Falamos com a historiadora do Museu Levi’s Tracey Panek

Comemorando os 145 do clássico jeans 501, a marca trouxe expert para uma palestra em São Paulo.

Neste mês, o jeans mais famoso da história completa 145 anos. O Levi’s 501 nasceu como roupa de minerador, virou símbolo da revolução jovem, da democracia, da igualdade e da liberdade. Sua história virou até matéria na edição deste mês de ELLE. Para dar início às celebrações (leia mais sobre elas aqui), a label de jeanswear armou um almoço nesta segunda-feira (07/05), na Casa de Francisca, em São Paulo, e convidou Tracey Panek, historiadora do Museu Levi’s, para falar sobre a importância e relevância do modelo 501 na história.

Antes da palestra, porém, ELLE pode conversar com a historiadora sobre seu trabalho e sobre o lugar do denim na moda e no mundo de hoje.

No que consiste seu trabalho exatamente?

Eu gerencio os arquivos da Levi Strauss & Co., que têm a melhor coleção de vintage da marca. São peças como o jeans mais antigo da história, de 1879, ou a jaqueta que criamos especialmente para Snoop Dogg. Parte do meu trabalho é dividir esses itens com a equipe de design para servir de inspiração para a nova geração de roupa Levi’s.

Nossas peças vem dos mais variados lugares, como lojas vintage da Harajuku, em Tóquio, ou a casa de leilões Christie, em Londres – onde comprei a jaqueta de couro favorita de Albert Einstein, um modelo Levi’s de 1930. Também buscamos mais perto de nossa casa, em São Francisco. Recentemente, achamos a jaqueta usada por um peão profissional do Novo México e uma calça com patches coloridos, assinada pelo ilustrador Doug Hansen of Fresno, da Califórnia.

Como é a manutenção e armazenamento dessas peças, principalmente as mais antigas?

Temos uma pessoa na equipe especialmente dedicada a isso. É essa pessoa quem lava as peças, quando preciso, e as guarda em caixas acid-free, envoltas em camadas de musselina natural. Nossas coleções são armazenadas em salas com temperatura e umidade controlada e os itens mais especiais ficam num cofre à prova de foto, e só duas pessoas possuem a combinação.

O que você procura e o que te chama atenção quando busca novas peças para o arquivo da Levi’s?

Quando falamos de Levi’s, quanto mais velho, melhor. Nossas peças e documentos do século 19 são muito raros, pois boa parte deles foram destruídas no terremoto e incêndio que atingiu São Francisco, em 1906. Também me sinto muito atraída por peças que têm história. No ano passado, por exemplo, conseguimos o jeans feminino mais velho do mundo, do começo dos anos 1930. Eles foram usadas por uma estudante californiana que escreveu seu nome, Viola Longacre. A peça foi encontrada no closet da antiga casa de Viola, que faleceu em 2013 aos 100 anos de idade, durante a venda do imóvel.

levis

 (Levi's/Divulgação)

Ao longo da história, podemos perceber algumas mudança na aparência da calça jeans. Olhando para um passado mais recente, você consegue dizer quais são as principais características do jeans atualmente?

O blue jeans, patenteado pela Levi Strauss & Co. em 20 de maio de 1873, surgiu como uma calça masculina de trabalho. Era feita 100% de denim de algodão com bolsos rebitados, resistentes o suficiente para suportar o desgaste. Originalmente eles eram bem largos, tinham cintura alta e um único bolso na parte de trás. Hoje, as características são quase as mesmas, com algumas pequenas modificações – o fechecler pode ser de zíper ou botão, o número de bolsos subiu para cinco e a composição do denim passou a contar com strech para tornar a peça mais confortável.

E quais são as características de quem o usa?

De São Francisco a São Paulo, são pessoas de todas as idades, origens e de toda parte do mundo. Aliás, dois sociólogos que estudam tendências globais levantaram a hipótese de que em qualquer lugar que você vá, pelo menos metade da população está usando jeans.

O jeans sempre esteve muito próximo de movimentos culturais revolucionários. Você acha que a peça ainda tem esse potencial e essas características?

O jeans sempre foi uma parte fundamental da cultura e da liberdade de expressão. Eles se tornaram um símbolo da democracia quando foram adotados por jovens da contracultura, no início dos anos 1960. Foi a peça mais usada durante Woodstock, em 1969 e também a que mais se viu durante a queda do Muro de Berlim, vinte anos depois. São a peça mais usada no mundo todo, por todos os tipos de pessoas. Como o jeans se desgasta com o tempo, carrega impressão única de quem o usa. Eles também podem ser personalizados e customizados de infinitas maneiras para expressar posições políticas, estilos e gostos musicais, por exemplo. É a única roupa que é ao mesmo tempo única e onipresente, o verdadeiro  padrão do vestuário.

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