Alicia Keys: “não é apenas sobre usar ou não maquiagem”

Confira a entrevista completa da nossa estrela da edição de setembro.

A música pop norte-americana sempre ofereceu um ombro amigo a seus ouvintes. Não faltam letras incentivando a ir mais longe, buscar seus sonhos e amores, encontrar o paetê que faltava na sua vida. Desde que Alicia Keys tinha 20 anos e lançou Songs in a Minor (2001), disco que vendeu 12 milhões de cópias no mundo, ela segue emplacando hits nesse cancioneiro. Cara a cara com ela num estúdio de Nova York, para onde a equipe de ELLE viajou para clicar nossa capa e o ensaio a seguir, dá para entender de onde vem essa força que faz milhões ouvirem e repetirem o que ela tem a dizer. 

Alicia olha fixamente nos olhos de quem cumprimenta, dá um aperto de mão firme, compartilha um sorriso e é como se tudo em volta parasse e fôssemos puxados para o momento presente. Durante a sessão de fotos, ela é certeira na pose. Vestida de Louis Vuitton, Valentino, Miu Miu, abre um pouco a boca, vai cerrando os olhos, levanta o queixo 1 cm. De seus movimentos cuidadosos, vão nascendo fotos incríveis, que enlouquecem a todos no estúdio. “Ela parece que tem 20 anos!”, diz uma de suas assistentes enquanto a outra, focada como um DJ, não larga o Spotify, buscando a melhor trilha para sua chefe posar. “Ela gosta de Funkadelic e Parliament. Escolho coisas semelhantes.”

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A cada look, Alicia distribui hi-fives enquanto comemora, “que vibe!”, “vamos fazer isso ficar incrível”. Rebola, canta, faz um “neck dance” com o pescoço. Depois de quase sete horas de foto, ela vestiu seu look dia a dia: jaqueta jeans e calça com estrelas estampadas, óculos espelhados rosa e uma flatform Stella McCartney. De lá, seu motorista nos levou para o seu estúdio, no Meatpacking. A entrevista começou no carro, continuou no elevador e depois em uma sala com uma bela vista para a cidade, enquanto ela tomava um missoshiro.

Aos 36 anos, Alicia tem vivido um momento feliz na sua vida pessoal e profissional. É mãe de Egypt, 6 anos, e Genesis, 2, que teve com Swizz Beatz (Kasseem Dean), um reconhecido produtor de rap de 38 anos. Antes de se casar com Alicia, ele teve três filhos com mulheres diferentes. Toda essa turma aparece no clipe de Blended Family (What Do You Do for Love), faixa de seu último disco, Here (2016). Na canção, que tem também A$AP Rocky nos vocais, ela celebra os diferentes formatos de família e pergunta “o que você faz por amor?”, ao mesmo tempo que se lembra dos enteados: “Eu posso não ser realmente sua mãe/ Isso não quer dizer que eu não te ame”.

alicia-keys Alicia Keys usa vestido de malha bordado, Mikhael Kale, brincos, acervo da revista no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa vestido de malha bordado, Mikhael Kale, brincos, acervo da revista no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Alicia cresceu em Hell’s Kitchen – uma área próxima a Times Square, que naquela época costumava ser a mais barra pesada de Nova York. Ela raramente via o pai. A mãe a criou sozinha enquanto trabalhava como assistente em um escritório de advocacia. Quando Alicia tinha 12 anos, ela entrou para uma escola de artes dramáticas próxima à Broadway, ao mesmo tempo que estudava dança e piano clássico. Com a carreira já mais avançada, ela foi apadrinhada por Clive Davis, o produtor que também descobriu Whitney Houston. Sua voz versátil, com um timbre e uma entonação que parecem reverenciar diversos medalhões da música negra, de Marvin Gaye a Etta James e também Whitney (Alicia cantou em seu funeral, em 2012, para homenageá-la), renderam seis álbuns e 15 Grammys. Ao longo da carreira, criou hits que tocam repetidamente em rádios, bares e lojas de departamento de todo o mundo. Sempre combinando batidas clássicas da soul music com sonoridades mais pop. Como You Don’t Know My Name (2003) e If I Ain’t Got You (2003), emocionantes baladas soul. Ou as mais recentes – e com pegada mais pop – No One (2007) e Girl on Fire (2012).

