Investir em upcycling é produzir moda sem que isso seja caro ao meio ambiente

“A roupa mais sustentável que existe já está pronta”, disse Marina Colerato, da plataforma que discute consumo consciente Modefica, quando a entrevistamos um pouco antes de seu evento, o Modefica Offline. O que ela quis dizer é que por mais que uma marca se preocupe em utilizar, por exemplo, algodão orgânico e sua produção seja totalmente controlada, o meio-ambiente vai, de alguma forma, sofrer com a extração de materiais. Sendo assim, a melhor opção seria procurar por peças em brechós, participar de feira de trocas, conhecer armários compartilhados e praticar o tão falado upcycling. Mas, afinal, do que se trata?

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mostramos por aqui o trabalho que a MIG Jeans, marca que dá vida nova a peças jeans, e que quer fazer com que a moda sustentável seja mais acessível. A ideia do upcycling é mais ou menos essa: transformar algo que anteriormente seria descartado em um item que possa ser utilizado novamente e, muitas vezes, seja ainda melhor do que o anterior, já que ele vai ter demandado um boa dose de criatividade.

André Carvalhal, ex-Farm, é um dos entusiastas do movimento. No último domingo (25.5), ele organizou um desfile no Rio Design Barra, com a Malha, um projeto inovador, do qual ele é cofundador, e que mistura espaços de coworking, fábrica compartilhada e escola de moda. Aqui, ele fala um pouco mais sobre o upcycling. Confira:

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Murillo Tinoco Murillo Tinoco

Murillo Tinoco (/)

Vejo que o upcycling está ganhando bastante força no mundo. Como é o cenário no Rio de Janeiro?

Vejo várias iniciativas legais de upcycling rolando no mundo todo. Aqui no Rio, a gente vê esse movimento passando por um boom de marcas novas e bacanas de sustentabilidade com várias iniciativas. Acho que está rolando um movimento de conscientização maior na cidade.

Quais marcas, projetos e iniciativas você destacaria?

O Reroupa, aqui no Rio, que é uma iniciativa da Gabi Mazepa. Ela trabalha com upcycling de peças de várias naturezas. Eu gosto também da MIG Jeans, as meninas fazem esse trabalho da coleta jeans em brechós e em várias lojas e as transformam em novas peças. A Comas, em São Paulo, da Agustina eu acho superlegal.  E a Insecta Shoes, de sapatinhos veganos. Elas utilizam para forrar o sapato tecidos que eram antes de roupas e também garimpadas em brechós.

Qual você acredita que seja o maior atrativo do upcycling para que os consumidores passem a adotá-lo?

Um atrativo do upcycling é que ele acaba sendo, na maioria das vezes, um produto mais barato em comparação a outros produtos de natureza sustentável porque quando você parte para alguma matéria prima nova, como o algodão orgânico ou algum material reciclado de PET, por exemplo, você acaba tendo ali um custo maior, um investimento financeiro muito maior. E quando você faz um upcycling, partindo de uma matéria prima que poderia ter sido descartada, muitas vezes, ela sai mais barata.

Lá fora, até marcas de fast fashion, como Zara e H&M estão investindo em projetos de reutilização de materiais e transformando algumas peças em algo novo. Acredita que esse é o futuro?

Sim, eu realmente acredito que isso é uma grande iniciativa para o futuro. Eu acho que faz muito sentido trabalhar com o upcycling porque as pessoas vão querer o novo, existe um apelo muito grande para ter o novo. E o upcycling resolve uma questão ambiental, partindo de um problema que é a sobra, o resíduo gerado pela indústria da moda e, com isso, ele gera o novo sem precisar extrair novos materiais ou utilizar recursos novos do meio ambiente. Então isso é uma conta que faz bastante sentido para o mundo.

Como fazer com que a moda sustentável seja acessível a todos?

A melhor forma de fazer a moda sustentável ser acessível a todos é dando informação, é fazendo as pessoas entenderem. Muita gente não tem noção da quantidade de água e de energia que é necessária para produzir uma peça de roupa nova e, muitas vezes, as pessoas não têm noção de que o racionamento de água e energia que a gente vive hoje tem em comum a má utilização desses recursos pela indústria da moda. Então, a partir do momento em que as pessoas começarem a entender que as iniciativas e marcas que eles financiam podem determinar o nosso futuro, o futuro da humanidade, no planeta…Quando as pessoas se conscientizarem disso, elas vão passar a investir mais.

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