Lilian Pacce desafiou fashionistas a repetirem roupas durante todo o SPFW

Durante o SPFW, conversamos com a jornalista que acredita que cabe a cada um de nós "dar um passinho".

Paralelamente à 45ª edição do São Paulo Fashion Week, acontecia a semana do Fashion Revolution — um movimento que luta por mais transparência e sustentabilidade no mundo da moda desde o desabamento do edíficio Rana Plazaque matou mais de mil funcionários da indústria do vestuário. Com isso em mente, fomos aos bastidores conversar com designers e jornalistas a respeito do avanço deste debate no mercado em que trabalhamos.

Leia mais: Perguntamos no SPFW: Como fazer uma moda mais justa?

Lilian Pacce é a idealizadora do projeto #1lookporumasemana: no SPFW, ela convidou diversos fashionistas a repetirem peças durante o evento, entre eles nossa diretora de redação, Susana Barbosa, a editora online Nathalia Levy e a editora de beleza Carolina Vasone que toparam o desafio. Tudo para mostrar o verdadeiro valor, usabilidade, função e durabilidade dos itens do seu guarda-roupa atual. “Acho que esse é um passinho que estou dando. Imagino que se todo mundo pudesse dar um passinho como esse, a gente ia começar a ver mais mudanças no mundo”, disse em entrevista à ELLE. A ideia surgiu depois que Lilian viu uma pesquisa que apontava como muitas pessoas estavam deixando de repetir roupas porque elas já haviam aparecido nas redes sociais, ou seja, no #lookdodia.

1lookporumasemana SPFW

 (Reprodução/Reprodução)

“A gente tem que deixar de apontar para os outros para apontar para a gente mesmo: o que eu posso fazer para melhorar essa situação?” – Lilian Pacce

Segundo a apresentadora de televisão, a moda está passando por um processo parecido com o que a indústria da alimentação viveu recentemente. “É a questão da procedência, da origem das coisas. Está acontecendo uma busca pelo natural, pelo eco-friendly. (…) Agora, por que a gente está vendo essa mudança? Porque os millennials realmente estão cobrando uma atitude das marcas. Eles se recusam a comprar uma roupa que não saibam quem foi que fez, que esteja colaborando com o trabalho escravo. (…) Essa é a grande vantagem da internet. Pode até ter muita bobagem no pacote, mas existe um canal para vocalizar essa demanda e também a possibilidade de criar novos modelos de funcionamento da cadeia.”

Uma das primeiras referências que ela indicou foi o Honest By — o primeiro e-commerce que apostou na transparência a respeito da procedência de seus materiais e se comprometeu com uma cadeia produtiva responsável. “Quem está chegando agora já vem com uma estrutura preparada para entender esse novo momento. Já quem está aqui há algum tempo precisa começar a correr atrás do prejuízo“, avalia. “Não é simples conseguir rastrear todo o seu processo, ainda mais em uma indústria como a da moda que aposta muito na terceirização, mas acho que dá para melhorar aos poucos.”

O radicalismo não é bom nesse momento. Ele tem a sua importância para dar voz ao movimento, para ganhar visibilidade e angariar espaços, mas a gente tem que deixar de apontar para os outros para apontar para nós: o que eu posso fazer para melhorar essa situação? A gente não vai viver uma realidade 100% sustentável, mas quando mudamos o jeito com que consumimos, conseguimos inspirar os outros a fazer o mesmo.”

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