Apenas 8% das modelos que apareceram nas principais campanhas de moda são negras

Duas vezes por ano, o site The Fashion Spot apresenta uma pesquisa sobre as principais campanhas do mundo da moda e analisa as escolhas das modelos pelas grifes. No estudo mais recente, de verão 2016, foram considerados 236 anúncios tanto de marcas de luxo como fast fashion. Apesar de 2015 ter sido um ano marcado pela luta feminista dentro e fora da internet, e por muita movimentação quando o assunto foi representatividade na mídia, o avanço foi pequeno nesse meio.

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Apenas 8.29% das modelos escolhidas foram negras. Enquanto isso, 78.20% foram brancas. Asiáticas, latinas e um campo para “outras” somaram 13.51%. Ainda é pouco, mas o número representa um aumento de 6.5% quando comparado às campanhas de inverno 2015.

“Há progresso no quesito diversidade racial”, disse Jennifer Davidson, editora do The Fashion Spot, em um comunicado. “Entretanto, estamos decepcionados ao constatar que modelos plus-size, acima de 50 anos e trans tiveram menos aparições do que nas campanhas de inverno 2015. É um retrocesso confuso, considerando a quantidade de atenção que elas receberam da mídia no último ano”.

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Mas por que é tão importante tentar acabar com os padrões nas campanhas de moda? A questão é que durante mais ou menos seis meses essas imagens ganham a internet, as páginas de revistas, os outdoors e até os aeroportos. Se apenas um tipo de beleza é contemplado, mulheres que não correspondem àquilo que é propagado como o ideal acabam sendo influenciadas a mudar suas aparências e, muitas vezes, passam a acreditar que precisam se adequar ao estereótipo dessas campanhas (que, como visto acima, é o branco europeu).

“Quando eu era pequena, a gente não tinha internet. Ou seja, não havia referência alguma de mulher negra para a gente se espelhar. Não existia paquita negra, sabe?”, relembrou a blogueira Magá Moura durante um ELLE Live no SPFW. Esse tipo de imagem moldou muitas crianças que, por exemplo, cresceram com a vontade de alisar os cabelos já que não viam em lugar nenhum bonecas ou propagandas com meninas de cabelos enrolados. Na internet, Magá encontrou Rihanna, Beyoncé e Solange Knowles e se inspirou a ostentar um cabelo poderoso que hoje virou referência para várias outras meninas.

A frase “representatividade importa” é muita usada quando a mídia escolhe mulheres que desafiam o padrão imposto historicamente. A gente espera que ela apareça ainda mais a cada nova estação!

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