No final de 2016, ela lançou Here, que marca sua nova fase. Mais do que nunca, Alicia bate na tecla do “seja você mesma”. Pouco antes do lançamento, ela publicou uma carta aberta no site de Lena Dunham em que lançou a campanha #nomakeup, questionando padrões de beleza. “Pode parecer bobo, mas acho que muitas são pegas por essa armadilha. Nos preocupamos com o que os outros pensam de nós e esquecemos de pensar por nós mesmos”, ela me diz. Na capa do disco, ela aparece de cara lavada, com sardinhas no rosto e cabelo natural. Na faixa Girl Can’t Be Herself, complementa toda essa história: “Quando uma garota não pode ser ela mesma, eu só quero chorar para o mundo/ E daí se eu não quero usar maquiagem no minuto seguinte após levantar da cama?” No dia da foto, ela escolheu métodos mais naturais para ficar bela, mas nem por isso mais simples. Chichi Saito, maquiadora de Tóquio residente em Nova York, preparou máscaras, hidratantes e usou um pequeno rolo de pedra jade, previamente resfriado na geladeira, para que sua pele ganhasse um glow. Além de um blush levinho. Durante os cliques, usava lencinhos para tirar o excesso de oleosidade da face de Alicia. “Na realidade, não é apenas sobre usar ou não maquiagem. É mais sobre viver e ser como você se sente bem e explorar isso”, diz, enquanto sua cabeleireira refaz suas tranças coloridas.

alicia-keys Alicia Keys usa vestido bordado com paetês e miçangas, Valentino e botas de couro, Salvatora Ferragamo no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa vestido bordado com paetês e miçangas, Valentino e botas de couro, Salvatora Ferragamo no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Você sempre falou de feminismo nas suas músicas. Em 2007, já cantava “eu sou uma supermulher”. Como você compara o início da sua carreira com o momento atual?

No início eu não imaginava que tantas músicas que eu escrevi e que falam sobre o valor da mulher iriam marcar minha carreira dessa maneira. Só faço isso porque é como eu sinto. Não sento e fico pensando no que vou escrever. É tudo parte da vida, de conversas, de como respiramos e dizemos as coisas. Superwoman (2007), por exemplo, não quer dizer que eu me sinta uma supermulher. Pelo contrário. Essa canção existe porque eu não me sinto uma supermulher. O importante é perceber que o mundo não evoluiu tanto como imaginávamos. Acaba sendo ainda mais importante que a gente tenha voz para expressar quem somos, o que queremos e como nos posicionamos. Também merecemos voz e igualdade, e isso não é privilégio masculino.

Girl Can’t Be Herself, do seu disco novo, tem tudo a ver com o seu momento. Quando começou essa busca por você mesma?

Acho que percebi como tudo pode ser opressivo, principalmente se você é mulher. Comecei a notar alguns padrões falsos de beleza: como você deve se vestir, como deve ser o seu visual e como deve se comportar. Se você não é feminina o suficiente ou se é muito masculina – e eu sempre fui moleca, nunca fui muito mocinha. Colocam essas coisas sobre nós e acabamos perdendo as referências do que somos, do que gostamos. Acaba virando um padrão. Então uma mulher maior como eu, que tem pernas, bumbum grande e músculos, poderia se sentir insegura com tanto julgamento. Eu me amo assim e cresci sendo encorajada a ser quem eu sou, mas poderia ter sido diferente.

Você já deve ter sentido esse tipo de julgamento na pele.

Sim, quando percebi o quanto estava sendo afetada por isso e como andava conformada com o que era esperado de mim, como usar maquiagem, ser magra, fiquei enjoada. Enjoada de ter que ser isso ou aquilo, em vez de escolher o que queria ser. Tem sido incrível descobrir sozinha como me sinto bem. Quando parei de usar maquiagem, não me reconhecia no espelho e levou um tempo para dizer: sou eu mesma. Foi fantástico! É um processo contínuo de descoberta pessoal sem julgamentos, preocupações e estereótipos. Quando uma amiga me disse recentemente que não gostava do que eu estava usando, respondi com um “tudo bem”. Em outras épocas, ficaria preocupada com o que as pessoas estavam pensando. É tão bom quando se está feliz porque, na verdade, eu gostava do que estava vestindo.

alicia-keys Alicia Keys usa body de cristais, Swarovski e jaqueta de couro, ambos Gucci e brincos, acervo da revista no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa body de cristais, Swarovski e jaqueta de couro, ambos Gucci e brincos, acervo da revista no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Você gasta mais tempo com a sua pele desde que começou a usar menos maquiagem?

