Enquanto somos jovens: a vibe nineties se firma como a tendência do momento

Hedi Slimane, da Saint Laurent Paris, ama o perfume grunge, rebelde, que marcou os jovens de Seattle e encontrou em Courtney Love sua musa polêmica. Alexander Wang completa 10 anos de carreira praticamente dedicada ao look urban edge, com direito a botas plataforma e peças esportivas. Victoria Beckham, com sua estética minimal chic, poderia ser a Carolyn Bessette-Kennedy das passarelas atuais. O que une esses três designers, com referências que a princípio parecem díspares? Os anos 1990, também conhecidos como a década que deu voz ao Nirvana, legitimou o crossover entre esporte, passarela e rua e abriu alas para o minimalismo, pós-overdose dos 1980. O fato? Existe uma fascinação pelos anos 1990 no ar.

Olhe para as passarelas e verá: slip dresses, parkas, xadrez, sobreposições. Olhe para as ruas e estarão lá: tops cropped, moletom, chockers e tênis como Vans, Superga e Keds, usados por meninas como Cara Delevingne e Kendall Jenner (a nova garota da Calvin Klein. Poderia ser mais 90’s), que divulgam suas escolhas diariamente em looks do dia, atingindo milhões de outras garotas que vão querer usar, tcharam!, exatamente as mesmas coisas ainda que tenham nascido nos 2000.

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O fenômeno, claro, tem explicação. Boa parte dos estilistas e da turma que ditam as regras do jogo agora – editores de moda, publicitários etc. – está na casa dos 30, 40 anos. Ou seja: era jovem quando Alanis Morissette estourou e Patricinhas de Bervely Hills estreou – e lá se vão inacreditáveis 20 anos, embora, para mim, pareçam sempre dez. Recriar essa estética, portanto, é quase como buscar o Santo Graal, a fonte da eterna juventude. Também temos que considerar outro fator, inerente ao business: investir em uma estética familiar, passada, já que o futuro é sempre incerto, é recurso recorrente na moda. Três passos para trás na esperança de caminhar um para a frente. Mas por que justamente os 1990 agora, você pode insistir em perguntar.

Bom, além do aspecto nostálgico de quem se descobriu e descobriu a vida na década, podemos dizer que ela ainda é o último elo antes do mundo como conhecemos hoje: pré-conexão full time, pré-Instagram e todo o bombardeio de informações 24 por 7. Há um misto de efervescência (cena clubber, mega-shows, clipes da MTV) com inocência (o mundo ainda era “menor”, as pessoas conversavam face to face, o cabelo azul era conquistado com papel crepom!), que soa reconfortante em uma era em que tudo ficou mais perto, mais fácil e paradoxalmente mais longe, difícil. Back to the 90’s, baby.

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