É feio até a Rihanna decidir que não

Em sua coluna Visões de Vivi, Vivian Whiteman explica por que Rihanna está todos os dias no seu feed.

It’s ugly until Rihanna decides it’s not (É feio até a Rihanna decidir que não). Essa frase virou hashtag, prêmio, nome de tumblr, meme e representa, em poucas e certeiras palavras, o poder da mais poderosa das influenciadoras.

Difícil bater o charme e o estilo da cantora, capaz de vestir roupas das mais diferentes marcas, dos mais diversos estilos, sem nunca deixar de expressar aquilo que escolheu com seus looks, sem parecer fantasiada nem servir como cabide vivo para os lançamentos das labels.

Leia mais: Por que estamos apaixonados por Rihanna no MET Gala

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(Instagram @badgalriri/Getty Images)

Mas qual será o segredo? Rihanna não costumava entrar para as listas esnobes de mais bem-vestidas. Durante muito tempo, injustamente, as manchetes sobre ela se concentravam em falsos afairs e na agressão que sofreu do ex-namorado.

Rihanna se poupou, mas não se escondeu. Contou sua história como e quando achou necessário, mas não participou de circos midiáticos nem dos supostamente “edifcantes”.

E o que isso tem a ver com estilo? Bom, na verdade, tudo. Embora fale-se o tempo todo sobre a importância de “ter estilo”, a substância dessa palavra é algo raro porque depende de um ponto de vista consciente. E muita gente passa a vida sem se perguntar onde está e de que lugar enxerga a vida.

It’s ugly until Rihanna decides it’s not. E ela decidiu que não era feio ser quem ela é, com suas dores, suas vitórias, suas imperfeições. Sim, ela é lindíssima, mas sua beleza não funciona como prisão, nem para ela nem para os outros. Se você se inspira nela, certamente não sente a necessidade de pasteurizar seu prato, seu corpo, suas palavras, suas atitudes para encaixá-los num ideal de perfeição fake.

Enquanto no mês passado gente amarga lotava as redes com o papo de que ela estava gorda, Rihanna era recebida pelo presidente da França para falar de educação. O assunto é sério e menos comentado porque não rende tantos cliques, mas a cantora tem uma extensa obra de ajuda humanitária e é uma militante ativa de questões educacionais.

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(Instagram (@badgalriri_)/Reprodução)

Porém, num momento livre, Rihanna foi a uma fan page comentar um vídeo sobre a “polêmica” do peso. “Alguém me chamou de gorda?”, ela escreveu, engatando três emojis daqueles que choram de rir. Não é à toa que dizem que pessoas inteligentes costumam ter senso de humor.

Se os haters dizem que ela não pode engordar e ser linda, ela simplesmente é. Com decotes, com as roupas de Carnaval em Barbados, seu país natal, com vestidos de princesa, com os looks que as fashionistas modernas mais desejam. Não há roupa que possa detê-la, não há tecido que sua personalidade, que sua presença não transforme em algo bacana, intrigante ou simplesmente charmoso. De quebra, Rihanna tem sua própria grife, que, em pouquíssimo tempo, virou hit e está sendo copiada até por nomes do high fashion. Essa gata virou tantos jogos que tem gente tonta até agora.

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(Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Se os racistas nos EUA querem mostrar suas garras, ela posta foto de uma mulher negra encarando dois covardes encapuzados. Mas, mais importante do que isso, ela continua vivendo como a mulher que inspira milhões de meninas negras de maneira íntima e poderosa, uma força que multiplica ideias de autoaceitação simplesmente por existir e ser o que é.

Rihanna fez tudo isso sem grandes discursos. O que não quer dizer que ela não apoie suas colegas mais engajadas. Ela é a seu modo protagonista da história da ascensão das vozes das mulheres negras e também resultado dela. Um tempo atrás, li a filósofa e feminista Djamila Ribeiro falando sobre como a felicidade de uma mulher negra já era algo revolucionário, dados todos os impedimentos e a injustiça monumental com que elas têm de lidar desde a infância, injustiça sensível e estatisticamente maior do que sofrem todos os demais grupos sociais.

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(Vittorio Zunino Celotto/Getty Images)

A imagem de Rihanna curtindo suas vibes na praia, beijando um boy lindo, desfilando roupas como a it-girl por definição, sorrindo e tirando onda é, nesse sentido, um tiro de canhão na cara de todo o sistema. Mesmo que ela, como todos nós, faça parte dele.

Aliás, por mais clichê que seja dizer isso, é de dentro para fora que rolam as grandes mudanças. E uma mulher negra, independente, afrontosa, nascida na América Central, ter se transformado numa das pessoas mais influentes do mundo não é pouca coisa dentro de um contexto machista e preconceituoso.

Essa linda é tão incrível que fica difícil definir. Mas sabe quando o Michael Jackson perguntou “who’s bad?”, no sentido da gíria, de quem é o mais babadeiro, o mais-mais? Então, é ela. Bad Gal Riri, rainha da p…, digo, do baile todo.

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