Conheça a agência brasileira Squad, que pretende quebrar os padrões de beleza atuais

A Squad Agency começou há pouco mais de dois meses e já está dando o que falar. Com uma proposta inovadora, a nova agência da jornalista e stylist Thais Mendes e a produtora Patrícia Veneziano, não está à procura de modelos new faces. Pelo contrário, elas querem pessoas que possam quebrar os padrões e fazer parte de campanhas de moda por sua atitude e estilo, não apenas por uma beleza convencional. O mercado é novo, com certeza, mas segundo as criadores do coletivo, ele está preparado para recebê-las. Em entrevista à ELLE, Thais explicou um pouco mais sobre a agência e a visão que elas têm no mercado fashion atual. Confira!

Qual é o diferencial da Squad para outras agências?

Bom, pra começar não somos uma agência de modelos, ou pelo menos não só isso. Somos um coletivo de street casting e digital influencers, onde todos que entram para o time tem identidade própria, são pessoas autênticas, originais, talentosas, criativas, muitas com carreira própria já – modelar é apenas parte de uma gama maior de projetos e profissões que cada um se envolve. A geração de hoje não se deixa definir por um adjetivo ou uma profissão só, porque não existe mais essa necessidade. A gente quer incentivar esse lado, porque além de modelos, queremos pessoas que tem voz, tem ideias, e pode eventualmente colaborar com marcas, ao invés de serem apenas o rosto delas. Pra uma marca hoje em dia é muito mais interessante ter um embaixador do que simplesmente uma tela em branco. Ter identidade própria é essencial.

Também é importante dizer que quando convidamos pessoas a entrar no casting, não interferimos na imagem dela de nenhuma maneira. Não nos importamos com o peso ou medidas, com a cor ou textura do cabelo, com o estilo pessoal, nada disso – isso são todas decisões do modelo em si, e isso se reflete muito na autoconfiança que cada um carrega. Eles são extremamente seguros de si, e isso é importante pra nós e pra futuros clientes. São pessoas que abraçam ideias e tem poder de influenciar legiões inteiras de fãs. 

Ah, e por último, não nos limitamos apenas a São Paulo. Temos pessoas dentro do casting de vários estados, de Roraima a Rio Grande Do Sul, e algumas em Londres, onde pretendemos ter uma base. Queremos provar que é perfeitamente possível trabalhar virtualmente, ou com clientes baseados em outras regiões, sem a necessidade de ter um escritório limitado por uma fronteira. Se uma marca ou cliente se interessar por alguém do nosso time, é porque ela representa a marca, e é perfeitamente possível que nossos modelos se movam dentro, ou até fora do país – ou simplesmente não se movam, trabalhando apenas online!

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

– De onde veio a ideia de montar a Squad?

Faz alguns anos que tive essa vontade, por que eu sabia que o Brasil é cheio de pessoas incríveis dos mais diversos backgrounds culturais, mas o mercado sempre foi muito conservador e elas raramente tinham espaço na mídia. Mas a internet mudou o jogo de maneira irreversível, e quem não tinha exposição hoje em dia tem. Em Londres onde moro, street casting (ou casting real) é uma prática comum em grandes campanhas, e achei que já estava na hora do Brasil abrir espaço pra isso. Aí no final do ano passado trabalhando em outra campanha, fotografada no Brasil e de escopo mundial, pude finalmente trabalhar com meninas não modelos. Nesse processo acabei encontrando tantas pessoas interessantes, que me deu vontade de trabalhar com todas, ou pelo menos vê-las nas páginas de revistas, sites, filmes e TV. Eu sabia que isso só seria possível se alguém profissionalizasse a coisa toda, e assim joguei a ideia nas mãos da Pati, que é uma produtora executiva dos sonhos, e ela abraçou a ideia sem medo. 

– Como vocês encontram os seus modelos?

Através do famoso Internet Stalking! O que não é fácil, porque obviamente temos que provar o quanto somos profissionais confiáveis e com credenciais de respeito, antes de fazer qualquer convite. Também pedimos indicações de amigos e pessoas que já estão na Squad, porque elas mesmas tem esse olho treinado, e mais raramente vamos pra rua – até porque eu não moro no Brasil, e só posso fazer isso quando estou por aí. Apesar de que esses dias mesmo, fotografando no topo de um prédio em São Paulo, apareceu do nada um garoto que já estávamos a meses de olho na internet, e saímos literalmente correndo atrás dele!

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

– No Instagram, as pessoas estão empolgadas para também participar da agência. O que vocês procuram em uma pessoa para ser agenciada por vocês?