São coisas simples. Aprendi que posso colocar gelo no rosto para ativar a circulação e até alguns óleos. Algo que eu nunca pensei porque minha pele sempre foi oleosa e eu achava que ficaria ainda mais. Estou aprendendo. Por exemplo, às vezes eu bebo muita água e em outras não bebo. Vejo a diferença quando me hidrato. É bem fácil de notar. (risos)

Você disse numa entrevista antes das eleições que gostaria de ter certeza de que todas as questões relacionadas aos afro-americanos fossem consideradas pelo novo presidente. Como você vê o futuro dos Estados Unidos em relação à diversidade depois desse episódio em Charlottesville?

Eu vou dizer algo que é muito óbvio. Podemos ver historicamente que os Estados Unidos são um país que foi construído oprimindo pessoas. Não conseguimos negar e esconder isso. Tudo isso vem acontecendo há muito tempo e nós fingimos que não. Não dá mais para jogar para debaixo do tapete e dizer: olha só até onde chegamos. Se há algo de positivo nisso tudo, até mesmo na política, é que não se pode mais negar que isso tudo existe, o racismo, essa ideia de supremacia branca. Está tudo aí.

alicia-keys Alicia Keys usa blusa de malha, Creatures of Comfort, sutiã, Victoria’s Secret, camisa de algodão, saia de seda e botas de couro, tudo Sacai no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa blusa de malha, Creatures of Comfort, sutiã, Victoria’s Secret, camisa de algodão, saia de seda e botas de couro, tudo Sacai no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Qual o papel dos artistas nesse momento?

Está na hora de começarmos a ter essa conversa e isso pode partir dos artistas e de todo mundo. Vamos nos perguntar o que estamos fazendo e o que deveríamos deixar de fazer. É preciso questionar e mudar. Esse é o papel do artista, do escultor, do pintor, do músico, do dançarino. É falar disso, afetar as pessoas e gerar conversas. A questão é complexa, mas a resposta é relativamente simples: precisamos parar de julgar uns aos outros e desfazer esse racismo institucionalizado, que é tão profundo e arraigado. Podemos começar ensinando nossos filhos. As crianças entendem. Os adultos é que são estúpidos. As crianças não ligam se você é de outra cor. Nós é que ensinamos eles a odiar.

Falando em filhos, como foi a experiência da maternidade?

Meu Deus… Mudei de todas as formas! Um dia, você é a pessoa que sempre foi e, depois que eles nascem, é outra diferente. É um ritual de passagem. Sei que mudei profundamente porque não é mais sobre você apenas. É sobre um ser pequenino que depende de você. Se não conseguir protegê-los, quem vai fazer isso? Mudou a minha maneira de lidar com tudo, com a minha carreira. O que é realmente perder tempo? Passamos muito tempo vivendo para os outros, tentando agradar e, depois que nos tornamos mães, isso muda. A gente percebe o que é importante.

Você lançou seu álbum novo depois de um hiato de quatro anos. Estava ansiosa para começar um novo trabalho?

É que não é tanto tempo quanto parece. Nesses quatro anos, passei dois fazendo a turnê do álbum. E, quando você para, aí sim vai pensar no próximo projeto. Mas cada vez mais eu me dou conta de que o importante é a qualidade, e não a quantidade. A arte é criar alguma coisa que é parte de você e reflete o que sente. E quando fica pronto é isto: é verdadeiro e dura para sempre.

Você parece aberta para os novos artistas, trabalhou com nomes como A$AP Rocky, Kendrick Lamar. Sempre foi assim?

Eu era mais fechada, sentia que precisava proteger alguma coisa. Mas não é nada disso. Experienciar coisas novas é muito legal. Sou mais colorida agora.

Em um dos seus shows recentes, havia uma pochete para o público guardar o celular. Incomoda tantas câmeras na plateia?

Entendo as pessoas desejarem captar aquele momento. Você economizou, é uma noite linda na sua vida e você quer guardar. Mas nesse caso eu queria ter um momento íntimo porque estava mostrando músicas novas do álbum Here. Queria que só nós ali vivêssemos aquilo. Todos estavam engajados. Foi diferente. Às vezes, eu e meu marido não usamos o telefone no domingo. E é muito legal, por nós e pelas crianças. Nos sentimos muito mais no presente, vivendo o momento.

alicia-keys Alicia Keys usa vestido e estola de malha de poliéster e poliuretano, Issey Myiake no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa vestido e estola de malha de poliéster e poliuretano, Issey Myiake no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Você tocou no Rock in Rio de 2013. Quais são as suas expectativas para o próximo show?

