencer seus traumas causados na infância para construir toda sua persona de trabalho. Se a J. Crew era pequena para o talento de Jenna que se fortaleceu durante os anos, somente o céu é o limite para ela.

 

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