A gente fica muito feliz com isso, estamos recebendo avalanches de e-mails e mensagens entusiasmadas! É uma mistura de muitos fatores: além de fotografar bem, ela tem que ter um certo tipo de magnetismo. Pessoas autênticas, autoconfiantes, originais. Se ela tiver alguma profissão ou projeto rolando ao mesmo tempo, maravilhoso. Queremos que isso faça parte da Squad, queremos trabalhar com todos eles, divulgando as habilidades e talento de cada um, por que está nos nossos planos fazer mais do que só casting: queremos produzir zines, revistas, filmes, exposições, fazer colaborações com marcas. E se ela tiver muitos seguidores, obviamente que ajuda, porque sabemos que pra qualquer marca, visibilidade é a moeda de ouro. Ah, e pra quem entrar em contato com a gente, mande fotos, ou pelo menos suas redes sociais. Já peço desculpas que não podemos responder um por um, mas estamos de olho! 

– Vocês lançaram primeiro um perfil do Instagram, antes de um site ou algo do tipo. Qual a importância dessa rede social na Squad? E no mundo da moda atualmente?

Nesse caso específico, é a rede social de mais importância, foi a maneira que encontramos de divulgar as fotos dos nossos agenciados de maneira mais rápida. Todo mundo que gosta de moda e roupas e estilo, principalmente das gerações mais novas, olha primeiro pro Instagram e, hoje em dia, pro Snapchat. Nem blogs tem tanta força mais. A Squad praticamente existe no telefone. Acabamos de fotografar 3 campanhas pra uma marca de sportswear com o casting inteiro da Squad, e foi tudo resolvido por e-mail, Whatsapp e Instagram. Mais do que nunca, marcas vão ter que dedicar seus orçamentos a fotografar e filmar material exclusivamente pro Instagram e Snapchat, e nosso casting e time é praticamente especialista no assunto. 

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

– Vi muitas pessoas falando sobre a falta de meninas gordas nos comentários de vocês. Você acha que este é um padrão a ser quebrado também? Pretende futuramente integrar estas meninas no casting?

Com certeza! Tem que ser quebrado. O Brasil é um país ainda extremamente conservador, o que é quase um absurdo por ser um país supostamente tão livre. Eu fiz questão de criar uma agência extremamente inclusiva, onde as pessoas são o que elas são, porque o futuro é esse, e quem não abraçar essa ideia vai ficar pra trás.

Na verdade já temos dentro do casting pessoas que a indústria considera “plus size”, mas como não tiramos medidas quando elas vêm fazer as fotos, é difícil as pessoas de fora saberem qual o tamanho real de cada menina. E como o site com todo o escopo do nosso casting não está no ar, as pessoas fizeram julgamentos baseados nas poucas fotos que estão circulando. Mas o mais irônico é que por mais que muitos comentaram que as pessoas da Squad são “todos magros e padronizados”, eu tenho certeza absoluta que antes da Squad, muitas agenciadas não passariam num casting de passarela ou editorial mainstream, ou mesmo seriam convidadas pra fazer fotos. É um paradoxo interessante: de um lado elas são fora do padrão, de outro considerada padronizadas, depende do contexto. A verdade é que todos são pessoas únicas, e nós respeitamos e admiramos cada um deles. Eu particularmente não gosto de usar o termo “plus size” de qualquer maneira, porque isso virou uma maneira de a indústria se desvencilhar de ataques e criar um nicho onde é ok ter modelos “fora do padrão”, mas acaba segregando igualmente. 

Somos absolutamente a favor de ter pessoas de todos os tamanhos dentro da Squad, todos os gêneros, todas as formas de existir, e isso vai ser muito visível muito em breve. Vai ter e já tem pessoas, baixas, altas, magras, gordas, “plus size”, trans, gender fluid, não depiladas, com vitiligo, negras, brancas, e por aí vai. Se elas fotografam bem, tem estilo, personalidade, são criativas, interessantes, autênticas, tem magnetismo, é o que conta de verdade.

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

Lá fora

A Squad é a primeira agência no Brasil com essa nova proposta, mas pelo mundo, algumas agências já apostam em projetos diferenciados para maior inclusão no mundo da moda. Confira!

Anti-Agency

Em Londres, a Anti-Agency já funciona há 3 anos no mercado de street casting, sob o comando de Lucy Greene e Pandora Lennard. Alguns de seus clientes são grandes nomes do circuito da moda, como Saint Laurent, Marc Jacobs, Martin Margiela e Topshop, além de publicações como i-D Magazine e Dazed & Confused.  No ano passado, eles abriram uma filial em Los Angeles.

We Are Unlike You

Em Berlim, a agência We Are Unlike You tem em seu cast pessoas de todas as etnias, idades e tamanhos. Inclusive, o senhor estiloso que se tornou viral da internet em 2015.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s