Diário conta a vida das mulheres em fábricas de roupas

Projeto liderado pelo Fashion Revolution acompanhou mulheres no Camboja, na Índia e em Bangladesh, e resgatou dados de impacto para o mercado.

Com a moda entendendo cada vez mais que é preciso ter transparência em seu processo produtivo, iniciativas que contam as histórias dos trabalhadores de chão de fábrica estão sendo consideradas uma ajuda valiosa para a transformação dos direitos humanos. E uma novidade vem bem em tempo da celebração do Dia Internacional da Mulher: o Garment Workers Diaries, um projeto de pesquisa que acompanhou mulheres no Camboja, em Bangladesh e na Índia, para entender melhor sua situação econômica e social.

Leia também: Moda e transparência: para onde vamos?

O projeto foi criado pela Microfinance Opportunities (MFO), uma fundação sem fins lucrativos, e foi financiada pela CeA Foundation. O Fashion Revolution, que tem mostrado os caminhos para um novo fazer de moda, liderou a pesquisa.

De acordo com Guy Stuart, diretor executivo da MFO, foram feitas perguntas simples durante várias semanas para o mesmo grupo de mulheres — e isso possibilitou a construção de uma ideia sobre como elas vivem ao longo de um ano. A pesquisa é importante também porque evitou resultados enviesados ao focar apenas nas trabalhadoras, e não nas grandes empresas que compram das fornecedoras.

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Alguns dos resultados são tristes e já esperados — como o fato de que elas ganham pouco e correm muitos riscos alimentares pelo ambiente insalubre. Mas outros são surpreendentes por trazerem novas visões sobre esse tema.

A situação em Bangladesh é com certeza a pior nos três países”, contou Guy ao Fashionista. “O número médio de horas trabalhas por semanas é bem maior, e o pagamento é menor em comparação com o Camboja e à Índia, mesmo depois de nivelarmos os diferentes custos de vida.” Vale lembrar: o país tem cerca de 4 milhões de trabalhadores nessa indústria.

Na Índia, mesmo que a situação no chão de fábrica fosse um pouco mais valorizada, ainda existe uma cultura do assédio e humilhação para que se produza mais e mais rapidamente. Mas na questão legislativa, Bangladesh e Camboja realmente ficaram atrás: lá, as mulheres não entendiam que deveriam ganhar o dobro quando realizavam grandes jornadas.

De acordo com Guy, a maior esperança é que os dados alcancem os legisladores dos países e afetem suas decisões, o que impacte diretamente as empresas e os trabalhadores. No final das contas, essa mudança é um trabalho conjunto entre governos, empresas e consumidores — que também tem sua responsabilidade. Quando o assunto é produção de roupas, é preciso lembrar que elas não aparecem magicamente nas prateleiras das lojas — mas envolvem muito trabalho e vida de diversas pessoas. Confira o report completo aqui: Garment Worker Diaries.

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