Alber Elbaz sobre saída da Lanvin: “um dia após os desfiles, me sentia muito deprimido.”

Já imaginou ser aluno da Parsons School of Design (uma das faculdades de moda mais prestigiadas do mundo) e ainda assistir de pertinho a uma palestra de Alber Elbaz, ex-diretor criativo da Lanvin? Pois foi exatamente isso que os estudantes da instituição nova-iorquina fizeram na última terça-feira, quando o estilista participou de uma mesa redonda com a fundadora e editora da revista Paper, Kim Hastreiter, e com a consultora Julie Gilhart.

Durante o bate-papo, o designer francês chamou sua demissão, comunicada à imprensa e ao público em outubro do ano passado, de “tragédia” e falou sobre as mudanças na indústria fashion. Confira os highlights:

Saída da Lanvin

“Por vezes, finalizava uma coleção completamente esgotado e já sabia que estava atrasado para a próxima. Não é apenas sobre as horas extras ou o cansaço. Estilistas não são máquinas. Não podemos mais criar baseados nas necessidades inventadas do marketing. Desde que deixei a casa, tenho uma grande cicatriz. Nos primeiros meses, andava pelas ruas de Paris e estava chovendo. Nunca sabia se aquela chuva eram gotas ou minhas próprias lágrimas.” 

“Não é fácil ser eu. Um dia depois dos desfiles, eu ficava muito deprimido. As pessoas acham que a moda é uma grande festa que nunca acaba. É uma festa, mas eventualmente tem seu fim. O ciclo da vida passa por altos e baixos. Eu cheguei aqui [na Parsons, para a palestra] sem um motorista, uma secretária ou um assessor para me dizer o que falar. Existe algo fabuloso no fato de ser livre.”

Nova exposição Manus x Machina, do Metropolitan Museum of Art (MET):

“Aparecer é o novo preto. Mas eu prefiro ficar nos bastidores. Vi a nova exibição do Costume Institute e foi uma das minhas favoritas. Para mim, ela fala muito sobre isso, sobre ser discreto. O foco da mostra é puramente o trabalho.”

O uso da tecnologia nas faculdades:

“Você pode recorrer ao Google, mas precisa sonhar e pensar também. Ouço vários CEOs falando que precisam cortar os custos, para que o produto fique mais barato, enquanto varejistas atestam que só o que é caro vende. Se tivermos um diálogo melhor com a parte administrativa, e injetarmos mais amor e menos medo no nosso trabalho, teremos ótimas razões para acordar todos os dias. Nada me mata mais como designer do que a burocracia e a política.”

O modelo see now, buy now:

“Temos agora essa premissa do show now, buy now [uma alusão ao formato largamente discutido pela mercado nos últimos tempos, com foco maior no consumidor final]. Eu penso: ‘o que está acontecendo?’ Podemos construir um muro para nos proteger do mundo ou desenvolver uma mentalidade que nos ajude a se mover mais rápido. Acho que a moda construiu uma verdadeira fortaleza para si mesma. Essas mudanças são ideias jogadas contra um muro, para ver se colam.”

O que o futuro reserva:

“Quero estar em contato com o luxo, mas também com a rua. Adoraria experimentar uma realidade mais urbana e, ao mesmo, tempo, fazer roupas para as mulheres que eu amo.”

 

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