Eu amei a experiência! O Brasil é um país com muita alma, eletricidade, muita vibração, arte e cultura. Acho que, quando eu voltar, vai ser igual, o mesmo tipo de amor, de energia de celebração. É isso que sinto sobre o país, um dos lugares que conheci no mundo onde as pessoas sabem se expressar melhor.

Mesmo em tempos difíceis, tentamos manter o bom humor.

Sim, é preciso se expressar sempre. Seja lá o que você fizer – cantar, dançar, gritar, fazer o seu protesto. Esses são os tempos que estamos vivendo em todo o mundo.

Sua música com o Jay-Z, Empire State of Mind, traz esse amor por Nova York. Por que você ama tanto a cidade?

É uma cidade dura, que chamamos de selva de pedra. Amo porque nasci aqui e me sinto familiarizada com tudo, com as ruas, com os negros e como vivem e trabalham, as regiões da cidade, as estações de metrô e os ônibus. Tem eletricidade e nunca são as mesmas pessoas. É uma efervescência de culturas diferentes e muita gente que não é daqui. Somos todos imigrantes, temos o Little Italy, o Chinatown, são mundos diferentes. Em cada lugar, você conhece uma coisa nova. O que me faz amar mais essa cidade é que é imprevisível e com tantas coisas para descobrir.

Você consegue andar pela rua sem ser abordada?

Sim, eu ando sozinha se quiser passar sem ser notada. É só me vestir mais discretamente. Mas, se eu quiser conversar, ou encontrar pessoas, tudo bem, também é divertido.

Tem alguma lição do início da carreira que compartilhou com os jovens do The Voice, nos dois anos em que foi jurada?

A maior delas é tentar achar uma maneira de ouvir a sua voz interior porque o mundo é sempre muito barulhento, e existe muita influência. É difícil ter clareza dos próprios pensamentos. E outra é descobrir o que é especial em você, ter propriedade disso e parar de se comparar. Ninguém é igual, os outros não fazem o que você faz e você não faz o que eles fazem. As pessoas têm as mesmas inseguranças. Então seja você mesmo. É difícil fazer isso, mas uma vez que consegue as pessoas vão ficar mais atraídas e você vai se amar mais.

alicia-keys Alicia Keys usa colete de couro bordado e vestido manga bordado, ambos Louis Vuitton no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle.

Alicia Keys usa colete de couro bordado e vestido manga bordado, ambos Louis Vuitton no editorial de moda “Alicia Is Here”, da revista Elle. (Zoltan Tombor/ELLE)

Qual a sua ideia de felicidade perfeita?

Aprendi que sou feliz com a perfeição da imperfeição. Gosto de ver as coisas assim porque, afinal, o que é perfeição? Parece um pouco intangível. Amo a ideia da imperfeição. Isso me deixa feliz e precisamos nos perguntar sobre o que nos torna felizes. Uma delas é o equilíbrio entre o tempo de lazer e o de trabalho. Sempre trabalhei muito e nós, norte-americanos, somos treinados para atingir o sucesso, os objetivos. Acho que o resto do mundo entende melhor o que é viver. Os norte-americanos não têm equilíbrio. Quero achar esse equilíbrio, não acordar e estar tão exausta, sem tempo para ser feliz. Que vida é essa?

É preciso ser eficiente para sobrar tempo para o resto.

Sim, a eficiência é uma boa palavra porque significa que você não faz demais, faz o que precisa ser feito. Temos que aprender como viver, ter qualidade de vida, em vez de apenas pensar em atingir objetivos e mais objetivos o tempo todo.

Como você quer estar daqui a dez anos? Aos 46.

Quero estar mais sexy do que nunca! Pela minha autoconfiança, minha paz interior e por ser quem sou e continuar me conhecendo cada vez mais. Acho muito sexy quando a pessoa sabe quem ela é. Quero estar no meu melhor, arrasando e participando do mundo. Espero que em 10 anos as coisas estejam drasticamente melhores. Você me perguntou sobre o futuro dos Estados Unidos e eu acho que não há saída a não ser seguir para cima. Hoje estamos meio em baixa, o mundo está em baixa, então acredito que a curva é ascendente agora.

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