Fique de olho em Isaac Silva, o jovem talento da moda brasileira

2018 é o ano do jovem estilista que abre nova loja e tem entre as suas clientes as mulheres mais importantes do movimento negro.

Para Isaac Silva, 2018 é um ano que promete. Ele dá o start no calendário ao inaugurar sua primeira loja física em janeiro, na Rua Jaguaribe, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. E se prepara para apresentar uma nova coleção em Angola, França e Senegal pela Black Fashion Week, organizada desde 2012 pela designer senegalesa Adama Paris. O evento tem como principal objetivo incentivar a produção de moda negra em todo o mundo.

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Aos 28 anos, o estilista vem ganhando espaço na moda brasileira. Há quatro temporadas, mostra sua coleção na Casa de Criadores, desde que abriu a sua marca homônima, em 2015. Além disso, tem sido chamado para mostrar seu design em eventos de cultura afro-brasileira em diversos estados, alimentando discussões sobre a criação de moda no país com recorte racial. “São eventos poderosos, com muita gente envolvida. Pode ter certeza de que daqui a dez anos a moda brasileira não terá a cara que sempre teve”, ele profetiza, animado.

“Minha mãe achava que era coisa de rico. Mas eu insisti e trabalhei na bilheteria de um teatro no Pelourinho só para pagar os meus estudos”

O início de carreira não foi fácil para Isaac. Nascido no interior da Bahia, quando criança passava as tardes na casa da única costureira do bairro, “dona Morena”. Aos 14 anos, foi para a capital, seguir o sonho de costurar, mesmo que sem nenhum apoio da família. “Minha mãe achava que era coisa de rico. Mas eu insisti e trabalhei na bilheteria de um teatro no Pelourinho só para pagar os meus estudos”, recorda.

Foto icônica do último look desfilado por Isaac Silva na Casa de Criadores. (Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Foi em Salvador que ele se formou em design de moda e teve o primeiro contato com o mercado, com o movimento negro e com a agitação underground local – na cidade do axé, Isaac participou da cena de rock e música eletrônica regional, ao lado de personalidades como Pitty e sua banda hardcore, Inkoma. “Nunca consegui estágio por lá. Salvador é majoritariamente negra, mas a elite, que comanda tudo, é branca”, diz. Aos 20 anos, se mudou para São Paulo, o que também não significou uma recepção fácil.

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Ele escutou em entrevistas de emprego, para uma grande marca brasileira, comentários preconceituosos. “Me perguntavam: ‘Sério que em Salvador tem faculdade?’”, conta.
Por meio de uma ponte feita por um amigo, Isaac conheceu André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores. André viu seu portfólio e pediu para que auxiliasse outros designers antes de começar a desfilar. Isaac trabalhou então para o próprio evento e com os estilistas Gustavo Silvestre e Weider Silveiro.

 (Thomas Rera/ELLE)

Foram seis anos até conseguir entrar para o line-up oficial e virar o estilista que sempre quis ser. Uma vez dentro, tudo decolou. “Em minha marca, eu faço uma pesquisa sobre o Brasil”, explica sobre o processo criativo. “Uso tecidos daqui ou de origem africana, como as capulanas senegalesas, com as quais trabalhei na última temporada.”

Além disso, busca referências em nomes históricos daqui, como Xica da Silva e Dandara. Isaac também veste Elza Soares e se tornou amigo da cantora, que foi eleita a voz do milênio. Apaixonado, mantém um retrato da musa em cima de sua máquina de costura.

Sua lista de clientes tem muitas outras mulheres poderosas, inteligentes e cheias de estilo. Entre elas estão a filósofa Djamila Ribeiro, a escritora e arquiteta Stephanie Ribeiro, a maquiadora Daniele Da Mata, a rapper Preta Rara e a influenciadora e youtuber Magá Moura, com a qual fez parcerias de sucesso, assinando bolsas e pochetes. “São pessoas incríveis, que estão movimentando o país com boas ideias”, conta.

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