Um olhar detalhado sobre a collab de Gucci e Dapper Dan

Dapper Dan continua sendo o principal link entre o luxo e a ruas.

Dapper Dan cresceu no Harlem nos anos 1980. Naquela época o bairro nova-iorquino era predominante negro. O crack e a criminalidade estavam muito presentes, deixando o local extremamente vulnerável  e segregado. Era mais um reflexo do racismo norte-americano, com desdobramentos também na moda e na maneira de se vestir de quem ali vivia.

Naquela época, marcas de luxo não enxergavam o negro como um consumidor em potencial (hoje é questionável se tal visão mudou de fato). Ao mesmo tempo, se apropriar de imagens e símbolos luxuosos era sinal de subversão, de tomar para si uma lugar que sempre lhe foi negado, de derrubar a invisibilidade e exclusão racial. E Dapper Dan lutou muito para isso, por essa (re)construção social e para mostrar que o negro faz parte da moda sim.

Leia mais: A volta por cima de Dapper Dan

Após uma temporada na África, o alfaiate inaugurou a Dapper Dan’s Boutique, em 1982, na 125th Street. Entre suas criações, destacavam-se aquelas estampadas com os logos de grandes marcas de luxo, como Gucci e Louis Vuitton, possibilitando que os seus iguais pudessem ter as etiquetas fancy de maneira representativa.

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Eram propostas diferentes de tudo que havia na época. Fora dali, do Harlem e de outras comunidades negras e latinas, ninguém olhava para aquela realidade. As grifes ainda não conheciam o poder do hip-hop, então em sua fase embrionária, mas já com imenso potencial e forte representação social. E também não sabiam nada sobre outras implicâncias diretas da vida na rua sobre o guarda-roupa de uma pessoa negra.

Existe muita coisa por trás da criação de uma roupa.  Desde criança, Dapper Dan ouvia seus pais conversando em casa sobre questões raciais. Sofreu na pele também o fato de não ter dinheiro para comprar seus próprios sapatos. Além disso estava lá acompanhando de perto o boom do hip-hop e também a repressão policial sobre membros de sua comunidade.

A junção de música e moda trouxe à tona o swag das ruas com tênis de marcas como Reebok e Nike, colares de ouro e a ostentação dos logos das grandes labels. E apesar desse cenário ter acontecido a muitos anos atrás, Dan foi e continua sendo a principal ponte entre a rua e luxo.

#MetHeavenlyBodies #MetGala

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Alessandro Michele, vem flertando com o talento de Dapper Dan desde a coleção apresentada no resort da Gucci 2018. No desfile o diretor criativo, exibiu uma releitura de uma das peças mais conhecidas do couturier, uma jaqueta bufante com o logo da Louis Vuitton (que, no caso, foi substituído pelo da Gucci), feita para a corredora olímpica Diane Dixon. Não demorou muito, e a label italiana foi logo acusada de apropriação cultural nas redes sociais. A própria atleta que inspirou a peça original fez questão de postar em sua conta do Instagram uma foto comparativa, pedindo créditos para o verdadeiro criador. Tudo foi resolvido quando Dan declarou que foi procurado pela grife e que iria desenvolveria uma linha especial para eles.

O resultado é uma coleção que saúda trabalho o trabalho de Dan por meio de uma parceria de maneira muito respeitosa. O lookbook foi inspirado nas fotos do próprio arquivo do estilista.  A campanha foi clicada nas ruas do Harlem e conta com muitos modelos negros. A estética da coleção é uma mistura muito interessante entre o estilo das ruas com a estética da Gucci. Os sapatos são um mix de mocassins, sandálias, beach slides e tênis. As jaquetas são oversized e o logo da marca aparece bem grande. Mom jeans, calça de veludo, botões laterais, dão um toque bem retro à coleção. Óculos, mochila, boné, bandana e uma grossa corrente de ouro com um pingente poderoso vem para deixar a coleção mais descolada.

My fully Gucci-customized Mercedes Benz. #dapperdan #harlem

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