Dez minutos com Rincon Sapiência

Entrevistamos o rapper que se apresenta no Coala Festival este mês.

No próximo dia 12, o Memorial da América Latina recebe a quarta edição do Coala Festival. Conhecido por trazer jovens artistas para se apresentar em grandes palcos, o festival dessa vez foca na cena nacional mesclando nomes frescos como Aíla e Uaná System, com veteranos como Tulipa Ruiz, Emicida e Caetano Veloso. As apresentações começam a partir das 13h e, entre os nomes confirmados, também está o rapper Rincon Sapiência, que bateu um papo conosco sobre o lançamento do seu primeiro álbum, o gosto pela moda e outras curiosidades. Confira.

O que podemos esperar do seu show no Coala?
Rincon Sapiência – Nosso repertório passa por diversos gêneros da música mundial, teremos momentos singelos e de acidez também mantendo sempre uma energia muito boa. As músicas do recém-lançado “Galanga Livre” estão muito quentes e as canções mais antigas ganham uma roupagem nova quando executadas com a banda, por isso asseguramos que vai ser muito divertido.

Galanga Livre, seu primeiro álbum, saiu faz alguns meses. Qual foi a parte mais tensa e a mais divertida desse processo?
RS – Todo o processo foi muito divertido, principalmente a parte de produção e gravação feita em casa. Quando entrei na mixagem e pós-produção com o William Magalhães foi divertido também, porém, são duas mentes cheias de ideias e personalidade, então tivemos pequenos lapsos de tensão, mas foi uma experiência maravilhosa e o William é um grande parceiro.

rincon-sapiencia

 (Renato Stockler/Divulgação)

Você começou a curtir composição em um trabalho de escola em 1997. O seu processo criativo mudou desde aquela época?
RS – Ainda escrevo quando bate a inspiração e passo por momentos onde acho que minha fonte secou, mas do nada surge uma ideia massa para um som novo, então faço questão de ficar antenado com o mundo do entretenimento pra ter boas referências.

O Galanga Livre tem várias inspirações, desde música africana até rock and roll e capoeira. Pode citar alguns artistas que serviram de referência para o desenvolvimento do disco?
RS – Ebo Taylor, The Hygrades, The Funkees, Os Brazões, The Doors, Jimi Hendrix, Arctic Monkeys, entre muitos outros. Iniciei a ideia do álbum quando já não me sentia muito instigado com o que estava rolando no rap na época. Coisas como soul, jazz, r&b, me agradam, mas são elementos altamente explorados na música rap, então encontrei no rock dos anos 1970 uma sonoridade ainda não muito explorada. Quando notei que existiram bandas interessantíssimas no continente africano foi a deixa para mergulhar nessa pesquisa. Já a capoeira é uma relação de amor antiga e sempre procuro trazer essas referências para o meu trabalho.

Tenho incorporado referências do rock usando muito jeans e preto. É algo novo pra mim considerando que sempre usei cores quentes por conta da influência afro – Rincón Sapiência

 

Quando saiu a música Elegância ficou claro que você é um cara que curte moda. Como definiria seu estilo?
RS – Tenho incorporado referências do rock usando muito jeans e preto. É algo novo pra mim considerando que sempre usei cores quentes por conta da influência afro. Gosto de coisas clássicas como chapéus, paletós, mas pela caminhada de rua e a tradição urbana não curto sapatos e peças que limitam meus movimentos de braços e pernas, mesmo achando bonito, então diria que tenho feito mesclas de referências antigas e contemporâneas. Quanto a marcas não me apego muito, encontro coisas incríveis em grifes caras, lojas de departamento, brechós, o lance é estar com as antenas ligadas.

A gente adora brechó por aqui. Compartilha um endereço conosco?
RS – Indico um Brechó chamado Frou Frou que fica na rua Augusta e nos arredores dos bairros Marechal Deodoro e Santa Cecília, em São Paulo, têm lugares muito bons. Nem todos têm um perfil fashion de cara, mas com um bom olhar achamos lindas peças e o melhor de tudo, preços bem justos.

Qual é a peça mais amada do seu guarda-roupa?
RS – Amo várias, é difícil citar uma, é como falar do filho ou rap que mais amo. Mas tenho uma peça que trouxeram de um brechó chileno, às vezes suspeito que é um pijama. Quando uso por aí não tem um que não elogia e pergunta onde comprei.

Tem algum artista que você admira pelo estilo?
RS – Pharrell Williams, Will.I.Am e André 3000. Música e estilo se completam com uma harmonia impecável. Andre 3000 faz um som fora da curva e o que ele veste é fora da curva também, isso leva o seu nível de artista ao topo. Tem um grupo chamado Migos que tem me surpreendido pela forma de se vestir. Eles fazem aquele som típico de quebrada e visualmente vestem roupas de muito bom gosto, acho massa!

 (Renato Stockler/Divulgação)

O que tá rolando na sua playlist agora?
RS – Tenho tentado ouvir mais a música popular brasileira, funk, rap e rock no topo! Tenho curtido também o pagode da Bahia e o arrocha, ando interessado mais em músicas pra dançar, como a música pop feita no continente africano.

Tem algum nome novo no rap brasileiro que você tá curtindo e a gente pode ficar de olho?
RS – Um cantor chamado Kafé que acho que é um trabalho de alto nível, acima da média! O MC Livinho tem gravado além do funk coisas de R&B e Trap, mantendo uma qualidade incrível.

Se pudesse escolher uma personalidade, viva ou morta, para ir jantar na sua casa, quem seria e o que vocês comeriam?
RS – Chamaria a cantora Estelle pra jantar, apostaria nas brasilidades, arroz, feijão, creme de mandioquinha com leite de coco, antepasto de berinjela e um vinho seco. E se ela for desimpedida é um bom papo e um pouco de sorte (risos).

Chamaria a cantora Estelle pra jantar, apostaria nas brasilidades, arroz, feijão, creme de mandioquinha com leite de coco, antepasto de berinjela e um vinho seco. – Rincón Sapiência

Qual seria o título de um livro sobre a sua vida?
RS – Dramas, Damas e Afroraps

Qual é o seu lugar favorito no mundo?
RS – Dos últimos lugares que conheci, Belém do Pará foi maravilhoso. Comida boa, rapaziada simpática, música local e brasileira em alta. Amo São Paulo, mas em Belém percebi o como tentamos ser Londres ou Nova York, como importamos música, estilo de vida, formas de se divertir e lá vi um Brasil autêntico, fascinante e original. Mas o lugar onde mais me sinto aconchegado é a Cohab 01, minha terra natal.

Que dica você daria para a galera que tá começando no rap?
RS – Somos uma classe que está crescendo e se destacar no meio de muitos não é fácil, então, seja autêntico.

 

Newsletter Conteúdo exclusivo para você
Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s