Cuidado com o fast fashion da polêmica

Semanalmente, nossa editora Vivian Whiteman irá discutir aqui os assuntos mais quentes do mundo da moda.

Os papos sobre diversidade na rede nem sempre são os melhores. Uma modelo com estria aqui (que estrias ainda sejam motivo de discussão em 2016 é algo muito frustrante), um casting que reúne diferentes shapes de corpo ali, visibilidade para grupos antes ignorados pela moda.

O formato é quase sempre o mesmo: um evento (pode ser um lançamento, uma foto, uma campanha) seguido por um pico de comentários, xingamentos, grosserias, defesas apaixonadas. Logo depois, o evento fica “vencido”, a galera se cansa e todos ficam à espera do próximo detonador.

É fato que os consumidores de moda ou aqueles que acompanham o movimento da indústria estão ligados nesses temas. Há muito discurso no mercado, algumas iniciativas sérias e uma cultura de polêmicas instantâneas, que a longo prazo, acumuladas, talvez ajudem a mudar o rumo das coisas, mas que também cumprem ciclos descartáveis. Para ser mais direta, há polêmicas que servem como entretenimento, como estratégia de marketing e, embora às vezes envolvam assuntos sérios, são pensadas para usar e jogar fora.

O fast fashion da polêmica é facilitado pelo sacolão de opiniões da rede. Na versão “light”, rende cliques, likes, haters e movimenta grifes, perfis, gera dinheiro. O que fez algumas pessoas e empresas acreditarem que esse formato é bom para os negócios. Porém, é preciso cuidado. No meio do tiroteio de opiniões, da gritaria e da confusão, cada vez mais aparecem pessoas centradas, que conseguem diferenciar o que são exemplos positivos, a ousadia verdadeira, a briga pela quebra de preconceitos e o que não passa de caça-likes oportunistas.

É claro que muita gente aposta no pior, e acredita que em algum tempo a rede será um cemitério de almas perdidas entre compras inúteis e discussões sem nexo. Alguns acham que, na verdade, já é assim. Mas deve-se desconfiar de quem paga de revelador do caos só pra ver o circo pegar fogo, de quem pinta cenários terríveis só para baixar ainda mais o nível ético, como se tudo já estivesse mesmo perdido de maneira irreversível, sem nenhuma perspectiva de mudança real.

Há pessoas inteligentes fazendo coisas boas. Há pessoas  pilotando boas iniciativas que valem o apoio. O mais complicado é achá-las, mas não é impossível.

Alguns especialistas dizem que estamos vivendo a era da “curadoria”, um jeito bastante metido a besta de afirmar que é urgente sabermos separar o joio do trigo, o que é de confiança e o que é truque. “Curadores” externos são úteis e  necessários. Podem ser sua família, seu melhor amigo, uma banda, um artista, um escritor que você admira, uma revista, estilista, um youtuber, ou tudo isso junto. Cultive os seus com cuidado, observe atitudes e não só falatório, perceba se eles te inspiram ou tiranizam, não entregue sua alma cegamente a nenhum “influencer” e, acima de tudo, trabalhe diariamente para construir o seu caminho.

A moda não vai mudar o mundo nem a sua vida sozinha mas você pode tirar dela o que ela tem de melhor (além dos looks maravilhosos): ferramentas de expressão. Não desperdice as suas com polêmicas e gurus esfarrapados.

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